Racismo
Difícil imaginar tema tão espinhoso para um professor da educação básica quanto o racismo na sociedade brasileira. Alvo das mais diferentes abordagens, isso sempre foi clamorosamente ignorado em nossas salas de aula, justamente o primeiro espaço onde se deveria estimular um debate que convidasse à reflexão. Porém, para professores despreparados, lidar com essa diversidade pode ser mais difícil do que imaginamos.
Contudo, a palavra segregação está longe de poder ser monopolizada por qualquer raça. Há vários motivos, sim, para que ela pese muitos mais nos ombros dos que têm ascendência negra.
O Brasil literalmente sequestrou 4 milhões de africanos em sua terra natal. Quando o desatino terminou, não houve qualquer providência por parte do Estado para integrá-los à sociedade.
Não adianta nos atermos ao passado. O grande problema agora, é que moradia, saúde, trabalho e educação de qualidade já não são garantidos a ninguém. A pobreza já não é monopólio de raça alguma.
Não sem razão, movimentos negros queixam-se de que a história de sua raça não é contada nas escolas. Eles estão certos. O respeito à identidade cultural e o conhecimento sobre a trajetória de seu povo, desde a vinda da África até nossos dias, teria o efeito salutar de fazer com que os próprios negros, em primeiro lugar, valorizassem a si mesmos como personagens da história e também capazes de assumir a responsabilidade por seus rumos.
- MAGNO DE AGUIAR MARANHÃO, reitor de universidade, Rio de Janeiro
Pobreza
O presidente FHC, em visita à Holanda disse: ‘‘Eu gostaria que tivesse havido diminuição e não aumento da pobreza’’ e que ‘‘houve uma pequena diminuição na renda da população’’. Ele atribui tudo isso à crise do passado (a desvalorização do real). FHC ainda fez declarações sobre a diminuição de renda e aumento da pobreza. Ao declarar que isto, FHC se engana a si mesmo, pois o assunto, além de sobre um dado econômico, é também um dado de ordem social e política que interfere direta e indiretamente na população, gerando graves crises de cunho social.
O governo deve voltar sua atenção e ações visando a geração de recursos no sentido de aumentar os investimentos na área social, amenizando assim o crescimento da pobreza e da violência, as quais crescem a taxas alarmantes. A globalização já é uma realidade, e definitivamente já está exigindo dos governantes uma nova dimensão social, onde todos devem buscar parcerias, a fim de participar ativamente do processo mundial. O Brasil, como país emergente deve fazer parte desta parceria, para assim tentar resolver em parte problemas sociais gerados pelas más administrações públicas.
- PEDRO BATISTA MARTINAZZO, estudante, Cascavel
Creci
No início do mês participei da instalação da 3ª Sessão Plenária do Creci da 6ª Região do Paraná, terceira deste ano e primeira da gestão 2000/2003. Foi empossado, na sua presidência, o londrinense Alfredo Luiz Garcia Lopes Canezin. O fato é inédito, pois não se tem registro na história do Creci de que um londrinense tenha efetivamente conquistado a presidência desse órgão. Canezin é altamente experiente no ramo imobiliário, tendo sido conselheiro do Creci em várias gestões, delegado regional, cujas qualidades o qualificam e o habilitam ao cargo conquistado.
Constitui, também, orgulho para mim e para todos os corretores, o fato de que o antecessor de Canezin, João Teodoro da Silva, londrinense por adoção, tenha conquistado o cargo de presidente do Conselho Federal dos Corretores de Imóveis (Cofeci), com sede em Brasília. O incansável trabalho desenvolvido por Teodoro em quase uma década em que ficou à frente do Creci-PR., resultou na posição de primeiro lugar que hoje esse órgão desfruta comparado com os demais Conselhos Regionais existentes no País.
Portanto, parabenizo os novos dirigentes do Creci-PR., e do Cofeci, desejando-lhes os mais sinceros votos de feliz e profícua gestão, pedindo a Deus que os ilumine nessas árduas funções.
- JUVALDIR BILHÃO, corretor de imóveis, Londrina
Salário mínimo
O Brasil, mais uma vez, caminha na contramão da história. As propostas do governo federal em tributar os fundos de pensão como forma de compensar o reajuste do salário mínimo, terão um efeito em longo prazo que resultaria num ‘‘tiro saindo pela culatra’’, como se diz popularmente. O governo pretende tributar as entidades fechadas de previdência privada, taxando suas aplicações financeiras como forma de criar recursos para aumentar o salário mínimo.
O que surpreende é a parcialidade com que o governo trata esta questão. As empresas de previdência aberta, ligadas a bancos ou grupos financeiros, são regidas pelas mesmas leis e obrigações. No entanto, estão isentas do recolhimento de tributos. Fica então a pergunta: por que apenas as entidades não ligadas a bancos devem pagar os tributos? Na medida em que os fundos de pensão são taxados, a tendência é que venham a migrar seus ativos para os fundos de entidades abertas em busca da isenção.
A expectativa era que o governo federal cumprisse suas tarefas básicas, ou seja, fiscalizar a atuação das empresas de previdência – tanto abertas como fechadas – e regulamentar, de maneira isenta, as questões de natureza técnica. A decisão do presidente Fernando Henrique em elevar o salário mínimo a índices superiores aos 5,57% previstos no Orçamento para 2001 é sem dúvida louvável. Mas, suas consequências podem ser gravíssimas para o País. Taxar os fundos de pensão é abrir um precedente cuja dimensão só o futuro dirá. E então, poderá ser muito tarde.
- RENÉ RUSCHEL, economista, Curitiba
Correção A legenda correta do quadro esquerdo da notícia ‘‘Londrina em várias perspectivas’’, publicada na sexta-feira na página 5 da Folha2, é: ‘‘Contemporâneo’’, de Lourdes Zanetti Paiva.
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