Desafios atuais (1)
A sociedade deve estar consciente dos desafios do momento atual, deve ser participativa compartilhando das esperanças do povo, num momento em que afloram muitas insatisfações que se generalizam no País, deve manifestar-se publicamente a solidariedade e o apoio para que haja justiça social e soluções para resolver as injustiças.
O maior problema é o desemprego, que leva o desespero a um número cada vez maior de famílias. Prossegue praticamente intocável o drama da fome nas regiões do País mais castigadas pela seca, e torna-se insuportável a violência nas cidades e nos campos. Descobrem-se novas formas de corrupção, com mecanismos cada vez mais sofisticados, decorrentes de uma perigosa promiscuidade entre o público e o privado. As denúncias se multiplicam, mas poucas vezes levam à punição dos autores de grandes desvios de recursos públicos. Tudo isso corrói a credibilidade das instituições políticas.
Constata-se que a privatização de empresas estatais, embora às vezes justificável, afetou o patrimônio nacional, não trouxe os benefícios sociais anunciados nem conseguiu estancar o crescimento da dívida pública. Ao contrário, originou mais desempregos. O que ainda é mais grave, promovem saneamento de empresas com balanço deficitário, e após sanear com o dinheiro público a parte doente do patrimônio líquido, a empresa é leiloada de forma premeditada e com interesses espúrios.
Pesquisas no mundo inteiro apontam para o agravamento de nossas condições sociais e para a inaceitável e injusta divisão de renda, que tem caracterizado o Brasil. Não é, portanto, de estranhar que a pobreza é o assunto presente com tanto destaque no atual cenário nacional. As manifestações e mobilizações que acontecem no País traduzem um descontentamento crescente. Elas são sinais de alerta, devem realizar-se como expressão do legítimo uso da liberdade democrática, em clima de paz, sem nenhum apelo à violência e preservando as instituições da democracia.
- ANTONIO CARLOS DE MELO, bancário, Porecatu
Desafios atuais (2)
Esse final de milênio nos conduz a uma reflexão: será que estamos avançando no rumo certo? Temos avançado muito nesse milênio, notadamente nos últimos anos, principalmente na área científica, tecnológica e econômica. Mas infelizmente não podemos dizer o mesmo no que tange ao progresso moral e espiritual. Será que esse progresso material está sendo bom para o homem? Será que estamos preparados para lidar com tanta tecnologia? Que uso temos feito do automóvel? Ele nos trouxe muita comodidade, mas será que as emissões dos gases que saem de seus escapamentos estão sendo boas para a atmosfera?
E os aviões, outra maravilha surgida nos últimos 100 anos, mas sua evolução na versão militar trouxe benefícios para a humanidade? A energia atômica, o que fizemos dela? E a televisão está servindo para educar ou deseducar? O computador e a Internet permitem comunicação com o mundo inteiro. Mas será que com isso não estamos esquecendo de dar um ‘‘bom dia’’ ao vizinho? Ou mais atenção aos nossos familiares? Os avanços tecnológicos na agricultura foram fantásticos, mas por que então milhões de pessoas ainda passam fome? O homem chegou à Lua e ensaia vôos maiores a outros planetas, mas será que já aprendeu a respeitar o seu Planeta?
As técnicas de clonagem permitem ao homem modificar a genética e criar seres com características desejáveis. No entanto, morrem milhões de crianças de doenças facilmente curáveis. Em plena virada de milênio ainda vemos líderes religiosos a instigar o preconceito, a intolerância, o ódio e até a guerra. Mas, felizmente, o novo milênio está aí e com certeza vamos despertar para a necessidade do avanço moral e espiritual e, com isso, corrigir o grande atraso espiritual e implantar o Reino de Deus nesse planeta maravilhoso que o Criador nos presenteou. Que a luz do Cristo ilumine nossas vidas nesse novo milênio.
- SILVÉRIO DA SILVA, comerciante, Londrina
Dor do mundo
Existem coisas que devem ser compreendidas, outras não. Depende do nosso estado de comprometimento com a razão. Vivemos num mundo perfeito, onde a única imperfeição é a própria razão do homem, em considerar-se dono da verdade. Quando penso, estou longe de mim e nesse momento alguém passa fome e frio e muita gente em razão de uma consciência tardia, permanece como está, solitário com suas idéias e ações restritas à um pequeno mundo que difere do mundo maior e absoluto.
Gostaria que o leitor mastigasse o que vou determinar agora na reta da escrita, a dor do mundo. É você, governo, autoridade máxima, com tantos nomes e ao mesmo tempo tão comum quanto aquele que acredito que a inteligência própria de seu cargo está limitada, portanto alguém sem autoridade poderia estar ocupando o mesmo lugar que você e com um devido sucesso.
Você não é totalmente culpado por tanta miséria, e de tantos inocentes estarem onde estão. A ação sem a prática não é garantia de resultados. Quem sou eu para estar falando com tanta autoridade, sobre coisas que desconheço? Quem é você, que diz ser o governo e que fala sobre coisas que não julgamos necessárias, suas ações e práticas se restringem a um interesse comum, o do poder. Permita-nos, ‘‘o povo’’, o que sabe votar, com toda humildade que nos cabe abrir-lhes os olhos, não está perdido, está ausente? Cumpra seu papel pensando em primeiro lugar nas pessoas que precisam ser atendidas com dignidade.
Os homens que dizem ser líderes, mas líderes de quê? O mundo pode se curar, não com palavras, mas com vontades unidas e negociação para a paz. Esquecendo de vez os interesses mesquinhos, políticos, sociais, religiosos, raciais e o mais cruel e desprezível, a falta do interesse de viver em paz. Dissolvendo valores arcaicos, atrocíssimos, preservando pessoas com atitudes honráveis de sua raça, que hoje é ameaçada e junto com alguns animais, está em extinção. ‘‘Pela paz, somos capazes de banir a ignorância humana da face da terra’’.
- ANGELITA DE LOURDES MACHADO, pedagoga, Querência do Norte
Correção
O crédito da foto de Barbara Laffranchi, publicada na capa da Folha Gente de ontem, foi publicado equivocadamente abaixo de uma declaração da entevistada.
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]

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