O LEITOR ESCREVE
Pedágio
O pedágio é assunto de todos, pois grande parte dos produtos que consumimos transita pelas rodovias. Recentemente, os caminhoneiros organizaram uma paralisação, com o objetivo de conseguir que suas justas reivindicações fossem atendidas. Os custos de manutenção, para quem faz uso frequente das estradas, tornaram inviável o trabalho. Uma das razões que provocaram esta elevação de custos foi a falta de uma política específica na área de combustíveis.
Para agravar ainda mais a situação, o governo do Paraná terceirizou nossas rodovias. Nossas, porque elas foram construídas com o dinheiro arrecadado dos impostos arduamente pagos por todos nós. Além disso, por incompetência do Estado, pelo mau gerenciamento do IPVA e, talvez, pela pré-intenção de ceder a franquia das principais rodovias paranaenses aos simpatizantes do governo, permitiram o sucateamento das estradas, alcançando um nível tão precário que qualquer capina, pintura de faixas e pequenos reparos teriam um custo tão alto que justificaria o pedágio para o governo, é claro.
E na citada paralisação houve agressões físicas, quando o secretário de Segurança falou em estado de direito. Mas a violência descabida contra os manifestantes provou, isso sim, o direito do Estado, calando a voz da democracia. E agora, novo aumento do pedágio!
Senhor governador: será que vamos novamente ver trabalhadores sendo espancados? Se fecharmos as praças de pedágio, finalmente serão apresentados os termos da privatização e as planilhas deste longo tempo de arrecadação? Para nós, meros mortais, resta-nos a obrigação do voto, e o ônus de um pedágio, que sequer temos o direito de contestar?
Por tratar-se de um assunto resolvido na calada da noite, dentro dos gabinetes, sem o conhecimento da sociedade, torna-se difícil que a população opine, participe das decisões, inclusive da continuidade de cobrança do pedágio, de maneira honesta e responsável.
- JOSÉ RAMATIS VARGAS HILÁRIO, eletricista, Londrina
Racismo (1)
Na semana passada li e ouvi tantos comentários sobre o tema o povo brasileiro diz não ser, mas é um povo racista, que até não me contive e ao ouvir numa emissora de rádio de Londrina, um radialista insistir tanto no tema, que liguei e dei o seguinte recado: Quanto mais você fala nisso, mais você evidencia o racismo existente no Brasil. Tenho 43 anos, sou mulata, descendente de africano e italiana e acho que os negros, crioulos e mulatos não deveriam sequer falar ou se organizar em movimentos anti-racismo. Acho um absurdo. E os brasileiros que se acham incluídos entre os de pele branca não deveriam sequer pensar em discriminar os negros.
A quase totalidade dos que aqui nasceram deveriam é dar graças a este País, por terem milagrosamente conseguido nascer, pois é o nosso País que acolheu todos os refugiados de guerras, de todas as raças e credos; que acolheu todos os condenados, assassinos e ladrões que foram jogados/abandonados aqui na nossa linda, rica, forte e poderosa terra. Se houvesse uma fortíssima união de todos brasileiros que tiverem coragem de arregaçar as mangas e trabalhar e lutar por vida digna e substituição drástica e imediata de todas as leis existentes no País, feitas por legisladores honestos e com Deus no coração, com certeza em 20 anos a nossa Nação seria a maior potência do mundo.
Todos os brasileiros que são racistas deveriam lembrar que o negro é a única raça que foi obrigada/forçada, muito contra sua vontade, a vir para o Brasil. Não está aqui de favor, muito pelo contrário, e só não é ou foi o melhor porque lhe tiraram ou não lhe deram nenhuma chance. O negro no Brasil é, isto sim, um grande herói, um vencedor. Aos racistas, desinformados e completamente alienados, resta-me apenas a piedade e a minha eterna oração.
- MARIA LUCIA VALENTIM, advogada, Londrina
Racismo (2)
A reportagem Brasil, o País mais miscigenado do mundo (Folha de domingo) nos faz refletir sobre o preconceito racial que afirmamos não ter. Dizer que o povo brasileiro é formado por 54% de brancos, é omitir um dos maiores preconceitos que as pessoas negras carregam consigo. Quando estudamos a formação do brasileiro, estudamos apenas a condição do negro como escravo no Brasil. Por que não estudarmos realmente a sua origem?
Temos que levar em consideração dois aspectos: o negro na África e o negro na condição de escravo no Brasil. O negro livre na África pôde revelar toda a sua capacidade cultural e psíquica. A agricultura praticada pelo negro era diversificada. Enquanto na Ásia, havia o exclusivismo do arroz, na Europa, do trigo, nas culturas indígenas, do milho, a agricultura do negro era diversificada. Também em relação à criação de gado, mineração, artesanato, trabalho em ferro, mostra que as condições culturais do africano eram bastante variadas e muitas vezes com níveis mais elevados que as do português. Sabe-se que para o Brasil vieram negros de diversos grupos culturais, uns de culturas primitivas, outros de culturas mais adiantadas. Muitos formados através da influência do islamismo.
Havia também povos bastante adiantados, muitos em contato com egípcios e árabes, que puderam desenvolver suas condições de cultura, atingindo alto nível de progresso. Acredito que se as pessoas que têm em sua origem genes africano, conscientizassem-se mais, valorizariam mais a exuberante diversidade genética de nosso povo e quem sabe construiríamos uma sociedade mais justa.
- APARECIDA MARIA DE OLIVEIRA, estudante, Londrina
Indignação
Parece que estamos sendo assaltados. Paguei o ITBI de meu imóvel e fui registrá-lo no cartório, mas infelizmente não pude, pois o valor era muito acima do valor do imposto. Não posso nem ao menos procurar outro, pois para cada região existe apenas um cartório. É uma grande máfia, para assim não ter concorrência. A única coisa que posso fazer é ficar indignada.
Hoje em dia é muito difícil de se adquirir um imóvel ou um pedacinho de terra e quando conseguimos somos praticamente barrados, pois para fazermos tudo dentro dos trâmites legais, que são as taxas cartorárias e todos os impostos, a situação se torna inviável e o processo fica muito difícil. E mais, é necessário registrar, pois ficar fora da lei pode haver complicações. O que fazer? Não se tem ninguém para contestar, pedir ajuda, ou denunciar, realmente é um roubo dentro da lei.
- PATRICIA GIMENES, professora de Artes, Londrina
Correção
- O vencedor da Maratona Ecológica Internacional de Curitiba, Diamantino Silveira dos Santos, é gaúcho de Carazinho (RS) e não mineiro de Poços de Caldas (MG) como informou texto da página 4 da Folha Esporte de ontem.
- Nota sobre os resultados das quartas-de-final do Campeonato Paranaense de Juniores publicada na página 3 da Folha Esportes, de ontem, contém erro. Os placares corretos são: Londrina 1 x 1 Coritiba, Malutrom 3 x 0 PSTC, Paraná 0 x 0 Portuguesa e União Bandeirante 2 x 1 Atlético.
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]





