O LEITOR ESCREVE
Contestação
O resultado do trabalho e pesquisa de campo realizados em Querência do Norte, pela equipe de que faço parte e coordenação, não pode ser confundido com alguns dados ou resultados de um quadro mais amplo encontrado pela pesquisa realizada para o INCRA, em novembro, dezemmbro e janeiro/96. Realizada pelos alunos da nossa Universidade, esse estudo envolveu várias relações do mundo urbano e rural de mais de 25 municípios das regiões Noroeste e Centro Oeste do Estado, onde se incluiu dados e referencias específicas à situação geral e qualidade de vida dos assentamentos e dos acampamentos encontrados.
Ainda que os estudantes tenham trabalhado nos dois momentos, são, contudo, duas questões metodologicamente diferentes, principalmente no que diz respeito ao quadro urbano de Querência do Norte. Em tempo, importa corrigir algumas distorções ou mal-entendidos, publicados na reportagem de 10 de julho. Quanto à Educação, em levantamentos realizados junto à Secretaria de Educação do referido município, no que diz respeito ao quadro de docentes, constatamos alto índice de excelente qualificação. Como em qualquerparte do Estado, lá também os professores se mostraram interessados, isto sim, a todo tipo de atualização em cursos de doutorado, mestrado e especialização.É o que muitos professores de lá já o fazem.
Em relação à Saúde, a pesquisa apresenta um quadro absolutamente equilibrado, com médicos, enfermeiros e um assistente social, que atuam na cidade em consonância com a sra. Secretária de Saúde. Quanto ao hospital, que a atual administração encontrou em estado não satisfatório, faz parte, segundo planos da Secretaria de Saúde, de prioritários investimentos para breve inauguração. Os demais atendimentos são realizados nos postos com normalidade. Os 150 questionários aplicados em vários pontos da cidade apresentam um quadro urbano com 97% de água potável, com coleta de lixo, zoneamento urbano e demais infra-estrutura.
O prefeito, em contato com os alunos de arquitetura, solicitou rápidos e viáveis projetos para o aterro sanitário, áreas comunitárias de convivência como praças, parques infantis, coreto, calçadão, etc., o que, de modo geral, corresponde aos interesses da coletividade e comércio local, expressos na pesquisa. Não queremos dizer que não existam problemas, toda cidade tem problemas. E o mais são especulações que não condizem com a verdade.
- JOÃO BATISTA FILHO, professor da Universidade Estadual de Londrina
Nota da Redação
Há alguns dias, os integrantes da ONG Bandeira Branca - presidida pelo professor João Batista - passaram, com riqueza de detalhes, a imagem de uma Querência do Norte com severos problemas de abastecimento, saúde, educação e infra-estrutura urbana. Há, portanto, grande diferença entre o conteúdo desta carta e o da entrevista concedida pelo professor e os universitários da ONG há pouco mais de uma semana. A reportagem da Folha se baseou nessas declarações para escrever a matéria publicada no dia 10. Segundo a ONG disse - há uma semana - não havia grande diferença entre as condições de vida nos assentamentos de sem-terra e em grande parte da área urbana.
Pavor da multidão
No século passado, Gustave Le Bon, pensador francês pouco conhecido em terras brasileiras, buscava compreender o que chamou de ‘Psicologia das multidões’. Em seu país, desde a época do Antigo Regime passando pela Revolução Francesa e culminando com as barricadas na Paris do século 19, milhares de indivíduos anônimos que viviam à margem do poder se uniam e saíam às ruas para que pudessem ser ouvidos. Se uma pessoa não significava nada para os que mandavam, o grito de milhares jamais passava despercebido. Apesar de passível de manipulação, o comportamento da massa é sempre imprevisível e, não raro, aterrorizou aqueles que detém o poder.
Jamais tirem do povo o que ele tem de mais precioso. Para os franceses de então era o pão.
Para a legião de apaixonados da qual fazemos parte,
é o Clube Atlético Paranaense. Há pouco, usurpadores tentaram subtrair o direito legítimo do Atlético de continuar sua campanha vitoriosa dos últimos anos. Tentaram mais uma vez tratar o Paraná como Estado coadjuvante no cenário nacional. Acharam que novamente iríamos nos conformar com outra de suas atitudes despóticas.
A multidão rubro-negra não se intimidou. Indignada e enfurecida, foi para as ruas exigir seus direitos. Recolheu assinaturas, organizou passeatas e carreatas. Pressionou a classe política e os formadores de opinião de todo o País para reaver aquilo que lhe fora roubado. Motivou os diretors do clube a não esmorecer e deu todo o apoio ao presidesnte injustamente deposto. Tudo dentro da mais perfeita ordem, pacificamente, numa demonstração clara de quem somos.
Os ‘donos’ do futebol brasileiro sentiram na pele o mes mo que tantos times sentiram ao enfrentar o Atlético no Caldeirão. Tremeram. O pavor da multidão mais uma vez assolou os poderosos. E tiveram de voltar atrás. O Atlético reconquistou seu lugar de direito e continua sua caminhada - que na verdade jamais foi interrompida. Há ainda muito a fazer. Mas uma grande lição fica de tudo isto: a restituição da justiça nasceu no bojo da mais pura manifestação popular. A partir dela, políticos e pessoas influentes tiveram de tomar uma atitude para reverter a situação. A paixão pelo Atlético levou milhares de pessoas a não se calar. Prova de que o poder para mudar o Brasil está em nossas mãos. Os brasileiros precisam amar o Brasil como os atleticanos amam o Atlético.
- CLÁUDIO FREIRE, publicitário em Curitiba
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