Cidadania
Surpresa agradável ao saber que ainda tem gente consciente nesse mundo. Indignado com o aumento abusivo que os próprios vereadores incorporaram aos seus ‘‘salários’’, um pequeno comerciante da cidade mineira de Araguari resolveu propor ação popular para tentar anular o ato vexatório e lesivo da vereança aos cofres públicos. Depois de oito meses de tramitação do processo pelos tribunais, o Supremo Tribunal Federal (STF) foi acionado e comunicou sua decisão definitiva e irrecorrível: considerou ilegal o ato dos vereadores e obrigou os 17 algozes do dinheiro público a devolver aos cofres do município a quantia de R$ 50 mil.
A ação popular movida pelo herói de Araguari é um instrumento de defesa do patrimônio público, de titularidade exclusiva de qualquer cidadão, não existe cobrança de taxas, despesas ou honorários de advogados, é gratuita. Para acioná-la em juízo, basta existirem indícios de desvio do dinheiro público, construções de obras desnecessárias, prejuízos ao meio ambiente e falta de moralidade administrativa em atos praticados por servidores públicos. Parabéns ao pequeno comerciante de Araguari. Que a sua atitude sirva de exemplo e desperte em cada um de nós a alma grande dos heróis, não a dos Silvérios, mas a dos Tiradentes.
- ANTONIO NEVES DE AZEVEDO, engenheiro, Santa Cruz do Monte Castelo
Espetáculo
Na última sexta-feira, dia 3, aconteceu um espetáculo ímpar no Ouro Verde. O teatro estava tão lotado, em cima e em baixo, que quem chegou em cima da hora teve de sentar nos degraus do palco. A apresentação da Cia. de Dança do Ventre de Renata Lobo e da Cia. de Dança Flamenca de Cristina Pedroso foi além de toda a expectativa. Renata Lobo apresentou um espetáculo coeso e maduro, completo, que percorria a beleza da dança oriental desde o Antigo Egito à Dança das Velas, até a modernidade. As danças folclóricas, principalmente a Dança da Espada, com as bailarinas do curso de Maringá, foram leves, graciosas, picantes na medida certa.
O grupo de Londrina expressou toda a alegria e paixão das danças da corte e do ritmado Derbac. E as crianças Miriam, Carol e Paulinha se apresentaram sem qualquer tatibitati engraçadinho: eram pequenas dançarinas, responsáveis e espontâneas. Renata Lobo é um caso à parte: única, encanta não só pela sua beleza, mas pelo ritmo do seu corpo, pela clareza expressiva dos seus gestos, pela economia sábia dos arabescos de seus pés, pela magia rara de sua arte. O Baile Flamenco de Cristina Pedroso marcou-se pela força do sapateado, dos passos precisos e hieráticos, da postura soberba. Toda a sensualidade e brujeria do flamenco estavam no palco, envoltas por um belo e sugestivo cenário e por um figurino perfeito. Foi um espetáculo único, que não ficou nada a dever ao de qualquer grande centro e que, sem dúvida, merece ser reencenado para que muito mais gente possa assisti-lo e se deslumbrar.
- ELENA ANDREI, professora, Londrina
Tanatofobia
Nós, seres humanos, não gostamos de pensar na morte. Tentamos esquecer, a todo custo, sua iminência e sua inevitabilidade. Eleny Vassão, capelã do Hospital das Clínicas de São Paulo, expressou muito bem essa nossa tendência. ‘‘Gostaríamos de reduzir a morte às estatísticas. Números frios, porcentagens, gráficos. Gostaríamos de confinar a morte ao hospital, necrotério, cemitério. Gostaríamos de superar a morte com vacinas e remédios, técnicas e conhecimento’’, disse. Assusta-nos saber que, um dia, haveremos de encará-la.
O reverendo Júlio Andrade Ferreira brilhantemente definiu a morte como ‘‘nada tão certa, quando vista estatisticamente, nada mais incerta, quando se quer, em imaginação, antecipar a sua chegada. Nada tão alheia quando contemplamos um cadáver, nada tão pessoal, quando se trata da morte de cada qual’’.
Jesus é o remédio que nos sara da ‘‘tanatofobia’’, ou seja, nos cura do medo da morte. Se o Mestre nos ensina a vivermos melhor com Ele, pois esta vida que hoje vivemos é passageira, como escreveu o salmista: ‘‘Quanto ao homem, os seus dias são como a relva.’’ Mas Jesus afirmou: ‘‘Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá eternamente.’’ O apóstolo Paulo declarou que os salvos, isto é, os que crerem, estarão ‘‘para sempre com o Senhor’’. Você deseja viver sem medo de morrer? Deseja viver bem para morrer da melhor maneira possível? Então receba a Cristo como Salvador e reconheça-O como Senhor e seja liberto de todo medo, para poder afirmar, como o mesmo apóstolo Paulo: ‘‘Porquanto, para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro.’’
- OSLEI NASCIMENTO, reverendo, Londrina
Novos municípios
Na eleição para prefeitos neste ano de 2000, existem 52 municípios a mais que no ano de 1996. Foram eleitos naquele ano, 5.507 prefeitos. Com a incorporação das novas estruturas públicas, aumentam-se os gastos públicos com as novas prefeituras, câmaras de vereadores e outros organismos estaduais e federais necessários ao funcionamento, pela exigência legal estabelecida.
Quanto às receitas públicas, não há praticamente aumentos, uma vez que partilha o mesmo bolo tributário para mais elementos do conjunto, mas ocorre sim, aumento do gasto público no estado brasileiro.
No entanto, cria-se oportunidade de novos empregos e investimentos públicos gerando renda ao setor privado na construção civil, pavimentação, prestação de serviços terceirizados e outros.
Ocorre porém, que nos recém-criados pequenos municípios, geralmente pobres financeiramente, surge fato inusitado, isto é, a satisfação da população ao sentirem separados do ‘‘município mãe’’ e com autonomia gerencial, começa ceder lugar ao aborrecimento com a crise do déficit público e a consequente falta do atendimento na área social.
Com orientação do Congresso e das Assembléias Legislativas, detentores da aprovação das novas estruturas públicas, passam a ter responsabilidades no êxito ou no fracasso, da distribuição de renda e do padrão de vida dos cidadãos contribuintes. Desta forma, parece plausível a criação de um Conselho Político Integrado, entre Congresso, Assembléias Legislativas e Câmaras de Vereadores. Por analogia, os novos prefeitos poderiam instituir um conselho político com a participação das entidades de classe nas decisões dos projetos a serem executados pela prefeitura.
O grupo de pessoas escolhidas ajudará no gerenciamento orçamentário a exemplo de um conselho de administração em organismos públicos correlatos. Neste caso, os recursos orçamentários escassos, passariam a ser utilizados com mais eficácia e racionalidade, dentro dos objetivos estipulados pela própria sociedade, quando da escolha do prefeito eleito, acatando as propostas por ele apresentadas.
Assim sendo, a competência do prefeito, passaria ter suporte na qualificação administrativa com o apoio do conselho de notáveis dividindo com ele, a responsabilidade na aplicação e gerenciamento do orçamento municipal.
- ISMAEL MOLOGNI, economista, Londrina
Correção
- O IGP-DI de setembro, calculado pela Fundação Getúlio Vargas, ficou em 0,69%, e não 1,09%, como foi publicado na coluna Indicadores Econômicos da Folha Economia.
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]

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