Voto consciente
Uma vez as árvores resolveram procurar um rei para elas. Então disseram à Oliveira: ‘‘Seja nosso rei.’’ A Oliveira respondeu: ‘‘Para governar vocês, eu teria de parar de dar o meu azeite, usado para honrar os deuses e os seres humanos.’’ Aí as árvores pediram à Figueira: ‘‘Venha ser o nosso rei.’’ Mas a Figueira respondeu: ‘‘Para governar vocês, eu teria de parar de dar os meus figos tão doces.’’ Então as árvores disseram à Parreira: ‘‘Venha ser o nosso rei.’’ Mas a Parreira respondeu: ‘‘Para governar vocês eu teria de parar de dar o meu vinho, que alegra os deuses e os seres humanos.’’ Aí todas as árvores pediram ao Espinheiro: ‘‘Venha ser o nosso rei.’’ E o Espinheiro respondeu: ‘‘Se vocês querem mesmo me fazer o seu rei, venham e fiquem debaixo de minha sombra. Se vocês não fizerem isso, sairá fogo do Espinheiro e queimará os cedros do Líbano.’’
Esta parábola da Bíblia chama a nossa atenção para o momento singular que estamos vivendo. As eleições de 2000 têm sido um marco na história da Nação brasileira. Muitos espinheiros têm-se levantado, mas, graças a Deus, as Oliveiras, as Figueiras e as Parreiras não têm sido omissas. O quadro político neste segundo turno nas capitais e grandes cidades brasileiras apontam uma grande vontade de mudança. Londrina, mantendo sua tradição de dizer não aos desmandos e ao coronelismo, coloca uma opção para o eleitor neste domingo. Igualmente Maringá e Curitiba estão agora com uma oportunidade nas mãos de serem administradas por um governo que priorize a inclusão dos excluídos.
Chegou o momento da decisão. Não devemos nos omitir e permitir, novamente, que o Espinheiro reine. Converse com os familiares e vizinhos e ajude a desbancar o reinado do Espinheiro. Vamos construir um Brasil melhor. ‘‘Quando os justos se engrandecem, o povo se alegra, mas quando o ímpio domina, o povo geme.’’
- JOSÉ DEVANIR DE OLIVEIRA, fiscal do INSS, Londrina
Vereadores
Venho pensando há dias na frase ‘‘cada cidadão tem o governo que merece’’, e me perguntando: ‘‘Até quando Londrina irá pagar pelas escolhas que fez? Refiro-me neste momento, especialmente à Câmara de Vereadores, que não mais nos surpreende, porque aprendemos durante estes quatro anos a conhecê-la, mas que nos causa indignação e revolta.
Expresso os sentimentos de londrinenses que no exercício retomado de cidadania procuram seus ‘‘representantes’’ porque são eles que têm nas mãos os destinos da nossa cidade. E infelizmente o que encontram são vereadores amarrados nos pés de suas cadeiras, com visão limitada, conseguindo enxergar no máximo o que está dentro das quatro paredes da Câmara.
Não posso deixar de citar, especificamente, o incidente ocorrido nesta última terça-feira, do lado externo da Câmara, depois da votação da matéria que doou o espaço ao lado do estacionamento da Câmara para a construção do prédio do Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Estavam ali famílias londrinenses com seus filhos, que depois de acompanharem a sessão foram surpreendidos pelo vereador Jacy Aguiar, que aos gritos dizia: ‘‘Eu queria ver a cara de vocês se construíssem ali um conjunto habitacional.’’ Ele continuou gritando, na tentativa de provocar e humilhar, já que devia estar sentindo-se orgulhoso com o resultado da votação, até que o tirassem dali.
Tentamos, depois disso, convencer nossos filhos que ali estavam, que este vereador não representava os demais, que suas atitudes já tinham sido reprovadas com o resultado das urnas, e que este não era o perfil desejado de um vereador.
Enfim, que Deus nos dê muita força, coragem e paciência para não desanimarmos frente aos obstáculos criados por indivíduos que fingem nos representar, mas que representam no máximo seus próprios interesses.
Os homens precisam alargar os seus horizontes, pensar nas consequências de seus atos, e agir com responsabilidade e ética para transformarem suas cidades em espaços de vida.
- CLARICE RUFATTO TAVARES, psicóloga, Londrina
Justiça eleitoral
Não entendemos o tamanho do poder de força de Jaime Lerner dentro e fora dos limites como chefe do Executivo do governo do Paraná. Dissemos Executivo, apesar de sabermos que seus poderes extrapolam essa determinação legal alcançando seus afilhados na direção de outros poderes. Fato demonstrado claramente, a qualquer cidadão, sobre seus atos em prol a eleição de Cassio Taniguchi em Curitiba. Em jantar com diretores da rede estadual de ensino, no dia 20, pago por não sei quem, na Churrascaria Nova Estrela, onde Lerner, com seu candidato a tiracolo, disse em alto e bom som que não poderia entregar a cidade de Curitiba, ‘‘que ele construiu’’, a qualquer um que se apresentasse. Tudo o que aconteceu ali dentro, a imprensa, que está nos pés desse governo, não divulgou. E muito menos o TRE, que logicamente ficou sabendo e não tomou conhecimento.
Por aí se vê que existem dois Estados dentro do Paraná. No Norte, o eleitor parece estar mais bem politizado e caminhando com a Justiça, enquanto no Sul grande parte ainda continua encabrestada pelo poder dos coronéis.
Fosse pensando em Nação/Estado/município/povo, não sonegariam impostos e emitiriam notas fiscais sobre todos os produtos que produzem. Nunca trabalhariam com apenas 50% como é de praxe para formar o caixa 2. A coisa funciona dessa forma e o País, estados e municípios nunca arrecadarão o suficiente para dar melhor educação ao seu povo.
São destes as capitanias hereditárias. Bastaria que o presidente do TRE do Paraná não fizesse vista grossa e aplicasse tudo o que diz a lei eleitoral contra o declarado abuso do poder econômico, como também o uso da máquina do Estado em benefício de seu candidato. Afinal, o povo não sustenta um tribunal somente para enfeite e para que mais esse poder constituído não deva mais do que está devendo ao descrédito popular, é preciso que o mesmo tome uma atitude, mesmo que tardia, contra esses atos do governador do Paraná e de seus secretários.
- JOSÉ CARLOS SIMIONI, advogado, Ribeirão Claro
Violência
Estou revoltado com este Código Penal Brasileiro e com os parlamentares deste País, que não tomam providência e não assumem a responsabilidade para sancionar leis mais fortes contra assassinos. Refiro-me ao casal-monstro que violentou a filha de 3 anos que chocou o Brasil todo. Ele foram presos em flagrante. Foi chocante aquela cena filmada pela mãe que não teve compaixão da filha que pedia para ser salva. O que fazer com esse casal? Fazer o mesmo, a mesma cena com eles, ou amarrar e levá-los para a mata, para que no meio dos leões e bichos selvagens, serem devorados? Aqui em Jacarezinho, o pai que esfaqueou o filho até a morte, que gritava por socorro, e a mulher, mãe do garoto, que vinha em socorro do filho, está preso. Daqui a três ou quatro meses, vai aparecer um ‘‘advogado de porta de cadeia’’ louco por dinheiro alegando loucura ou problemas mentais do assassino e estará fora da prisão. Este é o Código Penal Brasileiro.
- SEBASTIÃO PANEGUINI, aposentado, Jacarezinho
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