Banestado (1)
Ao contrário do que tentou passar o leitor José de Almeida Neto, em carta publicada na edição de ontem, os funcionários do Banestado nunca se omitiram do dever de denunciar operações irregulares, falcatruas e todo o tipo de desmandos políticos havidos no banco nos últimos anos. Com suas colocações infelizes, o missivista, que declara ser cliente do Banestado, sabe muito bem que a culpa pela situação em que a instituição se encontra é originária de problemas de gestão, ou seja, dos altos escalões do banco. Estas pessoas, todos sabem, foram indicadas pelo governo do Estado, na qualidade de acionista majoritário.
Independente de quem estava no poder, os funcionários, através dos sindicatos e de outras entidades representativas, sempre vieram a público denunciar atos lesivos ao patrimônio do banco. Foi assim que agimos, trazendo à luz da sociedade as facilidades que a administração proporcionou a clientes ‘‘especiais’’, a questão das operações irregulares no Banco Del Paraná, o repasse de recursos pelo Banestado para a realização dos Jogos da Natureza e, agora, mais recentemente, nossa participação foi decisiva no envio de documentos ao Ministério Público sobre os empréstimos feitos pela Banestado Leasing.
Temos consciência de que nosso papel foi cumprido. Nos últimos anos lutamos muito para demonstrar à população e, em especial, às autoridades que os problemas verificados no Banestado são de fácil solução. Bastaria ter seriedade na apuração destas irregularidades e punição dos responsáveis, coisa que o governo Jaime Lerner (PFL) preferiu ignorar, optando para encobrir com o manto da privatização os rastros das falcatruas e esquecer o destino dos recursos desviados por seus comandados. Vale ressaltar, sr. José, que todos estes fatos aqui relatados e outros mais que por aí estão não se tornaram públicos por acaso. Ataques a nossa greve vieram dos secretários estaduais, do governador Lerner e de pessoas como o senhor, que, parece, preferiram dar as costas à corrupção e ao clamor da população pelo fim dessas práticas obscuras e se curvaram perante a entrega do Banestado.
- JOSÉ FRANCISCO DA SILVA, funcionário do Banestado e presidente do Sindicato dos Bancários de Londrina.
Banestado (2)
Nosso querido Ney Braga morreu hoje, dia 16 de outubro de 2000, parece que não quis estar presente para o funeral de nosso banco estadual, o Banestado, que soçobrou pela má administração, gestão fraudulenta e porque não dizer da ‘‘grande roubalheira’’ que sofreu nestes últimos tempos. Ney Braga foi um marco na vida do Paraná, foi o divisor de águas. Podemos dizer que o Paraná se modernizou com a gestão do Governador Ney Braga. Acho que nenhum homem público fez tanto para e pelo Paraná como fez Ney Braga. Amanhã, dia 17 de outubro de 2000, se não houver nada excepcional e creio que não vai haver, vamos perder mais um marco em nossa história, o Banco do Estado do ParanÁ S/A, o nosso Banestado.
Não podemos acreditar que isso vá acontecer! Ouvindo uma entrevista de seu atual presidente, Reinhold Staphanes, fiquei estarrecido com o que disse, com a ‘‘cara mais lavada do mundo’’, a respeito do fechamento de muitas agências no interior do Paraná: ‘‘O Banco Central já há dois anos havia-nos recomendado o fechamento dessas agências pois nos mercados em que estão situadas e nas comunidades em que estão não há nenhuma possibilidade de se tornarem rentáveis’’.
Isso é uma injustiça, uma subserviência, pois o Banestado tem obrigação de ser uma banco social, servir o povo das pequenas comunidades, agora os coitados dos aposentados dessas pequenas cidades terão que ir aos grandes centros para receber sua minguada aposentadoria, seus míseros R$ 151,00, tendo que fazer mais despesas com transportes, alimentação e muitas vezes não podendo se locomover por seu estado físico. Vai ser uma judiação. Não podemos aceitar isso, sem uma punição severa aos responsáveis por essa catástrofe.
O Banestado vai ser vendido, ou melhor doado, por um preço mínimo de R$ 434 milhões e sabemos que possui 565 mil correntistas, 1,86 milhão de cadernetas de poupança e os R$ 5 bilhões que o Banco Central injetou ou vai injetar no mesmo para seu saneamento não será de responsabilidade dos arrematadores, os ‘‘donatários’’, mais dos ‘‘tontos’’ dos paranaenses que além de doarem seu banco ainda vão ficar com a conta do empréstimo. Não dá para acreditar. ‘‘Aí tem coisa! e muita, muita coisa!’’.
- ANTONIO LUQUES ANTUNES, advogado, Londrina
A lista
Tendo em vista a integridade e isenção da Folha, eu, como leitor e assinante tenho uma sugestão a fazer. Proponho que, baseado em informações que a Folha puder obter, a lista que foi apreendida na casa e empresa de Cassemiro Zavierucha, o ‘‘Carlos Júnior’’, seja publicada na sua íntegra, nomeando todos os envolvidos, os valores e relativos a que seriam estes valores.
Faço esta sugestão perante a gravidade das informações publicadas na página 8 da edição de ontem, onde é citado o nome de um dos candidatos ao segundo turno da eleições municipais para prefeito da cidade de Londrina e que constaria na lista do tesoureiro do prefeito cassado de Londrina, Antonio Belinati. Mesmo porque nossa cidade está saindo de uma fase turbulenta da qual muita coisa ainda está para ser mostrada aos cidadãos londrinenses.
Ademais, ainda segundo a reportagem citada, a promotora pública Solange Vicentin observou os procedimentos de investigação são isentos de sigilo, portanto procedimento público. Certamente toda a cidade deseja saber o conteúdo da famosa lista do ‘‘Carlos Júnior’’.
- ANTÔNIO C. FUNFAS NETO, médico, Londrina
Polícia
‘‘É a polícia!’’, disse o porteiro, e pela primeira vez na vida fiquei feliz após entender o porquê do meu interfone ter tocado às quatro horas da madrugada. Em meio a tantas críticas feitas à polícia, achei que seria mais do que justo elogiar publicamente o procedimento do cabo Efraim e sua equipe, que após uma ‘‘batida’’ rotineira, acabou por encontrar a minha carteira, que havia sido perdida, e que me foi devolvida com todos os pertences, incluindo cartão de crédito, documentos pessoais, talão de cheque, e uma quantia em dinheiro. Acredito que o fato desses policiais terem checado o motivo de um outro cidadão estar de posse da minha carteira, por motivo de perda e não furto ou roubo, contribuiu para que injustiças não ocorressem.
Gostaria, portanto, de parabenizar a polícia e deixar a minha estima e consideração pelo excelente trabalho, bem como pela honestidade e seriedade dos policiais envolvidos. Acho que é este o Brasil que todos esperam, e fico feliz por isto ter acontecido na nossa cidade em meio a tantas barbaridades que nos chegam diariamente.
- ANA RAQUEL MANNELLA CORDEIRO, relações públicas, Londrina
Correção
- A Folha errou no Informe Folha de ontem: o secretário André Vitorelli responde pela pasta de Recursos Humanos na Prefeitura de Londrina e não pelo Planejamento.
- Por falha na edição da Folha Esporte de ontem, os escudos do Vasco da Gama e do Atlético Mineiro foram trocados na ficha técnica de apresentação do jogo entre ambos pela Copa Mercosul.
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]

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