Mudanças
Ultimamente é a palavra de maior uso no País. Sobretudo na linha política. E, embora devagar, as mudanças vêm acontecendo. Para melhor, ou para continuar tudo na mesma? Afinal, o primeiro empenho é atingir os que detêm o poder. Mudando as pessoas acreditamos nas mudanças das coisas. A realidade, porém, não há como negar, é que pouca coisa, ou nada, sofre alteração. Sofremos sucessivas desilusões. Saem políticos, entram políticos, fora os velhos, vivam os novos, e o que melhora, e quem melhora? É só compulsar as páginas da História Universal, e mais atentamente as do Brasil, e tirem conclusão – exata e favorável, sem paixão. A máquina é de difícil manejo, são demasiadamente complexos os problemas. Isto nós sabemos. E daí? O que se pode fazer? Tenho repetido aos amigos: cuide cada um de seu agir moldando-o na pauta da verdade e da justiça.
Então funcionará, em alguma medida, aquela ação que a física denomina ‘‘catalítica’’, isto é, contaminação de presença. É o que todos podem e devem fazer. Mudança pessoal, depois na família, e consequentemente, na sociedade. Nem se pode esquecer que pesa maior responsabilidade sobre aqueles que pleiteiam e arrebatam postos do governo. Atenção, portanto, na escolha, hoje e sempre. Se errarmos a culpa é nossa. Se acertamos o ganho é de todos.
- EDUARDO AFONSO, Londrina
Olimpíadas (1)
Quando Radamés Lattari, técnico da Seleção Brasileira de Vôlei, disse que tinha vontade de dar uns tapas em Shelda por ela ter pedido desculpas ao povo brasileiro por ganhar apenas a medalha de prata, ele estava fazendo mais do que valorizar a colocação conseguida pelo vôlei de praia feminino. Ele estava se autoestapeando. Aliás, merecidamente, após a derrota lamentável frente a seleção de vôlei da Argentina.
Mas eu queria ficar com o exemplo vencedor, o de Shelda. É lógico que seu pedido de desculpas é descabido. Ela não tinha responsabilidade nenhuma de dar medalha de ouro para um povo que vive e respira futebol e que só dá atenção para o vôlei de praia por um descuido do controle remoto da TV. E uma medalha de prata numa Olimpíada é um feito e uma glória extraordinários. O gesto de Shelda vale pelo seu significado de humildade numa atleta de grandeza mundial. A humildade de quem não precisa, mas a tem, e que significa, muitas vezes, a diferença entre a derrota e a vitória. O Lattari deveria estapear, isso sim, depois dele próprio, o Luxemburgo e sua trupe. E o Baloubet du Rouet, claro.
Mas o mais inacreditável foi assistir a multidão e a mídia em geral eleger como herói olímpico o náufrago Eric Moussambani, da Guiné Equatorial. O cidadão africano, que pode merecer vários adjetivos menos o de nadador, patrocinou um espetáculo entre o hilário e o patético ao atravessar a piscina olímpica bebendo água. Se um comitê de organizadores engravatados imaginasse uma forma de levar ao ridículo uma pobre figura humana, dificilmente seria capaz de planejar algo tão eficiente. Pois o rapaz virou não apenas ídolo, mas também estampa de camisetas e garoto propaganda de roupas de natação de alta tecnologia. Se ao menos fosse de salva-vidas!
É mais ou menos assim como pedir a um analfabeto que escreva uma tese sobre literatura mundial e depois, diante de uma folha cheia de impressões digitais, enaltecê-lo pela inaptidão para a tarefa e conceder-lhe glória apenas pelo esforço. É o típico gesto de quem tem uma escala de valores corrompida. Se não há um referencial de valores lógicos e coerentes, qualquer um serve, dependendo apenas de interesses e conveniências e não de sua moralidade.
Que saudades do tempo em que um herói olímpico era representado também por um africano, Abebe Bikila. Mas que, após duas horas e quinze minutos de corrida na maratona olímpica, ao invés da pantomima ridícula dos senhor Moussambani, cruzou a linha de chegada em primeiro lugar. De pés descalços!
- KLEBER BOELTER, Porto Alegre
Olimpíadas (2)
Terminaram as Olimpíadas e infelizmente não obtivemos o êxito tão esperado por todos nós, que era trazer pelo menos uma medalha dourada para nos orgulharmos de nossos atletas. Mas isso não é o fim do mundo, não é tão desastroso assim, pois fomos ‘‘quase ouro’’ em muitas das disputas. Saímos do Brasil cheios de esperança de muitas conquistas. Mas isso não foi o que aconteceu. Amarelamos? Não, isso não mesmo! Somos um País de terceiro mundo, acostumados a superar todos os obstáculos necessários para conseguirmos vencer, e a valorizar muito as nossas conquistas. Somos atletas, que numa parcela consideradamente grande, até pouco tempo atrás favelados, meninos de rua, pessoas humildes, que se apegaram a uma oportunidade para sair desse submundo e se transformaram em atletas, exemplo disso é o nosso medalha de prata André Domingues, no revezamento 4x100 mts.
Nossa torcida está mal acostumada a só aceitar o estágio mais alto do podium e se sentir igualmente vitoriosa. Quem não se lembra das manhãs de domingo, quando o nosso Airton Senna cruzava a linha de chegada e lá estávamos nós, de punhos cerrados, emocionados e muito orgulhosos de termos vencido mais uma. O mal desempenho de nossos atletas deve ser entendido como uma lição, como um aprendizado, de que faltaram melhores condições de treinamento, mais apoio oficial e também um pouco mais de dedicação e espírito olímpico – como o que ocorreu com o nosso desprestigiado futebol masculino. Temos pela frente, mais quatro anos para refletir, nos preparar melhor e quem sabe mudar nosso lugar no quadro de medalhas em Atenas-Grécia, em 2004. Numa colocação que pelo menos não nos deixe tão decepcionados.
- WALTER ABOU MURAD, biomédico, Londrina
Correção
Diferentemente do que saiu publicado ontem, o prefeito Cassio Taniguchi (PFL) está concluindo seu primeiro mandato. A avaliação feita pelo consultor da Folha de Londrina/Folha do Paraná, Alexandre do Espírito Santo, diz respeito ao domínio político do grupo do governador Jaime Lerner (PFL), que está há três mandatos no comando da prefeitura de Curitiba. Pedro Livoratti – repórter de política.
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]