O LEITOR ESCREVE
Eleições
Nas eleições de 1974, o eleitorado brasileiro foi às urnas dando grande vitória ao MBD, partido que representava a oposição institucional ao regime militar. Estas eleições passaram a ser consideradas um marco no processo de abertura política do País. Algo semelhante ocorreu em Portugal quando, em 1975, o Movimento das Forças Armadas cumpriu a promessa de realizar eleições para a Assembléia Constituinte. Os partidos comprometidos com a democracia portuguesa receberam 72% dos votos, levando o governo a uma derrota fragorosa.
Os dois casos foram momentos ímpares, em que o povo deu o seu recado político e explicitou, soberanamente, os rumos que pretendia dar ao país. Guardadas as devidas proporções, as eleições brasileiras de 1º de outubro podem ser comparadas a esses acontecimentos notáveis. De fato, é preciso estabelecer a diferença primordial e básica de que o Brasil, felizmente, já não está sob uma ditadura. Contudo, como o processo de consolidação de nossa democracia ainda está longe de terminar, os avanços conquistados em cada eleição são importantes e devem ser valorizados.
Em um país de democratização tão recente quanto o Brasil, chega a surpreender a postura dos candidatos derrotados, como foi o caso de Luiz Carlos Hauly, em Londrina, ou Luiza Erundina, em São Paulo, que antes mesmo da divulgação oficial dos resultados já admitiam a derrota, dizendo compreender e respeitar a vontade das urnas. Evitar qualquer tipo de desconfiança nos procedimentos, aceitando o trabalho da Justiça Eleitoral durante as apurações, descartando teorias conspiratórias e admitindo que a decisão final cabe ao povo (e tão somente a ele) é um fator essencial para a estabilização da democracia.
Outro fator a ser considerado é o repúdio à corrupção. Citando mais uma vez Londrina e São Paulo como exemplos, a expressiva votação recebida pelos vereadores diretamente envolvidos no processo de cassação do prefeito Belinati, bem como a radical mudança na Câmara paulista, são fatores demonstrativos de que a corrupção já atingiu o limite da tolerância entre a população.
Importante, também, foi o visível crescimento da esquerda, especialmente do Partido dos Trabalhadores, que serviu para demonstrar a todos que o jogo eleitoral é para valer, e que existe no horizonte uma perspectiva real de alternância do poder. Isso é positivo para o país e para a democracia, porque o sistema ganha legitimidade, trazendo para a disputa institucional segmentos que se mostram desencantados com a política. Desta forma, torna-se mais perceptível um dos maiores objetivos da democracia, que é institucionalizar de forma plena a diversidade social e apresentar alternativas partidárias aos cidadãos.
Apesar da persistência de problemas (como a grande defasagem entre o número de votos partidários para prefeitos e vereadores, ou o grande número de vereadores eleitos por siglas minúsculas, absolutamente destituídas de qualquer base social), é preciso enfatizar esses pontos positivos e reconhecer que as novidades da última eleição significaram mais um passo em direção à consolidação da democracia brasileira.
- LUZIA HELENA HERRMANN DE OLIVEIRA, professora universitária, Londrina
Comércio
Londrina precisa acordar! Fala-se muito sobre os incentivos ao turismo sem, no entanto, permitir a flexibilização do horário do comércio. Em qualquer lugar onde há turismo, há comércio aberto. Em Porto Seguro as lojas ficam abertas até a meia-noite. Quando o sol se põe, a única coisa que a cidade tem a oferecer aos turistas, além de suas boates é o comércio. Nada a mais. Apenas um comércio de portas abertas. O mesmo vale para as principais cidades turísticas do Brasil e do mundo. O turismo emprega uma em cada nove pessoas, sendo o responsável por 10% do PIB mundial e 11,6% do PIB do Paraná, além de ser uma das principais alternativas de emprego no nosso Estado.
Médicos, enfermeiros, farmacêuticos, bioquímicos e outros profissionais da área de saúde trabalham em todos os horários. Professores, diretores e alunos trabalham e estudam em todos os períodos. Já imaginou se a classe dos professores se negasse a trabalhar depois das seis horas? Advogados, engenheiros, arquitetos, administradores, economistas, jornalistas trabalham nos mais variados horários. Como saberíamos das notícias se os jornalistas trabalhassem somente no horário comercial?
Isso sem falar nos bares, restaurantes, lanchonetes, hotéis, supermercados, shoppings, entre outros. A única classe que trabalha no horário comercial é a classe dos comerciários e comerciantes do centro de Londrina. O resto do Brasil já acordou e vem trabalhando seu comércio nos mais variados horários. Até mesmo em Londrina alguns bairros estão anos na frente do centro. Os Cinco Conjuntos sabiamente já têm seu horário livre, assim como os outros bairros de Londrina. As velhas justificativas para a manutenção do horário antigo, não são aceitáveis. Já foram oferecidos cursos para os comerciantes, informando os meios de trabalho, sem ultrapassar as 44 horas semanais: banco de horas, determinado pela CLT (escala de horário); serviço terceirizado; e admissão de novos funcionários. As lojas Riachuelo e Pernambucanas são exemplos para Londrina. Ao estender seu atendimento para sábado à tarde, ambas aumentaram en 1/3 o número de funcionários.
- SINÉZIO SCUDELER, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Londrina e Região
Controle da natalidade
Não é por acaso que as coisas acontecem e que muitas vezes não percebemos claramente. Dentro deste contexto é explicável a não destinação de recursos para as áreas de educação e saúde. Se a população tem atendimento em hospitais públicos e de escolas públicas de bom padrão isso significa estímulo à procriação, ao aumento do número de filhos. Enquanto que, se os hospitais e escolas públicas não são suficientes ou mesmo se estão em estado precário, os pais se obrigam a colocar seus filhos em escolas particulares e a levar seus filhos para atendimento em hospitais particulares ou pagarem um plano de saúde. Nesse caso raciocinam: não se pode ter mais de 2 filhos uma vez que a vida hoje está difícil. Escolas caras, médicos e hospitais, uma fortuna. É sem dúvida uma estratégia que traz seus efeitos no controle populacional. Um outro exemplo é a redução de descontos para abatimentos quando da declaração anual de renda. A redução dos descontos com educação, assistência médica etc constitui uma forma de pressão para se ter poucos filhos.
- ANTONIO CARLOS DE MELO, bancário, Porecatu
Arte de ensinar
Desejo prestar uma homenagem aos professores, que desempenham na expansão dos horizontes aos alunos, luzes nessa nova sociedade do conhecimento. Somente com a educação é que novas perspectivas de entendimento começam a ser vistas. Neste processo acelerado de mudança, o nível de conhecimento, habilidades que nos permitem adaptar, tornando aprendizes do sucesso ao longo de toda a vida, na área da educação de valores, direitos humanos, educação para a paz e saúde. Professores, que mesmo em condições não ideais, recursos limitados e remunerações injustas, ajudam a sociedade a caminhar em frente. Aos governantes, a imprensa, sindicatos, instituições, associações e a comunidade: solicitamos o compromisso de apoio aos professores que dominam a arte de ensinar; e aplausos dos alunos ad eternum.
- CÉLIO MARCOS SAMPAIO, estudante, Londrina
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]





