Agentes
A mídia recebeu e difundiu rapidamente a denúncia de que presos da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL) foram espancados por agentes penitenciários. O furor aumentou com a inédita visita do deputado federal Padre Roque. Na sua primeiríssima visita à PEL, o ilustre deputado Padre Roque não teve tempo hábil de perceber que em nenhuma outra unidade penal do País o direito do preso é tão respeitado como nesta. E para tanto colaboram agentes, técnicos e direção. Em nenhum lugar do País o preso recebe suco de cenoura nos dias de calor. Nem recebe refeição com a variedade de carnes, legumes e verduras que aqui se vê. O cardápio é elaborado por nutricionista e a quantidade é farta, a ponto de ser necessário retirar duas vezes por semana quatro barris de comida jogada fora pelos presos, apenas para se manter o direito do preso de comer o quanto quiser.
Nesta unidade o preso tem à sua disposição dois médicos, três enfermeiros, três psicólogos, três assistentes sociais, um dentista, quatro advogados e um psiquiatra. Isto para uma população de 360 indivíduos. Há enfermeiro de plantão 24 horas e médico, se necessário, chega à unidade em pouco tempo. Medicamentos são distribuídos à medida das solicitações e disponibilidade de estoque. Em quase todos os cubículos os presos têm televisão, em todos há rádios e é permitido que os internos tenham a quantidade de roupa e comida que quiserem.
Nesta primeira visita do deputado faltou-lhe tempo para ver que a relação entre agentes e presos é amistosa. Também escapou ao nobre deputado que os presos que estão denunciando espancamento têm um histórico de liderança em rebeliões em outras unidades, que no dia do suposto espancamento foram encontrados em seus cubículos nove grandes estoques, que os mesmos preparavam uma rebelião justamente para aquele dia, que tais presos denunciantes vivem ameaçando e agredindo outros presos e que justamente por isso estão afastados do convívio com a maioria da massa carcerária.
O que não é compreensível é que o deputado afirme, em frente às câmeras de TV, que houve desrespeito aos direitos dos presos. Neste particular o deputado desrespeitou o princípio da presunção da inocência, direito individual e cláusula pétrea da constituição. Aqui o padre arrogou-se o papel de acusador e juiz, condenando os agentes sem que houvesse o devido processo legal. Os agentes penitenciários dessa unidade não são os brutamontes que se possa imaginar. Todos foram aprovados em rigoroso concurso público, têm o 2º grau completo e muitos são formados ou formandos em cursos superiores.
Aponta-se a seguir motivos para que não ocorram espancamento nesta unidade. Rebelião: por muito menos que espancamento os presos já se rebelaram e fizeram reféns, conforme noticiado pela imprensa. Revide: o agente penitenciário fica 24 horas seguidas dentro da unidade, o que gera infinitas oportunidades ao preso espancado de acertar o agente com um estoque. Processos: a agressão aos presos resulta em processo administrativo, inquérito policial e processo judicial contra os agentes. CDH: os agentes respeitam e entendem necessária a existência de uma Comissão de Direitos Humanos. Infelizmente no caso presente, o CDH está equivocado e beneficiando presos que querem pôr a cadeia sob seu jugo. Consciência: todos os agentes têm a consciência de que o seu papel é custodiar os presos e não impor-lhes penas extras pelos seus crimes.
Por fim, o nobre deputado perdeu a oportunidade de perguntar se todos os outros 350 presos desejam a volta desses oito ou dez ao convívio com a massa carcerária. É uma pena que o deputado, em sua primeira visita à PEL, tenha perdido tantas oportunidades de conhecer a realidade prisional, preferindo ouvir uma meia dúzia de presos que teve seus planos de rebelião frustrados pelos agentes penitenciários, fato que, com certeza, garantiu os direitos humanos dos demais.
- ADALTON KOSCOSQUI, representante dos agentes da PEL, Londrina
Qualidade de vida
Londrina não pode nem deve adormecer mais sobre o sonho das conquistas do passado. Necessita, fundamentada no que já foi construído, desenvolver um novo parâmetro de qualidade de vida. Comecemos pela limpeza e conservação de nossas ruas, praças e terrenos vazios, estabeleçamos como paradigma ímpar, o saneamento do Igapó, proibindo, coibindo e punindo toda forma agressiva àquela fonte de lazer e de oxigenação em nossa cidade. Invistamos na saúde pública de forma muito prática e que pode até não render votos: ligação de esgotos na periferia e bairros que não o possuam, estaremos investindo na saúde pública, pois as doenças que estremecem as estruturas do HU e outros hospitais seriam diminuídas em até 20%, pois casas com fossas em fundo de quintal ou água não tratada, são chamariz para variadas doenças.
Que exista uma guarda noturna municipalizada, segurança. Cortes drásticos nos ‘‘compadres e comadres de plantão’’, que fazem da prefeitura e outros órgãos, cabides de emprego, com a manutenção somente daqueles que trabalham e imprescindíveis. E para embelezar a cidade e propiciar a ela as nuances de um novo tempo, que uma escavadeira arranque o Cadeião da Sergipe de onde está, e uma motoniveladora plaine aquele local e que surja uma praça ajardinada, não trazendo mais, aos ares da cidade, a lembrança de tanta coisa ruim que por lá aconteceu.
- LUIZ EDGARD BUENO, escritor, Londrina
Eleições
Parabéns ao povo, à cidade e ao novo prefeito de Londrina. O povo mostrou maturidade e responsabilidade política ao dizer ‘‘não’’ à demagogia, à apelação, à falta de ética. Que Deus abençôe e ilumine Nedson Micheleti para que ele seja o prefeito que todos esperam e merecem. Em 2002 teremos eleições para presidente da República e em 2004 novamente para as prefeituras. É com o trabalho de hoje que se ganha a eleição de amanhã.
- MARIA APARECIDA MARQUES LINCK, aposentada, Londrina
Correção
- Ao contrário do que sugerem o título e a chamada de primeira página na edição de domingo, o Estado do Paraná quer manter o nepotismo no Tribunal de Contas e não barrá-lo, razão pela qual a Procuradoria-Geral do Estado (PGE) tenta levar ao Supremo Tribunal Federal decisão sobre a lei criada em 1985 e que permitiu a autoridades do TC empregar parentes e amigos com altos salários.
- Bloco inicial da chamada da primeira página de ontem relativa ao título ‘‘Paraná vence e garante vaga’’ contém erro. O correto é ‘‘um torcedor ficou ferido com um tiro na perna durante briga de torcidas nas proximidades do Couto Pereira’’
- A Folha errou ao indicar, na página 1 de Folha Gente de ontem, que o escritor Gabriel Garcia Marquez morreu. A indicação está sob a reprodução de um texto atribuído a ele que circula na Internet.
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]

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