O LEITOR ESCREVE
Londrina esquecida
Muito preocupante o fato de Londrina ter sido citada somente em três linhas da revista publicada pela Gazeta Mercantil, a qual mapeia o desenvolvimento das cidades do Estado, sobretudo daquelas que se destacaram economicamente durante o último ano. Muito bem mostrado pela revista o avanço das cidades como Medianeira, Cascavel, Rio Azul, São José dos Pinhais, Ponta Grossa, Paranaguá, Foz do Iguaçu, sem contar os artigos dedicados a Curitiba, provando o quanto a capital se beneficia com as indústrias ali instaladas.
A mesma revista fala do café adensado, técnica moderna desenvolvida pelo Iapar para plantio de café e lembra que o nosso estado foi o maior produtor nacional deste produto entre os anos 60 e 70 e que pretende retormar esta posição. Necessário dizer que este artigo não faz nenhuma referência a tão conhecida capital mundial do café.
A técnica do café adensado atrai, além dos próprios agricultores interessados em desenvolvê-la, inúmeros pesquisadores internacionais que vêm a Londrina para aprender in loco com os profissionais do Iapar. Porém a revista não traça uma linha mencionando tal fato.
O Balanço Anual do Paraná, este ano, esqueceu-se daquela que foi, por muito tempo, considerada cidade expoente, pelo desenvolvimento que conheceu em tão pouco tempo de existência. Londrina teve um papel importante na construção do Paraná. E segue tendo, ainda que esquecido ou pouco valorizado. Possui qualidades inegáveis. Ali temos prestadores de serviços, indústrias, cooperativas, universidades, um pólo comercial importante, última geração em telecomunicações, bons profissionais, bons hospitais, uma rede hoteleira de padrão internacional, bons restaurantes, bares, boates, uma agropecuária pujante e extremamente importante no cenário nacional e internacional.
Queremos crer então que Londrina não está no Balanço Anual do Paraná porque a cidade aprendeu a ser tímida... aprendeu por imposições, pela vergonha dos últimos acontecimentos políticos. Não ser citada talvez seja uma maneira (lamentável) de apagar um pouco as tristes lembranças de seu passado recente.
- CILIANE CARLA SELLA DE ALMEIDA, advogada, Londrina
Educação
No momento em que tantos questionamentos se levantam na análise e no mérito do processo ensino-aprendizagem-avaliação, quantos direcionamentos se voltam à necessidade premente da busca de um novo educador para uma nova educação. Depois de 500 anos, o Brasil vive uma nova realidade educacional, em que seus agentes, mais do que nunca compromissados com resultados, perseguem planos e metas em cujo contexto fique evidente a preocupação de, à luz da LDB, ampliar o horizonte que se descortina no âmbito das competências e das habilidades. A tarefa se torna tanto mais árdua e desafiante quanto mais real e indagador se mostra o quadro da profissão do magistério, mais de cunho missionário do que profissional.
O caráter estóico da missão exige, antes de mais nada, que se entenda a extensão do significado da nova educação para então se compreender a investidura do exercício do novo educador, numa simbiose de processos e de métodos sob cuja chancela se esgrima o poder da inteligência e o fruto da competência, lavrando-se tentos cujos resultados nos remetam à sublimação da prioridade educativa como precedência e consequência de Ordem e Progresso.
Divorciados desses parâmetros, o novo educador e a nova educação passam a representar o descalabro de um sistema, de um processo que, se não forem ousados, continuarão sendo subservientes e burocratizados, quando não medrosos e obsoletos. A cavaleiro dessa situação teremos que deparar e, quiçá, pactuar com mentalidades obtusas e técnicas retrógradas que, se não nos imobilizam, acabam por impedir de avançar, sobretudo no campo da pesquisa.
Para essa nova educação, que se ocupa e preocupa mais com o homem do que com o material, para esse novo educador, que se envolve e desenvolve mais com valores do que com o capital, impõe-se aplicar mudanças de rumo e, até, de formação, não só com vistas a inovar, mas, também, a radicalizar. A fim de que, efetivamente, se implante uma nova educação com um novo educador há que se impor um novo estilo de magistério e uma nova concepção de pedagogia, num contexto abrangente em que meios e fins, em que causa e efeito se alinhem não na contramão da história mas nas veredas da modernidade.
O ponto de partida para essa amplitude de exigências e esse universo de desafios abrange elementos significativos de vontade laborativa e objetivos concretos de ajustamentos necessários, sem o que se fragiliza a ação do novo educador e compromete-se o desenvolvimento da nova educação, cuja exigência maior reside numa prática pedagógica e numa estrutura metodológica que premia a ousadia e aborrece a apatia.
- PAULO MORETTI, professor, Curitiba
Mulheres
Professor Ricardo Prochet: li seu artigo Senhora Presidenta na Folha do dia 4. Primeiro gostaria que soubesse que gostei muito da aula sobre o avanço das mulheres no campo político e aproveito para solicitar sua permissão em publicar seu artigo, na íntegra. Sou editora de um jornal curitibano e feminino, intitulado Mulher Sempre Mulher. É um jornal que circula mensalmente e distribuido gratuitamente para os melhores bairros curitibanos, com o intuito de levar ao conhecimento do leitor, assuntos de interesse de todo público, mas principalmente, enfatizando o que a mulher tem feito ou o que ela precisa saber para fazer, e bem feito. Isto em todos os segmentos de nossa sociedade. É o órgão oficial da Business Professional Woman (BPW). Aproveito para ressaltar que não é um jornal feminista e muito menos sectário, onde previlegiaríamos determinado tipo de mulher. Falamos da mulher como um todo, tanto aquela que optou em ser mãe exclusivamente ou aquela que prioriza uma capacitação profissional. O que importa é que faça bem e seja feliz em sua opção!
- SULAMITA MENDES, Curitiba
Diferenças
É próprio dos fracos, viciados e outros dignos de pena o zombar de seus opostos, dos que têm força de vontade, honradez e compostura. Assim é que os vigaristas chamam os probos de otários, os fumantes inveretados chamam os não-fumantes de maricas, os pinguços chamam os abstêmios de coitados, os feios chamam os bonitos de afeminados, os pederastas chamam os sarados de enrustidos, os cornos chamam os solteiros de não chegados, os fracassados chamam os vencedores de puxa-sacos, as pobres chamam as ricas de peruas, as despeitadas chamam peitudas de siliconadas, as pelancudas chamam as enxutas de rainhas de celulite, as deprezadas chamam as disputadas de galinhas, os malandros chamam os trabalhadores de neo-escravos, os maus estudantes chamam os estudiosos de tarados, os que não sabem que fazer de suas vidas em flor chamam os que souberam de trastes.
Os traidores da Pátria chamam os nacionalistas de botocudos, os que, a vida inteira, mamam nas tetas do Tesouro, chamam os aposentados por tempo de serviço de vagabundos, os estelionatários eleitorais chamam os eleitores de bobos, os desnacionalizados e desnacionalizantes chamam a Nação de caipira.
- ALCINDO NOLETO RODRIGUES, juiz federal aposentado, Brasília
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]





