O LEITOR ESCREVE
Política e futebol
O resultado das eleições municipais propiciou aos políticos e a muitos simpatizantes um misto de sambódromo e cemitério. Alegria dos que ganharam e choradeira daqueles que por displicência ou por acomodação foram apeados dos seus pedestais.
Porém, o mais curioso de tudo é podermos, como simples eleitores, constatar através da televisão e dos jornais a justificativa dos perdedores. Estes, PSDB, PFL e PMDB, tentam tapar o sol com a peneira não reconhecendo o fato de um simples PT ter se agigantado perante os donos do poder.
Enquanto alguns alardeiam a quantidade de prefeituras que fizeram por este Brasil, outros dizem que em número de votos ainda continuam na frente e assim por diante, cada qual procurando minimizar sua justificável derrota. Como eleitor, também gostaria de fazer minhas conjecturas, associando a política ao futebol.
A Inglaterra, inventora deste esporte tão conhecido e praticado no mundo inteiro, foi bicampeã do mundo. A Itália, com seu futebol milionário alcançou o tricampeonato, e o Brasil, para nosso orgulho foi tetracampeão. A glória no futebol estava consagrada a estes países.
De repente, surgem a Nigéria, Camarões e Japão assombrando todo mundo e colocando em polvorosa os donos do futebol.
Na política, como no futebol, acontece a mesma coisa.
Os vulgos donos do país sentam-se em seus tronos, mas, como sentam-se de costas, não enxergam o que acontece ao redor.
Na política, a verdadeira alternativa para os grandes partidos não é ficar chorando o leite derramado ou procurando justificativas inaceitáveis.
Procurem descer de seus tronos, ou pelo menos virar a cadeira para mirar os olhos do povo, talvez assim perceberão que o avanço do Camarões, ou seja, o PT não é tão ameaçador.
- WELLINGTON AMARAL SAMPAIO, Londrina
Tempos modernos
Os habitantes das grandes cidades vivem de modo frenético e agitado, com a agenda lotada de compromissos, além da concorrência de outros que lhes querem arrebatar um naco do mercado. Não sobra tempo nem mesmo para as mais elementares necessidades do ser humano, como a de se alimentar...
Em contraposição, devemos viver de modo diferente: procurarmos preservar velhos hábitos e resistir à pressa e aos costumes padronizados da vida moderna. Hoje em dia, o grande problema das grandes cidades modernas é a segurança: assassinatos, sequestros, suicídios, roubos em grande escala.
Vemos uma cruel realidade de nossa civilização: a infância, como fase natural da vida humana, está desaparecendo. Já não vemos as crianças brincarem de roda ou jogarem bolinhas de gude. As inocentes brincadeiras das crianças vão sendo substituídas por cenas de meninas de 4 ou 5 anos dançando com gingados eróticos sobre o gargalo de uma garrafa, ou por jogos violentos entre os meninos.
Várias causas têm sido levantadas para explicar o preocupante desaparecimento da natural fronteira entre a infância e a idade adulta. Entretanto, a mais nociva delas tem sido a televisão, que despeja dentro dos lares os piores quadros de violência e degradação, nos mais variados horários. Hoje, por ação da TV, qualquer criança sabe mais sobre sexo, violência e aberrações do que um adulto de um passado não tão remoto. Tudo isso acarreta distorções afetivas, psíquicas e emocionais, fruto dessa perversa iniciação precoce. Até agora não se efetuou uma ação enérgica e decidida de nossas autoridades para combater tais desmandos.
Não devemos ser jamais anacrônicos e sim ponderados, devemos ter um espírito de discernimento, e perceber a face torpe do modernismo, separar o trigo do joio, eliminar de nossas vidas o que é nocivo e enriquecê-las com que é inofensivo. Neste estilo teremos uma sociedade mais civilizada e salutar, a capacidade de raciocínio é o grande diferencial entre nós e os animais irracionais, aliás, é a essência da semelhança com nosso criador.
- ANTÔNIO CARLOS DE MELO, bancário, Porecatu
Religião
Com relação ao artigo publicado na Folha no último dia 2, Os sacerdotes na política, de Walmor Macarini, aproveito a oportunidade para tecer algumas considerações que julgo oportunas, a respeito do conceito de Igreja, não para polemizar, mas apenas para apresentar uma visão diferente do tema. Como cristão-católico, entendo Igreja como reunião de pessoas batizadas que professam a mesma fé, baseada nos ensinamentos deixados por Cristo, ensinamentos estes transmitidos de geração em geração, há 2000 anos, seguidos por uma hierarquia, constituída pelo papa, bispos e padres, que é responsável pela preservação e difusão desta doutrina. Sendo santa por ter sido fundada por Deus, é também pecadora por ser formada por homens. Daí as imperfeições que aparecem e as quais o artigo se referiu. Entretanto, é preciso reconhecer os imensos benefícios trazidos pela igreja à sociedade.
Universidades, hospitais, instituições de caridade, assim como o exemplo de vida dado por grande número de fiéis, que afogaram o mal com a abundância de bem, é empobrecer a história. Reconheço que existem pessoas que, desconhecendo a doutrina, difundem medo e inverdades, explorando a inocência e a generosidade do ser humano, iludindo-o e aterrorizando-o, mostrando um Deus rancoroso, vingador, ávido em aplicar castigos.
Mas nós, católicos e muitos dos cristãos nossos irmãos, apesar de algumas diferenças doutrinárias, acreditamos em um Deus que é Pai, está sempre disposto a nos perdoar e nos quer felizes. É claro que para entender, e propagar estes ensinamentos, além de muito estudo, são necessárias muita humildade, disposição e vida interior, para nos colocarmos a serviço do Senhor. Exemplo disso são os apóstolos, que vivendo apenas três anos junto ao Mestre, levaram sua mensagem aos quatro cantos do mundo.
Nossa fé nos leva a acreditar que um dia seremos um só povo, com um só pastor, podendo viver plenamente o mandamento amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo.
- FRANCISCO LUIZ GALLI, agropecuarista, Londrina
Mulheres na construção
Em atenção à matéria publicada na Folha, no dia 26 de outubro, Mulheres aprendem a assentar azulejo, como trabalhador na área da construção civil e dirigente sindical, convivi com esta situação e sempre foi minha postura, a defesa da mulher trabalhadora neste setor, não somente para fazer serviços de limpeza, mas para desempenhar as diversas atividades profissionais para as quais apresentam grande capacidade e habilidade.
Mas sempre nos deparamos com o excessivo preconceito por parte das construtoras para que estas venham contratar mais mão-de-obra feminina, dando oportunidades para que venham receber o devido treinamento pelos próprios companheiros dentro dos canteiros de obras.
- DOMINGOS OLIVEIRA DAVIDE, secretário de imprensa do Sintracon, Curitiba
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