Impunidade
Os veículos de comunicação têm cobrado incessantemente a conclusão de processos judiciais, mormente nos casos de lesão aos cofres públicos, de consumidores, de contribuintes, enfim, casos rumorosos que agrediram a moralidade média do brasileiro. Louvável preocupação ou sacralização da coisa
pública e da ética. Evidentemente que nós, advogados, mais que ninguém, sabemos do estouro da notícia apenas no início dos processos, ou seja, se dá ampla divulgação ao fato, inicialmente, sem dar a necessária sequência ou abordar reais desdobramentos em nível técnico.
Se por um lado é benfazejo, há outro que, inegavelmente, é fator de desinformação. Muitos confundem, ultimamente, absolvição com impunidade, o mesmo ocorrendo com a prescrição. Absolvição é decorrência de exame de todo um processo estando no Código de Processo Penal, art. 386.
Prescrição é extinção da ação pelo decurso de determinado tempo sem que o processo termine. Aqui, pela ‘teoria da expiação moral’, o legislador entendeu que somente o fato de uma pessoa ficar respondendo um processo por ‘tanto tempo’ indo ao fórum, buscando provas, constituindo e mantendo advogado, angustiada enfim com o próprio processo e tensa expectativa, já seria uma espécie de punição rigorosa.
Não podemos concordar com o argumento indigente de que é uma das causas da impunidade o fato de o acusado constituir bons advogados, segundo alguns veículos de comunicação. Ora, o Estado tem bons juízes e agentes do Ministério Público, e ainda, caso haja necessidade, pode o outro lado constituir também advogado de igual quilate para funcionar como assistentes de acusação.
- ELIAS MATTAR ASSAD, Curitiba
Desrespeito
É triste, é lamentável. Mesmo quando se procura fazer um trabalho digno, tendo o mínimo de consideração com as pessoas, o reconhecimento, não que por obrigação, mas por respeito, não aparece. Ainda no Rio de Janeiro, durante minha formação profissional, quando bem cedo andava pela cidade em direção ao hospital trajando roupa branca, a dúvida por muitos já era evidente: Será um passista da escola de samba voltando de um ensaio? Será um ‘pai de santo’ voltando de uma sessão? Ou será um ‘bicheiro’ levando naquela maleta as marcações para a féria do dia?
É verdade. Minha profissão a cada ano que passa parece que cai no descrédito, não que não existam maus profissionais na área de Saúde, como em outras, mas que culpa nos é atribuída se pacientes são jogados em macas e cadeiras de hospitais por falta de leitos? Se planos de Saúde cada vez mais gananciosos tentam sugar o sangue de seus clientes e no momento da remuneração dos médicos nos tratam com descaso.
Mas juramos, não juramos? Com certeza continuarei a prestar atendimento tentando dar, além da minha qualificação profissional, um pouco de atenção e carinho que sempre desmedi. Não deixem que, mesmo não querendo, me torne frio, seco e distante dos sentimentos de quem está com dor. Para isso existe uma palavra que deve ser lembrada e sempre colocada em prática: Respeito.
- LUDOVICO PIERI NETO, médico em Londrina
Elogio a Francis
Outro dia, aqui na Folha, a colunista e socióloga Maria Lúcia Victor Barbosa teceu elogios ao pranteado Paulo Francis. Todos nós gostávamos dele. Eu mesmo comentei ‘N’ vezes seus artigos, mas nunca aceitei suas agressões pessoais, sua insistência em ridicularizar o Lula e José Sarney que, se Francis não reconhecia como excelente escritor, aí estão leitores da França e da China que gostaram de seus livros, de modo especial ‘O Dono do Mar’, obra-prima, mormente para quem conhece o Golfão Maranhense. Certamente Francis abominaria o livro porque do Brasil ele só conhecia os bares de Ipanema.
Discordo de Maria Lúcia Barbosa em parte. Francis faz falta quando defende a cultura, demonstra amor ao estudo (à leitura), mas não deixou a menor saudade quando nos avacalha como povo, diminui o Brasil como nação e desmoraliza a maior parte dos jornalistas (esculhambados por ele, mas o adoravam. Complexo de incultura, mea culpa por ‘não lerem nada’, segundo Francis? ) Por que a mesma imprensa que ele tanto ridicularizava o amava tanto? Medo do bicho-papão, do chumbo grosso desse mito?
Foi pena Francis ter partido sem ter vivido no Brasil dos anos 90. Ele foi cruel com Lula, cuja história de vida e de luta (Não sou PT) é merecedora de respeito de todos os brasileiros. Não aceito, obviamente, os elogios incondicionais de Maria Barbosa a Francis, que abusou tantas vezes da sua pena para enxovalhar brasileiros ilustres. Quase tudo para ele era mer...... Salvo ele. Não é do meu costume mudar de opinião por que a pessoa morreu. Francis há muito não era mais jornalista, sim ‘ficcionista’ e ‘panfletário’. Ambos com muito talento.
- JORGE BALEEIRO DE LACERDA, Francisco Beltrão
Salário felicidade
A Bíblia registra que Deus, ao expulsar Adão e Eva do Paraíso, disse: ‘Ganharás o teu pão com o suor do teu rosto.’ Quer dizer: trabalhar é castigo imposto por Deus ao homem porque este lhe desobedeceu. E durante séculos assim foi entendida a necessidade que nós, pobres seres humanos, temos. Ou seja: ou trabalhamos ou não comemos. Será que o trabalho tem de ser engolido inevitavelmente como castigo divino? Será que a relação empresário/funcionário é uma simples troca? À medida que novas conquistas sociais são alcançadas, à medida que a psicologia e outras ciências avançam no entendimento do ser humano mais se entende que o principal objetivo
do homem é a busca da felicidade.
Temos que rever com urgência o melhor entendimento do que é trabalho. Cada vez mais estamos aprendendo que, além do dinheiro, cabe ao empresário outro encargo a ser aceito e cumprido: o salário-felicidade. E isso estará ainda de acordo com as leis mais modernas de mercado, onde a tônica maior é a competitividade, num mundo cada vez mais globalizado e, portanto, com distâncias menores. Não é o sucesso do empresário que faz a felicidade do empregado, mas a felicidade do empregado faz o sucesso do empresário. Hoje sabemos que o trabalho é usado na cura da esquizofrenia, de toxicômanos e de alcoólatras. Se os presos nas penitenciárias tivessem trabalho teriam mais chance de recuperação. Todos conhecem casos de pessoas que, após se aposentar, tornam-se deslocados e pessoas-problema, o que não eram enquanto trabalhavam.
- GILCLÉR REGINA, Maringá

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