Segurança
Na noite da última terça-feira, houve uma ação conjunta entre as Polícias Civil e Militar em Londrina, acompanhadas por três redes de TV. Por volta das 23h40 a blitz chegou ao Bar Valentino, produzindo cenas que lembram filmes policiais americanos. A ação ostensiva causou indignação de clientes, terminando em discussão exaltada sobre direitos e deveres. O resultado da blitz foi mostrado pelas TVs na quarta-feira, com enfoques e edições de imagem diferentes, atendendo ao estilo de cada programa. O que não ficou claro para quem assistiu ao noticiário, foi que estava havendo uma festa no bar, onde participavam adolescentes, seus pais e professores, uma bela e tranquila confraternização.
Há sim, necessidade de ações policiais no combate ao furto, roubo, tráfico e consumo de drogas, que ocorrem de maneira crescente em vários pontos de nossa cidade. No entanto, as blitze, cujo principal efeito é psicológico e passageiro, são pouco eficientes. O combate efetivo à delinquência exige paciência e principalmente, o engajamento de toda a sociedade, levando propostas e avaliações críticas às autoridades.
Em um primeiro momento, a melhor iluminação pública das áreas de risco e a ocupação efetiva de todos os módulos policiais, diga-se, com viaturas abastecidas e aptas para o desempenho das diligências, telefone e infra-estrutura para os policiais de plantão, seriam muito mais eficientes que as blitze.
Para a nova legislatura, deveríamos retomar a discussão sobre a criação de zonas azuis noturnas. A criação destas áreas de estacionamento e sua administração envolveria a prefeitura, a polícia e os estabelecimentos comerciais interessados, cabendo à prefeitura contratar os ‘‘azulões’’ e emitir os talões de estacionamento. Às empresas, caberia prover estrutura de apoio aos ‘‘azulões’’, como acesso aos sanitários, uniforme, alimentação, custeio de um telefone celular. Este funcionário, devidamente treinado, vigiaria os veículos, coibindo a ação de flanelinhas. Sempre que necessário, fariam contato direto com a polícia.
Finalmente, precisamos refletir sobre a política neoliberal que vem sendo implementada no Brasil. O povo humilde nunca esteve tão desassistido e desesperançado, muitas vezes recorrendo à delinquência para sobreviver. Quem está empregado obriga-se a mostrar serviço para preservar a vaga, ou para chamar a atenção às suas más condições de trabalho ou a seus salários injustos. Injustos como nosso fim de festa na última terça-feira.
- VALDOMIRO JOSÉ CHAMMÉ, empresário, Londrina
Edificante
Em meio a tanta barbárie denunciada nos jornais, assalto, violência, assassinatos, corrupção etc., a desesperança paira em nosso olhar, ao lermos sobre tais assuntos. No entanto, existem artigos que, por mais simples que seja a mensagem trazida por eles, conseguem elevar, de forma esplêndida e não-comum, os nossos pensamentos a Deus, com tamanha perseverança, além de fazer com que ‘‘esses problemas mundanos’’ sofram um quase total desapego de nossa parte. Assim foi como eu me senti ao ler a coluna do jornalista Walmor Macarini, na edição do dia 9 que, com um dom quase shakesperiano, ele conseguiu atingir a fundo os nossos mais intocáveis sentimentos de abnegação do real, do material e de tudo aquilo que provém da nulidade humana.
No início do artigo, ele diz que há leitores que lhe pedem para abandonar os escritos sobre o cotidiano, alegando que ‘‘esse tipo de publicação’’ é comum ao meio jornalístico e aborrecem, devido ao excesso de veiculação e pelo conteúdo abordado. Assim, poderá dedicar-se maciçamente à sua ‘‘linha mais edificante e confortadora’’. Concordo. Quem possui esse dom magnífico de falar das coisas da alma deveria, sim, preferi-lo às coisas do mundo carnal, ainda que estas últimas denunciem a mesma competência de quem as escreve. Só me resta dizer parabéns.
- RITA DE CÁSSIA SIMÕES MARTELINI, estudante, Londrina
Reforma
Quando falamos em reforma na política, parece que as alterações vão ser substanciais. Na verdade, poderíamos qualificar o projeto em tramite no Senado como um reforma eleitoral. Os assuntos que estão em discussão são os mecanismos e formalidades através dos quais conduzirão os parlamentares a seus cargos. Aspectos em discussão: financiamento público de campanha.
A forma hoje vigente é o financiamento privado, ou seja, os recursos destinados a custear as campanhas são obtidos através dos partidos políticos na iniciativa privada. Muito se critica esta fórmula pois os financiadores irão cobrar dos políticos eleitos as beneficias do governo com o intuito de recuperar o investimento. A dificuldade estará na fiscalização. Como vantagem este novo método de arrecadação de fundos tornaria a disputa mais igual, acabando com a grande vantagem que os partidos de centro direita obtém.
Cláusula de barreira de acesso aos pequenos partidos ao horário gratuito de rádio e TV. Nesta nova proposição apenas os partidos com mais de 5% de representantes no Congresso poderiam ter acesso gratuito ao tempo no rádio e na TV. Desta forma apenas 8 partidos, dos 33 com registro definitivo no TRE, teriam espaço PFL, PSDB, PPB, PMDB, PTB, PL, PT e PDT.
Um dos aspectos levantados sobre a fidelidade partidária seria a obrigatoriedade de se votar de acordo com a determinação dos partidos, o que causaria o fim da pluralidade de manifestação. ‘‘Os políticos brasileiros optaram sempre por um sistema eleitoral que tende a enfraquecer os partidos’’ (Scott Mainwaring).
Outro tipo de controle que se intenta fazer é a fidelidade de se permanecer no partido que se elegeu. Este quesito talvez seja normatizado, mas com certeza permitirão algum tipo de concessão, como por exemplo permitir que se mude de legenda um ano antes de novas eleições. A possibilidade dos partidos ou coligações eleitorais poderem apresentar candidatos até uma vez e meia o número de cadeiras existentes fortalece o individualismo frente a união partidária. Todo tipo de financiamento de campanha vai gerar controvérsias.
- FERNANDO MARREY FERREIRA, advogado, São Paulo
História
Parabenizamos o trabalho da Folha pelo empenho na pesquisa e qualidade da reportagem publicada no último domingo, dia 5, abordando o esforço dispendido no Paraná e Santa Catarina para a preservação da memória ferroviária. A divulgação das ações implementadas até aqui serve como conclamação para que outros aficcionados pelo trem se engajem nesse empreitada para que peças, documentos, móveis, fotos, veículos sobre trilhos e outras marcas vivas da contribuição da ferrovia no desenvolvimento econômico e social do país sejam preservadas. Nossos filhos e netos com certeza terão o provilégio de usufruir dos testemhunhos dessa importante história do trem.
- PAULO CARREIRO FERRAZ, engenheiro da RFFSA, Curitiba
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]

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