O LEITOR ESCREVE
Protesto
Ocaso de administração. Vaidades e veleidades ainda dominam o cenário da gerência cultural em Londrina. É hora de fazer um balanço. Para nós da Fundação Cultura Artística de Londrina (Funcart), que mantemos projetos permanentes conveniados com o poder público municipal, tem sido um processo penoso. Estes convênios mantêm a Escola Municipal de Dança, a Escola Municipal de Teatro, o Ballet de Londrina, o Ballezinho, e o Ballezinhozinho.
Vários bailarinos preparados nesta escola migraram para centros que tratam com maior respeito a arte. Todos foram para balés públicos, pagos com o dinheiro do contribuinte, mas ganhando cerca de três vezes mais. O repasse feito à Funcart é o mesmo, corrigidas questões inflacionárias, desde 1996. Só que a Escola de Dança passou de 80 para 165 alunos, a de Teatro de 70 para 140.
A excessiva burocracia é um flagelo diário. Ao invés de trabalharmos no nosso objetivo formação cultural passamos grande parte do tempo atrás de papéis. Esta tem sido a marca de uma administração que faz moral em cima de serviços fundamentais da cultura, ao mesmo tempo que se acha acuada pelo Ministério Público para explicar desvios da mais de R$ 16 milhões.
A Funcart não recebe o que lhe é de direito, por força de convênio, recursos de agosto, setembro e outubro. Bailarinos, funcionários e professores de suas escolas têm compromissos, filhos e família. É um desrespeito não só à arte, mas à dignidade dos trabalhadores das artes. Como o empenho para estes pagamentos é uma atribuição da Secretaria de Cultura, em protesto contra esta situação de descaso, estaremos hoje, dia 22, às 14h30, fazendo uma manifestação no espaço público daquela secretaria.
Não é apenas uma manifestação pelos nossos direitos, é também um protesto pelo desrespeito que fomos tratados nestes obscuros quatro anos, quando a Secretaria foi dominada por burocratas pouco afeitos às artes e excessivamente ligados a inimagináveis métodos de coerção. Para estes iluminados burocratas eu lembro o genial Mário Quintana, que possivelmente eles nunca tenham lido: Todos estes que estão atravancando o meu caminho eles passarão eu passarinho.
- LUIZ CARLOS BRUSCHI, presidente da Funcart, Londrina
Pedágio
Parabenizo a Folha nesta luta contra o sistema de pedágio instalado no Paraná. Já estive manifestando a minha insatisfação por duas vezes no espaço dos leitores, e realmente os descontentamentos são inúmeros, não somente pelo preço, fora da realidade econômica e pela falta de estradas alternativas, mas pelo próprio processo pelo qual necessitamos pagar para trafegar em nossas estradas. Pediria o empenho do jornal nesta empreitada, mobilizando toda a sociedade para isso.
- DANIEL K. TAKAHASHI, agrônomo, Londrina
Liberdade de expressão
Feliz o dia em que finalmente foi decretada o fim da censura e proclamada a volta da liberdade de expressão. Já passados alguns anos destas conquistas, temos a notícia da atitude de um juiz do Rio de Janeiro, em proibir a participação de crianças nas novelas das 8 da Rede Globo. Espera aí, não falaram que podia falar e fazer tudo, que era proibido proibir? Ou será que entendemos errado?
Na realidade, essa liberdade conquistada está sendo mal interpretada, pois a participação de crianças em novelas talvez não seja o mais grave dos atos televisivos temos a banheira, temos as cenas de amor explícito a qualquer hora do dia, temos traição, temos atos de desrespeito em vários âmbitos, enfim, a televisão deixou de ser um meio de entretenimento e instrutivo de comunicação de massas, para ser um instrumento que te traz problemas, pois a qualquer momento, você pode estar com sua esposa, filhos, pais ou alguma visita e de repente surge na tela da sua televisão algo não recomendável para um ambiente familiar e aí você fica sem graça, tenta mudar o canal mas o controle remoto não está por perto e aí todo mundo já viu e você já passou a maior vergonha.
Na busca ferrenha de audiência, as emissoras lançam ao ar um estoque de programas apelativos, verdadeiros lixos na assepção da palavra. A censura imposta talvez não seja o melhor caminho. Essa censura tem que partir de cada um de nós que recebemos em nossas casas as imagens da televisão e que somos os formadores de opinião, portanto aumentar a frequência de utilização do controle remoto, selecionando o conteúdo e a qualidade do que vem para dentro de nossas casas, talvez seja a melhor solução.
- WALTER ABOU MURAD, biomédico, Londrina
Flamboyants
É bom captar sinais de vida inteligente nos jornais que recebo, mas as crônicas de Maria Lúcia Vitor Barbosa têm me causado uma espécie de dependência, tal a expectativa com as quais alimento minhas leituras, ainda mais com essa suavidade áspera combinando leis e flamboyants, como no último domingo. Burle Max dizia que esta exuberante árvore, vinda de Madagascar a bordo das caravelas, é que deveria ocupar nosso imaginário natalino, explodindo em cores em pleno dezembro tropical, ao invés de ridículos pínus com neve!
Sem dúvida uma inspirada idéia, mas, voltando ao texto da socióloga, partilhamos de suas intrigantes perguntas, dirigidas aos calouros de Direito, cujas respostas, pasmem, podem ser emblemáticas encontradas no mal projetado edifício do Tribunal de Pequenas Causas. Passando por lá, ou necessitando de vital instituição, note com que respeito seus gestores tratam o público, há lugares sentados para todos e as senhas de espera são duplas, uma para nós e outra para os advogados. Mas não é que alguns doutos da lei já descobriram seu talento inato à picaretagem, ao apanhar acintosamente as duas senhas? Que brilhantes advogados devem ser.
Aqui vai o meu desprezo por todos vocês, que estragam no varejo o que sonhamos no atacado. Pode ser que vamos perder essa, defendendo as árvores da cidade, um trânsito pacífico e cordial, uma paisagem menos poluída. Mas vale o aviso: o mundo é bem mais feio que o nosso, o que me obriga a concordar com a professora. Só os flamboyants fazem sentido ultimamente!
- CHRISTIAN STEAGLL-CONDÉ, arquiteto, Londrina
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