O LEITOR ESCREVE
Faz me rir
O governo federal não tem limites. Divulgar mês a mês a queda da inflação, quando todos os serviços prioritários, água, luz, gás, telefone, gasolina etc., tiverem aumentos médios de 25%, é no mínimo hilário. Como entidade de classe, só nos resta pedir à população que faça uma visita ao Paraguai e adquira centenas de saquinhos de risadas, àqueles que fizeram grande sucesso na década de 80: não conseguiríamos rir o suficiente diante das declarações dos órgãos responsáveis pelo cálculo da inflação.
Dizer que a inflação está controlada, com índices próximos de zero, além de falaz, é criminoso. A gasolina começou este ano custando R$ 0,87 e hoje está na casa do R$ 1,40. Em alguns lugares, ultrapassa R$ 1,60, quase 100% de aumento. Sem falar na luz, água e gás de cozinha. Os índices zero proclamados pelo governo servem apenas para justificar a falta de indexação dos salários ou então, um salário mínimo de R$ 151,00.
- SINÉZIO SCUDELER, presidente do Sincoval, Londrina
ECA
Recentes pesquisas do Unicef e IBGE revelam que, apesar dos direitos de 14 milhões de crianças e jovens até 18 anos estarem sob ameaça no Brasil, a situação melhorou, se comparada à de dez anos atrás, quando foi criado o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Ensino fundamental universalizado, trabalho infantil decrescendo e mortalidade de recém-nascidos, idem. Ilusão é achar que tal melhoria é contínua e uniforme.
Em primeiro lugar, o óbito de bebês aumentou em bolsões de pobreza, em segundo, os poderes públicos combatem o trabalho mas fazem vista grossa à medicância infantil, em terceiro, há uma contradição gritante ao se permitir o voto de adolescentes de 16 anos e, ao mesmo tempo, isentá-los de responsabilidade se furtam, assaltam e matam. Afinal, que itens do estatuto são desrespeitados e quais devem ser repensados?
A questão da criminalidade entre adolescentes deve ser reconsiderada com urgência. Não estamos mais falando de crianças nas quais devemos concentrar esforços. Os tempos mudaram. Os jovens de hoje não são os mesmos de décadas atrás: amadurecem rápido, estão expostos a mais informações, são independentes e, cedo, revelam-se capazes de responder por seus atos. Justo seria criar mecanismos que permitissem a qualquer pessoa, a qualquer idade, reintegrar-se à sociedade, desde que provasse que é isso que quer.
Mas o estudo que o Unicef realizou baseado nos dez anos do estatuto revelou também avanços. A taxa de mortalidade infantil foi reduzida de 48 para 36% mil bebês nessa década. O desemprego aumentou de 14,6 para 17,3% na região metropolitana da capital desde o início do plano real, e o número de famílias faveladas cresceu 47%. No mais, é ter em mente que a situação das crianças brasileiras jamais vai ser a ideal enquanto persistirem a depressão dos salários, o desemprego, a falta de investimento em serviços básicos, a exploração e a impunidade. Não existe estatuto capaz de colocá-las a salvo dos nossos dramas e injustiças sociais, dos quais os pequenos são apenas o reflexo mais cruel.
- MAGNO DE AGUIAR MARANHÃO, reitor de universidade, Rio de Janeiro
Bíblia
Com relação ao notícia publicado na Folha, no dia 5 (Professor pesquisa traduções da Bíblia): não entrarei em questões doutrinárias a respeito do juízo de Deus, existência do inferno, Satanás e reencarnação; isso levaria tempo e espaço. A Bíblia é um livro por excelência que confirma suas próprias verdades, quer sejam aos homens sábios e cultos, ou ignorantes e iletrados. A Bíblia há muito tem sido fonte de questionamentos e opiniões diferentes entre os homens a respeito do seu conteúdo.
Poderia enumerar vários livros religiosos de estudiosos da Bíblia, há uma infinidade deles pelo mundo, mas diante deste fato, levanto um pergunta: por que a Bíblia é o mais questionado e contestado? No livro O sentido da vida, o conhecido escritor cristáo chinês Watchman Nee, diz: Por que tantas pessoas esforçaram-se para opôr-se à Bíblia? Por que será que os homens não se importaram com outros livros, mas se opuseram a esse? Ou então entregaram toda a sua vida por causa dele?
O professor Severino Celestino da Silva, entrevistado, diz que Deus não castiga, a Bíblia não condena o espiritismo, Jesus nunca condenou o espiritismo. Percebe-se por meio de suas idéias que ele deseja suplantar, negar e encobrir as verdades bíblicas a fim de sustentar sua crença baseada nas doutrinas da religião espírita, que ao meu parecer diante dos ensinamentos da Bíblia, é de duvidosa aceitação. Quanto à Bíblia, lembrando a palavra do apóstolo Paulo em sua carta à Timóteo: Fiel é a palavra e digna de inteira aceitação.
- MÁRCIO APARECIDO RODRIGUES, Ubiratã
Ney Braga
Se pudéssemos resumir em poucas palavras a personalidade de Ney Braga, só podemos dizer como o poeta: humano, demasiadamente humano. Convivi proximamente a Ney Braga a partir de seu segundo período de governo (1979-1983), como chefe de sua Casa Militar, quando então pude perceber a personalidade forte desse que será sempre um referencial obrigatório para explicar o processo de evolução política e social de nosso Estado.
Em primeiro lugar, o chefe de família. É de reconhecimento unânime o fato de que Ney Braga sempre cultivou com prazer o convívio familiar, um homem que passava o dia todo a tratar de problemas dos outros. Em segundo lugar, o líder político. Carismático e emotivo por índole, suas relações políticas foram sempre radicais, de dedicação integral ou então de desprezo indiferente. Por isso ele grangeou grandes amigos ou, inversamente, ferozes inimigos. Em terceiro lugar, o chefe de governo. Inteligente e criativo, sabia como ninguém manusear a máquina pública. Criou novas estruturas, dinamizou a administração, conduziu com prudência as finanças do Estado e atuava sempre como moderador de conflitos. Em quarto lugar, o homem. Mesmo saturado por uma longa carreira política, na qual o tratamento com diferentes pessoas exigia uma grande dose de paciência. Em quinto lugar, o amigo. A continuidade do convívio me fez compreender que, os fatos políticos transcendem o arbítrio dos homens. Este é o preço que todo homem público tem que pagar pelo exercício de sua liderança.
Guardo de Ney Braga a imagem do homem reservado, simples, extremamente emotivo, e considero ter sido um grande privilégio ter conhecido mais de perto sua grande personalidade, que toda a sociedade paranaense tem o dever, daqui para a frente, de admirar e cultuar. Como diz a história: vai o homem, ficam os seus feitos, que foram grandiosos, refletindo a riqueza de seu espírito. Ney Braga se fez digno de seu carisma.
- ANTÔNIO CELSO MENDES, professor, Curitiba
Correção
- Em Escolha o Filme, na Folha2 de ontem, a foto referente ao filme A Lenda do Pianista do Mar está incorreta.
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]





