Novo perfil
O Brasil inteiro, principalmente Londrina, amanheceu segunda-feira, dia 30 de outubro, com um novo perfil.
O brasileiro mostrou por diversos aspectos, que está mais politizado, mais maduro e disposto a não mais aceitar passivamente os absurdos que têm acontecido pelo nosso País afora. De um modo geral, o brasileiro gritou bem alto que exige transparência dos nossos representantes.
O eleitor não olhou para partidos nem para siglas que nada representam. Procurou representantes que colocassem o bem da sociedade acima de seus interesses pessoais.
O tempo dos coronéis chegou ao fim, e o mesmo vem ocorrendo com o tempo das máquinas do governo. Quem acompanha as TVs Senado e Câmara, pode observar com nitidez, que existem diversos tipos de representantes, porém dois se destacam dos demais: ‘‘aqueles que se apresentam para trabalhar’’ e ‘‘aqueles que trabalham para aparecer’’.
Graças à capacidade tecnológica de alguns brasileiros e à vontade de alguns parlamentares, as imagens do Senado e da Câmara podem chegar até nós, permitindo para 2002 uma nova chance de renovação, como esta que aconteceu nas eleições municipais.
O Brasil inteiro está respirando com novas esperanças e com a firme determinação de que a ‘‘corrupção’’ e o ‘‘jeitinho’’ sejam extirpados de uma vez por todas.
Ajudemos os novos governantes e rezemos por eles, pois irão encontrar muitos obstáculos pelo caminho, entre eles a dificuldade para colocar em ordem tudo que estava errado e, principalmente, colocar no seu devido lugar aqueles que não têm capacidade de viver sem o poder.
Parabéns Brasil e parabéns Londrina.
- WELLINGTON AMARAL SAMPAIO, Londrina
Imprensa
É nossa obrigação e dever parabenizar a grande vitoriosa nestas eleições. Não foram os partidos de oposição. Não foram coligações partidárias. Não foram idéias revolucionárias de bem gerir a coisa pública. Aliás, nem a tivemos. Não foram anos de espera de trabalho ‘‘formiguinha’’, como quer supor o PT. Não foi a empatia dos candidatos eleitos. Tampouco foi o voto de protesto como querem fazer crer alguns cientistas políticos. Não foi a ingerência da igreja unida em torno de seu candidato preferido.
A grande vencedora nessas eleições não saiu à cata de votos, gastando sola de sapato, como alardeia os vitoriosos. A grande vencedora não subiu em palanques com bandas e duplas sertanejas. Não abraçou nem beijou pessoas humildes. A grande vencedora não iniciou o seu trabalho três meses antes das eleições. A grande vencedora mostrou mais uma vez a sua força, seu grande poder em mudar o status quo de administrações improbas.
A grande vencedora foi inquestionavelmente a imprensa. Foi a comunicação de massa. Foi o jornal, o rádio, a televisão. Houvessem os meios de comunicação sido omissos na divulgação dos escândalos administrativos como os de Londrina, Maringá, Ponta Grossa, São Paulo, Rio Branco, etc., e fatalmente a oposição estaria mais uma vez, amargando vexatória derrota.
Parabéns aos veículos de comunicção que cumpriram sua obrigação de bem informar e, consequentemente, mudar o rumo das eleições.
- CLOVIS DUARTE, professor, Londrina
Pizza
É triste de ver o governador Jaime Lerner comemorando no palanque, com o prefeito reeleito Cassio Taniguchi. Para quem nem foi citado como aliado durante a campanha, devido a possíveis irregularidades, o governador mostra que está aproveitando da situação para tirar o pé da lama.
No governo de Lerner tem tantas coisas mal resolvidas, que o governador deveria ficar quieto no seu canto, até a névoa escura da sua má administração passar. Se começar a aparecer, vão se lembrar das ‘‘coisitas escuras’’, pendentes no seu mundo administrativo.
Quanto ao Cassio, pode suspirar aliviado, pois seus eleitores são fortes e assimilarão bem, mais 4 anos de boas cacetadas. Fica a dúvida se os da oposição vão aguentar, acho que não! A oposição tem por obrigação não esperar, mostrar para a população todos os erros no momento do acontecimento dos mesmos.
Aos curitibanos só falta a infeliz reeleição do Lerner, ou um de seus bem mandados do PFL, aí sim, a pizza fica bem recheada, bonita e apetitosa. A conta da pizza eles não precisam se preocupar, pois quem pagará é a população mais humilde, como sempre .
- PAULO CÉSAR FERREIRA, técnico em telecomunicações, Curitiba
Apoio político
Para qualquer católico consciente, tem sido terrível observar a atuação de alguns sacerdores e religiosos em questões políticas. É incrível como pessoas que talvez estivessem melhor em palanques, assumindo de vez suas vocações político-partidárias, confundem evangelização com formatação de opiniões e não tem a menor ética no trato com seus fiéis.
Nesta seção, no dia 28 de outubro, o padre Romão Antônio Martins, que aliás não se assume no jornal como padre, deu uma demonstração do quanto vai precisar, juntamente com todos os sacerdotes e religiososo citados por mim na carta do dia 26 de outubro, evoluir em sensatez e fidelidade à igreja e à palavra de Deus. Mas, como cristã, devo afirmar que todos necessitamos de evolução e estou disposta a ajudar a todos nisso.
O Pe. Romão deixou de observar, talvez de propósito, ou deturpou uma série de aspectos da minha carta. Eu deixei bem claro que é fundamental a atuação da igreja em questões políticas, apoiando totalmente, como sempre fiz, a militância contra a corrupção, a má distribuição de terras, o desrespeito aos bems públicos e tantas outras atuações da nossa igreja. Acredito que fui bem clara ao expor o que eu critico: o apoio explícito em meios de comunicação em massa a um único candidato ou partido, bem como a manifestação destes apoios em missas ou qualquer coisa que envolva o espaço das igrejas, fato este que também ocorreu em Londrina e resultou na exclusão de muitos católicos que discordavam partidariamente dos padres.
Não tenho objetivo de criticar destrutivamente a ninguém, mas tenho a vontade de que minhas palavras, fundamentadas na palavra de Deus, ajudem a edificar melhores consciências dentro da igreja. O Pe. Romão sequer me conhece tão bem para afirmar se entendo ou não de Bíblia, religião ou qualquer outro assunto, e devo dizer que sua atitude agressiva não combina com o bom sacerdócio.
Enfim, enquanto o padre prefere a deturpação, a agressividade e citações de Karl Marx, eu prefiro me manter firme na defesa da consciência cristã e da verdade de que Cristo não veio ao mundo para ser um dominador civil.
Sou tão ou mais contra os ‘‘vampiros do poder público’’ que o padre e, afinal, será que ‘‘política de avestruz’’ não seria omitir, quando convém, aquilo que deveria ser o maior compromisso da vida de um religioso: o próprio sacerdócio?
- MÁRCIA PORTELA AMARO, estudante, Londrina
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