O LEITOR ESCREVE
Consciência política
A importância de ressaltar o papel do partido político nesta reta da eleições parece de grande vitalidade para a sociedade civil londrinense. O Movimento Pés Vermelhos e Mãos Limpas catalizou uma boa parcela da sociedade civil, representada pelas instituições democráticas onde alguns partidos estiveram presentes e o Partido dos Trabalhadores foi um deles surgido com o processo de socialização da política.
O movimento pode vir a desempenhar um papel fundamental nas relações Estado/sociedade, na defesa de interesses universais diminuindo os poderes coercitivos do Estado e definindo a prioridade do público sobre o privado. Este movimento, sem dúvida, define uma nova trama nas relações entre o governo da cidade e seus governados. Embora ele não tenha ampliado as formas de acessos e participação nos processos decisórios, foi importante para abrir espaços para a democracia ampliada, novos atores alargam novas formas de vivência em sociedade.
O movimento pode vir a ser, também, um instrumento para alargar a esfera pública. O alargamento da esfera pública indica que o domínio e coerção vão sendo substituídos pelas formas de hegemonia e consenso e a sociedade política vai sendo substituída pela sociedade civil (Gramsci), com isto os representantes eleitos para ocuparem cargos públicos estarão atentos e de olhos abertos na organização da sociedade. Embora a presença dos partidos e do Partido dos Trabalhadores tenha sido muito tímida no movimento, o partido político, enquanto articulador de interesses universais e, devido a crise que eles enfrentam, que se tem tornado cada vez mais tênue os seus vínculos com a vida social, não podemos minimizar o seu papel.
Se se entende o partido como um intelectural orgânico cabe a ele elaborar uma concepção de mundo esclarecendo as relações antagônicas e contraditórias que perpassam a sociedade, bem como as formas possíveis para sua superação.
O partido é a instituição ético-política, enquanto intelectual-coletivo organiza politicamente a sociedade e ajuda na construção da hegemonia, para governar a cidade. Assim, esconder o partido numa campanha significa empobrecer o debate político e reforçar novas formas de particularismos. Portanto, importar fortalecer os partidos e especificamente o Partido dos Trabalhadores que tenha um operar efetivo na formulação e implementação de propostas democráticas para além do marco do capitalismo.
- JOSÉ MARIO ANGELI, Londrina
Saúde
Enquanto o governo federal continuar a tratar a saúde da forma como vem fazendo, teremos cada vez mais doenças. Os dados que nos levam a esta conclusão estão disponíveis no Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi). Ora, um governo que em pleno mês de setembro gastou apenas 4,95% da verba prevista para a saúde no orçamento deste ano, não tem mesmo nenhum compromisso com a garantia de políticas sociais. O orçamento prevê a aplicação de R$ 1,4 bilhão em projetos hospitalares e em programas de saneamento básico.
Para agravar a situação, os recursos previstos para serem gastos na prevenção de doenças infecto-contagiosas praticamente ainda não foram gastos. Para citar alguns exemplos: dos R$ 59,3 milhões previstos para o combate ao mal de Chagas, foram aplicados apenas R$ 1,1 milhão, dos R$ 2 milhões previstos para combater a hanseníase (lepra), nada foi liberado, dos R$ 4,92 milhões previstos para investimentos em saneamento básico, apenas R$ 7 milhões (1,43%) foram liberados.
As consequências desse descaso são admitidas por organismos do próprio governo, como a Fundação Nacional de Saúde que admite que morrem 29 pessoas por dia no País por falta de água encanada, esgoto e coleta de lixo. Por falta de saneamento básico morre uma criança de zero a 4 anos a cada 72 minutos.
Enquanto mais de R$ 40 bilhões foram gastos com o pagamento da dívida externa no primeiro semestre do ano, a saúde simplesmente não chegou a 5% nos gastos. Esta é a mostra concreta da prioridade deste governo. Não é a saúde do povo brasileiro. É a doença e a falta de condições básicas de vida, a que se traduz em norte cotidiana, em falta de expectativa. Neste contexto, o discurso de que serão investidos R$ 9,5 bilhões a mais na área social no ano que vem é mais uma armadilha para iludir a população neste momento importante em que os municípios estão escolhendo seus futuros prefeitos e vereadores.
A população precisa estar atenta. Chega de demagogia e de promessas vazias que no papel podem até significar aumento no investimento, mas que, na prática, como mostra a execução orçamentária deste ano na saúde, não passam de uma grande mentira. Ante tanto descaso, só a permanente vigilância da população e sua organização permitirão que a sociedade diga um basta e construa as condições para efetivamente mudar as prioridades.
- PADRE ROQUE, deputado federal, Brasília
A história ensina
As grandes transformações históricas normalmente são caracterizadas por algum evento de impacto, apesar de serem fruto de um processo iniciado muito antes e que se prolonga para muito além. Na antiguidade, o principal vetor das mudanças foram as guerras deflagradas sob os mais diferentes pretextos, mas tendo o fator econômico, quase sempre, como motivação central. Assim, tanto a dizimação de povos inteiros quanto as grandes conquistas militares visavam o saque, a ocupação de terras e a conquista de poder político, traduzido na anexação de novas riquezas.
Com o avanço da civilização, o foco dos combates militares começou a mudar: ao invés da conquista de terras e povos, passou-se a buscar a conquista de novos mercados. E essa mudança de foco acabou fazendo com que as batalhas tradicionais fossem substituídas pelas guerras comerciais. A natureza intrínseca das batalhas, que é conquistar e dominar, pouco mudou, bem como ainda é a questão econômica a base de tudo.
Hoje, ao invés de atirarem lanças e flechas, bombas e granadas, os novos conquistadores atiram fornos de microondas, CDs, DVDs, telefones celulares e toda uma parafernália de armas cujo objetivo é conquistar nosso dinheiro. Se a troca de um tiro no peito por uma TV de tela grande parece ser um ótimo negócio, ainda assim ele não é o aspecto principal. O principal é que, apesar de toda a tentação publicitária e do crediário enganador, podemos decidir se compramos ou não a TV. Já contra uma bala não há argumentos.
Para os portadores do vírus da desconfiança irracional contra os benefícios da economia de mercado e da liberdade de escolha, aviso que não vendo essa idéia como uma panacéia, como uma utopia enfim realizada. Ainda há muita miséria, injustiça, corrupção, doenças, desemprego e morte para serem superadas. As distorções causadas pela concentração de poder, pelos monopólios, pela corrupção endêmica, pela ineficiência das máquinas públicas, pelo crescimento da criminalidade, pela excessiva importância dos mercados financeiros são fatores que bloqueiam a ascensão social da população mais pobre. Mas, apesar da difícil decisão entre as lanças e o Windows do Bill Gates, não há dúvida de qual é o mal menor.
- KLEBER BOELTER, Porto Alegre
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]





