O leitor escreve
O LEITOR ESCREVE
Por Cristian, justiça
Há exatamente um ano, 12 de julho de 1996, teve início a tragédia que levou à morte meu amado filho Cristian. Ninguém consegue avaliar o que significa perder um filho, no auge da juventude, com apenas 19 anos de vida, cheio de entusiasmo, amor, sonhos, enfim, cheio de vida. Ninguém conseguirá imaginar a dor de perder esse filho, assassinado por ação de barbarismo de dois covardes que, irresponsavelmente e sem medir consequências, no interior da Lanchonete Carol, saíram atirando, acertassem em quem acertassem. Provavelmente para eles isso não importava. O importante, por certo, seria provar que eram valentes. Nesse momento aconteceu a tragédia.
Quanta tristeza, dor, sofrimento, saudade. Saudade de ouvir a voz de Cristian. Saudades de falar com Cristian. Tristeza de ver Cristian prostrado em seu leito de UTI, em estado vegetativo, sem poder, sequer, expressar seu sofrimento. Luta dos médicos, do pessoal da enfermagem, da direção do hospital, dos amigos, da família. Luta heróica de Cristian, pela vida. Luta que durou 9 meses e cinco dias. Na triste data de 17 de abril de 1996, Cristian não mais resistiu a tanto sofrimento e faleceu. Tristeza imensurável. Com Cristian foram minha alegria, minha vida, minha família. Jamais serão as mesmas.
E o que foi feito dos assassinos? Estão por aí, passeando, se divertindo, impunes. Eu, mãe de Cristian (o mais velho dos dois que tive), minha família e amigos, imensamente entristecidos, clamamos por Justiça. Pedimos que os assassinos de Cristian sejam exemplarmente punidos e excluídos da sociedade, para que outras pessoas não venham a ser vítimas da sua agressividade, pois quem não tem equilíbrio para viver em sociedade deve ser excluído dela. Pedimos justiça à Justiça.
- NADIR DE MEDEIROS PEREIRA, Londrina
Reformas
As reformas imprescindíveis para o futuro do Brasil são o tema permanente da mídia nacional. Toneladas de papel e tinta, horas e horas de TV e rádio são gastas sem que o omisso Congresso Nacional as realize. Não aceito os pruridos do empresariado brasileiro, que se agita, fala blá, blá, blá, faz piquete no Congresso, sem algo concreto. Será que eles querem realmente a aprovação das reformas? Acho que não. Vejamos: O que viabiliza os partidos políticos e as campanhas eleitorais? A resposta é óbvia: Dinheiro. Quem fornece os recursos? Os políticos profissionais de carteirinha, presentes em todas as eleições, para as quais já fazem campanha durante o mandato que desempenham preparando o outro de antemão? Lógico que não. Todos são incapazes de botar a mão no bolso para tão vultosa despesa. E de onde vem essa enxurrada de dinheiro? Ressalvadas as falcatruas nos órgãos do governo - sustentados por nós, eleitores - vem do empresariado brasileiro, alguns de multinacionais.
Se os empresários vierem a público e declarar que não fornecerão mais recursos para sustentar partidos políticos nem financiar campanhas de nenhum candidato, sem aprovação das reformas prometidas pelo programa de Fernando Henrique Cardoso, escolhido pelo povo ao elegê-lo com esmagadora maioria, tenho certeza que ditas reformas seriam aprovadas na íntegra, sem emendas. Eles aceitam o desafio? Querem reforma? Demonstrem que são melhores do que os políticos que têm patrocinado e nós, povo, temos sustentado.
- FRANCISCO BRUNO, Londrina
Crise brasileira
Para os mais otimistas a coisa vai ficar em torno desses pequenos movimentos dos sem-terra. Para os mais pessimistas vão aparecer os sem-teto, os desempregados, que somados aos sem-terra irão ocupar as repartições públicas, saquear lojas e supermercados. Haverá uma mexicanização, pois o dólar está subavaliado e a balança comercial de pagamentos vem acumulando, por vários meses subsequentes, déficit expressivo. Fala-se, ainda, numa maxidesvalorização cambial para facilitar as exportações. Contudo, se isso não acontecer comprometerá o plano Real, mas se não for feito continuará o problema na balança comercial de pagamentos. Como podemos observar a situação é de xeque-mate. Se ficar o bicho come, se correr o bicho pega.
Quando se diz que a classe média na Argentina, que antes se alimentava da mais tenra carne bovina, e hoje come churrasco de carne de gato na periferia de Buenos Aires, quer-se, na verdade, mostrar o que vem por aí. Este modelo econômico perverso, que já é realidade na Argentina, caminha a passos largos e se instala definitivamente no Brasil e na América Latina.
- JOÃO AMBRÓZIO DE OLIVEIRA, Londrina
Desigualdades sociais
Parabenizamos o gesto do delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial de Londrina, Leonyl Ribeiro, por definir critérios para a cobertura da imprensa, com relação a abusos em que muitas vezes alguns repórteres obrigam meliantes a prestar declaração. Já estava na hora disto acontecer. Conforme a Associação Nacional dos Jornalistas, artigos 2º e 3º do seu Código de Ética, cabe ao jornalista apurar e publicar a verdade dos fatos de interesse público, não admitindo que sobre eles prevaleçam quaisquer interesses. Na grande maioria os acusados são pessoas violentadas socialmente. São pressionados por uma situação social: vêem uma distribuição injusta de renda, crimes de poderosos, do colarinho branco, que não são punidos, e eles não têm emprego, não têm chance no mundo. Eles se sentem violentados por não ver para onde canalizar sua agressividade natural de forma benéfica, produtiva, então pegam uma arma e, no desespero, assaltam. Não é fazendo apologia dessa violência que nossa sociedade vai recuperar o indivíduo que a violenta.
- JUAREZ REZENDE ARAÚJO, Londrina
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