Imprensa
Democraticamente, discordo da opinião do professor Clóvis Duarte que nesta seção, no dia 1º, referiu-se aos meios de comunicação como uma dádiva dos céus, para libertar um povo sofrido e injustiçado das garras de governos incompetentes e truculentos. Não é bem assim. A imprensa tem por obrigação cumprir o seu papel de informar bem e de maneira imparcial. Porém devemos lembrar que a imprensa teve seus dias de ‘‘castigo’’, como no tempo da ditadura militar, quando foi cerceada de informar dados e fatos, sem que os mesmos passassem pelo crivo do DIP, DOPS e outros artifícios do governo militar.
Para mim, a indignação social foi o marco fundamental para que nós, indivíduos, nos tornássemos pessoas com o livre arbítrio de expressão. Hoje, esse livre arbítrio se faz presente nas urnas, elegendo partidos e candidatos para nos representar. Candidatos estes que se não tiverem conduta honesta e de interesse do povo, serão retirados da mesma forma que foram colocados, pelo voto das urnas.
Vale lembrar que a imprensa séria e que referenda a vontade do povo, com certeza terá os louros da vitória e com certeza continuará a exercer o seu papel, porém com a satisfação do seu dever cumprido.
- PAULO CÉSAR FERRARI, Curitiba
Combustíveis
Tenho acompanhado com interesse as notícias a respeito da questão dos combustíveis em Londrina. Tal assunto já é um problema nacional. Quero expressar meu contentamento pelo movimento de alguns empresários do setor, presididos por Ariovaldo Ferraz Arruda, que se organizaram para aferir a qualidade dos combustíveis vendidos na nossa região.
Como consumidor, apelo para que todos os empresários londrinenses busquem maneiras de contribuir para que o povo brasileiro seja respeitado nos seus direitos e para que todo brasileiro seja tratado como cidadão de primeira categoria.
- ÉBER FERREIRA SILVEIRA LIMA, professor, Londrina
Fumo (1)
É lamentável a hipocrisia e o descaso instalado neste País, relativamente aos malefícios do cigarro. É droga. Mata. Sirva-se. Permissão, descaso e omissão do governo, aliados as propagandas em massa por parte dos fabricantes, levam milhões de brasileiros a tornarem-se dependentes – vítimas – do fumo, levando-os à morte. Advertem: ‘‘Fumar é prejudicial à saúde’’, ‘‘fumar provoca infarto do coração’’, ‘‘fumar causa impotência sexual’’, ‘‘crianças começam a fumar ao verem adultos fumando’’.
Entretanto, mesmo cientes dos malefícios ocasionados pelo cigarro, têm uma conduta permissiva em relação à sua comercialização. Por quê? Parece-nos que o cigarro é droga, tal qual a cocaína, a heroína, a maconha, o LSD, com duas diferenças básicas: é sociável e gera tributos, é rentável. Mas a que preço? A vida. É um crime, sutil à primeira vista, mas, retirada a venda dos olhos, um crime hediondo. Os malefícios todo mundo já conhece: é que o de cima enriquece e o debaixo morre.
Por que esperar a morte para se tomar uma providência? Tem-se que combater este mal imediatamente. São muito receptivas as primeiras decisões judiciais tomadas no intuito de responsabilizar os fabricantes de cigarro, ordenando-lhes o custeio do tratamento médico e indenizações às vítimas, nós.
Não só os fabricantes devem ser responsabilizados, mas também a União, indenizando não só os que estão à beira da morte ou parentes da vítima, como também aqueles que são dependentes e não conseguem abandonar o vício sem acompanhamento médico e psicológico, mediante custeio do tratamento e indenização pelos males sofridos, danos materiais e morais. A indenização tem amparo na Constituição Federal e no Código de Defesa do Consumidor.
- ADHEMAR DE OLIVEIRA E SILVA FILHO, advogado, Londrina
Fumo (2)
Duas comissões do senado reuniram-se para ouvir experts acerca dos projetos que restringem ou vedam a propaganda de cigarros. Em torno dos malefícios do fumo, não houve dissenso. Sobre a propaganda, houve quem lembrasse que a Constituição permite que se imponham restrições pontuais, mas não que seja proibida, quem aplaudisse a idéia de ser empurrada para horas tardias, quando as crianças estão dormindo, e lugares só frequentados por quem já é fumante.
Houve quem se lembrasse que, se o Estado permite a fabricação e a venda e, com isto, arrecada tributos aos bilhões, não é lícito nem lógico que proíba a propaganda; houve quem cobrasse do governo que inclua o cigarro e as bebidas alcóolicas, porque dela também se tratava, entre os entorpecentes, se quiser dar consequências coerentes à constatação de que fazem tanto mal à saúde e à vida humana; e houve quem dissesse, lembrando a lei seca dos EUA, que proibir é estimular o consumo. Para o ‘‘governo’’, porém, deixar a cômoda posição de ‘‘gigolô’’ do fumo e da bebida é impensável. E, se é assim, nada feito.
- ALCINDO NOLETO RODRIGUES, juiz aposentado, Brasília
Reforma agrária
É claro que a reforma agrária foi um fracasso em matéria de produção. Portanto, também em matéria social, pois que melhora social pode ter quem está condenado a viver num assentamento de miséria? Há muita gente iludida, achando que a reforma agrária é feita de fato para produzir e ajudar o agricultor pobre. O fracasso econômico e social dos assentamentos é perceptível através dos acontecimentos que observamos através da imprensa. Mas a reforma agrária prosseguiu. Como explicar isso, a não ser pelo fato de que a reforma agrária não é feita em função da produção nem do bem-estar social do agricultor, mas sim com objetivos outros, de índole ideológico-igualitária?
O ex-presidente do Incra, atual deputado federal Francisco Graziano Neto, doutor em economia agrícola, denunciou o fracasso da reforma agrária. Esse fracasso foi sendo evidenciado através de sucessivos ‘‘planos’’ com diferentes nomes, agora, a palavra de ordem é descentralização. O marxista João Pedro Stedile declara: ‘‘Nós nos demos conta que só a terra e o crédito não resolvem.’’ E é claro que não resolvem, pois a reforma agrária socialista é um processo completamente antinatural. Não se pode continuar dando um sítio, um trator e um monte de dinheiro para o contemplado fazer o que quiser; é melhor criar empregos e garantir a compra da produção.
Desvios de verbas, venda de terras pagas pelos contribuintes e desperdício em investimentos atingem bilhões a fundo perdido. Agora, mais denúncias pela televisão sobre cobranças de ‘‘taxas’’ dos assentados pelo ‘‘MST’’, com depoimentos absurdos dos agricultores lesados, onde diziam que: ‘‘Quando não tinham dinheiro, levavam a produção.’’ O MST cada vez mais rico e os pequenos agricultores cada vez mais pobres. O MST é apenas um movimento político que quer tomar pela força os meios de produção e o poder.
- ANTONIO CARLOS DE MELO, bancário, Porecatu
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]

mockup