Dia do Professor
É uma oportunidade de parabenizar esse profissional que, atualmente, nada tem de herói, de missionário ou de bonzinho. É um profissional simplesmente diferente, consciente ou não dessa diferença que o torna singular entre todas as demais profissões. Não há como o professor ser apenas professor. Ele é educador, quer queira, quer não.
Com as mudanças operadas na família, repassou-se à escola várias obrigações que antes eram recebidas no reduto do lar, de acordo com os valores dos pais. Ao romper as portas da família, é na escola que o indivíduo vai aprender, pela primeira vez a viver em sociedade, a perceber que esta exige a obediência a regras, que ele deixa de ser o centro das atenções, mas terá que dividi-las com os demais; vai aprender que ali serão cobrados (às vezes a duras penas) os seus deveres e mostrados os seus direitos também. A escola, principalmente a pública, ensina muito. Ela é aberta a todos, apesar de algumas exceções, e querendo ou não atura o bom e o mal, o comportado, o mal-educado, o ‘‘normal’’ e o desadaptado, o inteligente e o cheio de dificuldades. Aí é que entra o sujeito mediador de todas essas diferenças e que vai, de alguma forma, fazer a diferença. A postura do professor frente ao mundo é fundamental para o aluno, cuja tendência é ter modelos para seu desenvolvimento.
A escola ainda é vista como reflexo da sociedade, reforçando seus erros e impondo a lei do mais forte, mas isso depende muito de seus professores. E hoje o profissional da educação está tomando consciência, mais do que nunca, do seu valor. Ele é agente da história, a sala de aula é o seu espaço de atuação e transformação e principalmente da formação de cidadãos que conduzirão essa mesma sociedade. Este espaço escolar (talvez o único) é onde ainda se aprende que os direitos do próximo devem ser respeitados, que existe uma lei que assegura a igualdade desses direitos a todos e que pode ser posta em prática, que se deve preocupar com o bem-comum e que a preservação do Planeta, sendo um problema coletivo, começa com pequenos gestos individuais como recolher um papel do chão...
Como estamos homenageando, não nos ocuparemos daqueles professores que estacionaram no tempo e no limitado espaço. Afinal, profissionais assim existem por todos os lados, não estão só no magistério. Mas vamos enaltecer e com muita honra, os verdadeiros profissionais da educação, neste ‘‘Dia do Professor’’, lembrando que no cotidiano da escola, são eles que têm nas mãos e no coração a grande responsabilidade de formar os cidadãos brasileiros.
- ESTELA MARIA FREDERICO FERREIRA, supervisora pedagógica, Londrina
Lixo
É empolgante ler na Folha o que está acontecendo no setor lixo. Como ONG ambiental não poderíamos deixar de nos manifestar sobre a reportagem do último dia 5, ‘‘Lixão gera ação civil em Maringᒒ. O diagnóstico parece se repetir: ações contra prefeituras, mudanças de local do lixão, desastres ambientais que expõem a incapacidade de todos em lidar com o lixo, promessas de coletas eletivas e melhoria das condições de trabalho das pessoas que lidam com o lixo e, de forma generalizada, a frase batida, ‘‘a falta de recursos...’’.
Pelas nossas condições brasileiras de espaço, de muito ligar, para ficar mudando o local de lixões e dos aterros, vamos demorar a achar soluções de fato. Os jornais vão continuar mostrando os catadores, carrinheiros, os lixos expostos e escondidos enquanto o ‘‘câncer do lixo’’ continua sendo alimentado e destruindo o nosso meio ambiente.
As soluções ditas ‘‘utópicas’’ em economia de escala se tornam viáveis pois trabalham com grande volume, podem ser otimizadas e trazem vantagens como a geração de empregos. Vamos aproveitar o início das novas gestões municipais e cobrar delas uma união para administrar o lixo em favor da população deste eixo populoso Maringá-Londrina. Chega de cada município passar por essas novelas desastrosas que estamos cansados de assistir! Que a população informada pressione nossos homens públicos para que um fórum intermunicipal sobre os resíduos seja realidade o mais rápido possível. Temos universidades, experiências práticas e órgãos de divulgação suficientes, que poderão estar promovendo união e soluções fazendo do Norte do Paraná, um exemplo na questão do lixo.
- DANIEL STEIDLE, presidente da ONG Movimento Nossa Terra, Rolândia
Flagrante
O vice-presidente da World Com/MCI-Embratel foi preso em flagrante no aeroporto, contrabandeando US$ 80 mil para os Estados Unidos. E a Embratel enfiou na minha contra quatro interurbanos que não fiz, para a Bahia e Sergipe. É o meu dinheiro que a Embratel remete para os Estados Unidos?
- PAOLO MARANCA, São Paulo
Horário de verão
Fazendo coro aos leitores que se manifestam sobre o horário de verão (ou seria de primavera-verão?), é preciso colocar que esta mágica, este coelho na cartola de nossos governantes, nada mais é do que um atestado público de incompetência e insensibilidade de nosso governo. Incompetência, porque desde o Plano Cruzado, no longínquo ano de 1986, uma pequena bolha de consumo fez com que nossa claque governante percebesse que um crescimento contínuo, embora pequeno de nossa economia, não se viabilizaria por não haver recursos energéticos disponíveis. O que fizeram então? Pararam o País. Com inflação boliviana. Com juros estelares. Com tarifaços públicos de toda ordem. Tudo para que não houvesse consumo, e não houvesse produção, e não houvesse demanda por energia. Não havia recursos para investir em infra-estrutura? Então, dá-lhe governos corruptos, anões do orçamento, TRTs, ‘‘leasings paranaenses’’, saneamento de bancos estaduais, estatais e privados etc.
Pior que a incompetência, é a insensibilidade. Será que nossas crianças em período escolar, e nossos velhos principalmente, merecem ser submetidos a esta violência que é a alteração do seu ritmo de vida? Que se respeite ao menos o calendário escolar. Que se respeite os milhões de trabalhadores obrigados a dormir menos para que poucos tenham mais lazer. Se a maioria, dizem, aprova tal alteração, será que a minoria que a desaprova não merece ser ouvida também? Se de fato há economia de energia, porque não há desconto nas faturas dos contribuintes?
Pergunto: será que governantes são eleitos para alterar horários? Tenho a impressão de que tal magia serve apenas para avisar aos cidadãos que o governo existe. E que é capaz de, com uma simples canetada, aporrinhar a vida de todo mundo. De minha parte, como não posso adiantar a hora da saída de cena destes governantes, peço apenas que ao deixarem seus palácios após o expediente diário não se esqueçam de apagar as luzes. Contribuirão assim, para que a escuridão de seus áridos gabinetes permitam que tenhamos luz em nossas casas.
- CLAUDIO DAL POZZO, comerciante, Matelândia
Correção: Saíram trocadas as fotos dos candidatos a prefeito de Maringá José Cláudio (PT) e Dr.Batista (PTB) na página 6 da edição de ontem.
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]

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