Finados
Nesta época do ano, somos levados inevitavelmente a uma reflexão sobre o nosso fim. O Dia de Finados chega e com ele vem a lembrança maior de que somos seres destinados ao encontro com a morte. Os cemitérios lotados não nos deixam esquecer que estamos sempre muito próximos da falência.
Diante da grandeza do mistério, competentes filósofos, estudiosos diversos, poetas e outros insatisfeitos realizaram as mais apuradas análises sem que surgissem esclarecimentos definitivos.
A verdade é que todos passaremos, depois do último fôlego. Só não sabemos quando. Os que nos antecederam também não sabiam e agora estão lá, na outra margem da existência. Nós que ficamos, como se achássemos alguma justificativa, dizemos ‘‘ninguém morre antes da hora’’. Será? As crianças fuziladas em meio aos combates entre israelenses e palestinos morreram por que chegou a hora? E as vítimas da fome, nas periferias do mundo? Como ficam os que foram assassinados por engano?
As perguntas poderiam se multiplicar, já que as situações fatais são tantas. Quanto mais questionarmos, tanto mais mergulharemos no desconhecido. Inútil querer descortinar essa sala escura, se a luz que possuímos é insuficiente para clareá-la. Se nos falta o entendimento, resta-nos vivermos com serenidade. Do contrário, estaríamos permitindo que a angústia encurtasse ainda mais o nosso limitado tempo.
O máximo que podemos fazer, enquanto viventes mortais, é procurar formas de diminuir as oportunidades da morte distribuir seus abraços. Mas como fazer isso?
Eliminar os conflitos sociais, construir oportunidades de vida para todos, fundamentar os ideais humanos nos princípios da fraternidade e da solidariedade não impediria o desfecho de nossas vidas, mas também teríamos mais garantias de que ninguém morreria por antecipação.
- PAULO CÉSAR BASÍLIO, professor, Pinhão
Lixão
Hoje começa o prazo de interdição do lixão de Rolândia. O lixão, mais dia, menos dia, vai parar de receber lixo, mas vai continuar existindo. Nada foi feito até hoje para controlar os gases, o chorume, o mau cheiro, as moscas e a fumaça. Tudo isso continuará existindo no lixão enquanto não houver vontade da administração em assumir sua responsabilidade e a população se manter distante do problema. Acabar com o lixão, independentemente da conclusão de um aterro sanitário, exige verba disponível e um projeto técnico competente e responsável.
Um aterro foi construído em área de risco, onde são ameaçados os recursos hídricos do município. O projeto do aterro sanitário de Rolândia não vem sendo cumprido e condições de manutenção e operação do aterro não são garantidas. Rolândia corre o perigo de ter que continuar a conviver com o lixão atual e em breve, ter mais um lixão, mais mananciais contaminados e mais meio ambiente agredido.
Na questão lixo, a atual administração de Rolândia não tem nada para se vangloriar. A futura administração de Rolândia terá, no assunto lixo, problemas muito sérios a enfrentar: o lixão, mesmo desativado, continua sendo lixão com toda a sua contaminção, o aterro, dito ‘‘sanitário’’ em área crítica será constante ponto de conflito e a população despreparada continuará sujando irresponsavelmente o município.
Perspectivas desanimadoras quando se espera para Rolândia o melhor negócio do milênio, aquele que mais empregos traz, o turismo, o grande potencial de Rolândia que poderá não se tornar realidade.
Os administradores têm que levar mais a sério a população e a situação local.
- DANIEL STEIDLE, administrador rural, Rolândia
Eleições
Quem está preocupado com os remanescentes dos tempos em que aqui tudo era floresta? Dos seres que restaram, repare nos pardais. Eles são insistentes, e como se eleitores fossem, estão por todos os lugares. Isentos de Certidão de Nascimento, RG, INSS, CPF, IPTU voam livres e sem salários sustentam a si e seus descendentes... Quem os governa?
Repare nos pardais, se não há árvores disponíveis, constroem seus ninhos nos semáforos da CMTU. Presentes durante todas as estações climáticas, deslocam-se rapidamente via aérea, livres do tráfego, multas, assaltos, poluição sonora, livres da hora.
Esses privilegiados londrinenses, olham para nós apressados bípedes implumes que no dia 29, véspera de segunda-feira, elegemos um novo cidadão para governar Londrina. Apesar da ansiedade, não haverá milagres, apenas novidades para saciar emoções e expectativas, que o tempo apagará das memórias ambulantes, as quais, já na quarta-feira cinza cairão nas mesmices de sempre, conformadas em assistir aos shows dos políticos a nos ‘‘governar’’.
E os pardais? Bem, eles continuarão com suas revoadas vespertinas e matinais. Esses simpáticos pássaros... Quem os governa?
- OSÉAS PEÇANHA NASCIMENTO, Londrina
Apoio político
Por diversas vezes utilizei este espaço democrático, que a Folha de Londrina disponibiliza aos seus leitores e cidadãos em geral, para me manifestar sobre assuntos diversos. Embora eu seja padre, católico, eu nunca me manifestei como tal porque não vejo necessidade nisto. Nos meus documentos o meu nome é Romão Antonio.... ‘‘Padre’’ designa o meu ministério, a minha condição religiosa, mas não a minha cidadania.
Escrevo isto para responder à carta de Márcia Amaro Portela, publicada nesta seção ontem. Na incapacidade de discutir idéias, ela fez insinuação ridícula de âmbito pessoal pelo fato de eu não assinar ‘‘padre’’ antes do meu nome. Saiba a querida estudante que o meu sacerdócio está na minha pessoa e não no meu nome, e onde quer que eu vá ele vai junto. Eu tenho brio moral suficiente para me apresentar onde quer que seja com dignidade, contanto que me identifique civilmente, e no mais não preciso dar satisfação a ninguém, muito menos a quem de forma prepotente e mesquinha se utiliza da Bíblia para querer ratificar sua ideologia particular. Cuidado com isto Márcia. Lá no Oriente Médio estão se matando por terem absolutizado ‘‘suas’’ verdades, e em nome de Deus, o que é pior. Seja capaz de perceber que a verdade que você acha que achou vai bem mais longe.
Um estudo profundo da Bíblia requer muitos e muitos anos de dedicação exclusiva a ela, além de ter que aprender outras línguas e até geografia e geologia. A sabedoria de um cristão, seja ele católico ou evangélico, se mede pela humildade com que ele trata a palavra de Deus. Por isso, é um grave um desrespeito ao Santo Livro querer ‘‘comprar’’ brigas em nome dele, e muito menos fazer insinuações levianas partindo para o campo pessoal, como você tem feito. E lembre-se: quando você disser o que não deve, se prepare para ouvir (ou ler) o que não quer. E ponto final.
- ROMÃO ANTONIO MARTINS, Londrina
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]

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