Flexibilização
O Sindicato Patronal do Comércio Varejista de Londrina e Região, de posse da cópia da fita onde os candidatos a prefeito declaram que impedirão a abertura do comércio aos sábados às 13 horas, faz saber que o comércio de Londrina obteve na Justiça o direito de trabalhar aos sábados à tarde em razão do mandado de segurança nº384/98, impetrado perante a 4ª Vara Civil de Londrina. Durante dois anos, este sindicato aguardou na Justiça o direito à isonomia, uma vez que as lojas Pernambucanas e Riachuelo já vinham atendendo até as 18 horas aos sábados.
Sendo assim, tecnicamente, o futuro prefeito não poderá determinar a volta do antigo horário, a não ser por interpelação judicial. Vale lembrar que a sentença não obriga ninguém a abrir em horário diferenciado, só abre quem quer e os funcionários nunca trabalharão além das 44 horas semanais.
Até quando Londrina ficará amargando os prejuízos causados por vereadores populistas? Veja o que ocorreu durante o Pré-Olímpico. Mesmo com a rede hoteleira completa, o comércio não conseguiu autorização para funcionar uma hora a mais.
O que nos alegra, e por outro lado nos deixa triste, é a expressão repetidamente usada pelos candidatos: ‘‘Justiça para todos’’. No entanto, como a prefeitura conseguirá fechar todas as lojas que vêm trabalhando em Londrina? Veja o exemplo do Supermercado Municipal Sangri-lá, que trabalha aos sábados a tarde e domingo até o meio-dia. Se for mantida esta posição, a prefeitura terá que fechar o próprio mercado municipal, bem como os shoppings. Será que os senhores candidatos já acordaram para o número de patrulhamento fiscal que precisarão para estatizar o horário de todo o comércio até as 13 horas aos sábados?
Por estas razões, solicitamos que a posição dos candidatos seja revista. Impedir o processo de flexibilização é retroceder na história e continuar decretando o fechamento de mais estabelecimentos comerciais.
- SINÉSIO SCUDELER, presidente do Sincoval, Londrina
Horário eleitoral
No dia da votação do primeiro turno, relembro que por pouco não fui expulso do colégio onde voto, simplesmente por estar vestindo uma camiseta de um determinado candidato a vereador. O fiscal disse-me que se não afastasse do colégio ele chamaria a polícia, pois segundo informou, a Justiça Eleitoral proibia a utilização de camisas de candidatos dentro do local de votações.
Ora, já que a Justiça Eleitoral coibia a utilização de uma simples camiseta, como pode aceitar que o programa do candidato de oposição ao PT de Maringá possa vir ao ar e transmitir uma programa de baixíssimo nível, chegando a ofender a honra e a dignidade do petista José Cláudio? Onde está a Justiça Eleitoral, pois está dando vergonha assistir ao programa gratuito. Sinceramente, meu ouvido não é penico para ouvir tamanha falta de respeito conosco, o povo. Isso só demonstra a falta de capacidade e o despreparo de candidatos que não conseguem se conter diante de uma visível derrota. Como uma pessoa que não consegue se controlar diante de uma dificuldade poderá comandar uma cidade inteira? Peço à Justiça Eleitoral que ajude a manter o mínimo de dignidade nos programas eleitorais gratuitos, proibindo ofensas pessoais e descabidas como temos presenciado diariamente.
- EDJAN BALDO DE CARVALHO, Maringá
Educação
Atualmente, move-se mundos e fundos para que o ensino fundamental seja universalizado e as crianças permaneçam na escola o maior número de anos possível. Ótimo. Futuramente não nos envergonharemos porque a terça parte dos brasileiros com mais de 50 anos é constituída por analfabetos absolutos, como hoje. A questão é que deveria ser posta em prática uma política voltada para o aprimoramento educacional de adultos, visando sobretudo, aumentar sua empregabilidade. Por que isso é urgente?
A expectativa de vida pulou de 50 anos, no início do século, para mais de 70 em países desenvolvidos e grandes centros. Em vinte anos, a maior parte da população será formada por gente em idade madura, aumentando assim a demanda das faixas mais ‘‘velhas’’ por educação e trabalho.
Numa era dominada por avanços tecnológicos, facilitar também aos adultos, jovens ou velhos, acesso a novas informações é portanto, necessidade óbvia para que a sociedade funcione com algum equilíbrio.
O que ocorre agora com o Brasil? Estendemos a quase todas as crianças um ensino fundamental de qualidade questionável, tentamos a duras penas universalizar o ensino médio e estamos anos-luz de distância de atender à demanda por ensino superior.
Não há mecanismos que facilitem ao adulto o ingresso em instituições de ensino de qualquer nível. O Brasil tropeça até na obrigação de fornecer educação básica a adultos através de supletivos, que não contam com fontes especiais de financiamento. Apesar da promessa do MEC de impor aos estados maior fiscalização e de fazer a avaliação nacional desses cursos, eles funcionam sem obedecer nenhum padrão de qualidade. Enquanto isso, estima-se em 60 milhões os analfabetos funcionais do Brasil. Porém, alfabetização pró-forma e supletivos de baixa qualidade não resolverão o problema.
A julgar pela vagarosidade com que o sistema de ensino se adapta a novas situações, só podemos esperar do futuro nossa permanência como líderes no ranking de desigualdades sociais. A menos que no Brasil se forme a consciência de que educação não é mera obrigação do Estado para com as crianças, mas direito, agora mais do que nunca, de qualquer cidadão, de qualquer idade, a qualquer momento.
- MAGNO DE AGUIAR MARANHÃO, reitor de universidade, Rio de Janeiro
Mínimo
Aumento somente para o salário mínimo é demagogia. Se derem 20% para o mínimo, esse mesmo percentual terá que ser repassado aos outros salários e aposentadorias, caso contrário, num curto espaço de tempo, todos estaremos nivelados por baixo, ganhando salário mínimo.
As pessoas que se aposentaram ou que irão se aposentar, calculam os seus rendimentos em números de salários mínimos, a escala de contribuição para a Previdência é um número de salários mínimos. Se for quebrada essa regra, fatalmente aqueles que sempre contribuíram acima do mínimo terão sérios prejuízos.
A classe média é que dá emprego, ela vai à manicure, ao cabeleireiro, emprega domésticas, paga condomínio, viaja etc., se forem nivelados por baixo, serão obrigados a modificar os seus hábitos. Com isso não quero dizer que não se deva melhorar o mínimo, não só o mínimo, mas o servidor público por exemplo, vai para sete anos sem nenhum reajuste.
- JOÃO AMBRÓSIO DE OLIVEIRA, Londrina
Correção - O índice que corrige a caderneta de poupança no dia 24 deste mês é 0,6030% e não 0,5652%, como foi publicado incorretamente ontem na capa do jornal.
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