Jogo democrático
Classificou-se de surpresa o resultado das eleições de Londrina. Com certeza os fatos deste domingo eleitoral pegaram de surpresa a maioria dos londrinenses. Não apenas devido aos candidatos que foram para o segundo turno – também por isso – mas talvez mais surpreendente ainda tenha sido quem não foi. Em alguns momentos se chegou inclusive a se aventar a hipótese de não haver segundo turno, tal a vantagem que um certo candidato teria sobre os demais. Em face da expectativa que se criou sobre tal candidatura, alardeada por várias pesquisas sempre como estando vários pontos à frente dos outros concorrentes, poder-se-ia falar num vexame.
Mas a derrota faz parte do jogo democrático. Vexame mesmo, nestas eleições, deram os ‘‘institutos de pesquisa’’, que em nenhum momento, mesmo no dia anterior ao pleito, refletiram a real preferência do eleitorado. Em face de realidades tão discrepantes ᖠa diferença entre as ‘‘pesquisas’’ e o resultado das urnas – é atraente falar-se em manipulação eleitoral. Mas sempre é bom dar-se um voto de confiança ao ser humano. Deve-se sempre evitar a acusação quando possível; pode não ser má-fé, mas sim pura incompetência.
As tentativas de explicação já começaram. Fala-se em fatores inesperados que teriam agido na preferência do eleitorado; fala-se em reviravolta espetacular. Qualquer pessoa minimamente razoável não engolirá essas embromações; é evidente que a realidade mostrada pelas ‘‘pesquisas’’ nunca mostrou a realidade ‘‘real’’. Mesmo porque, as próprias pesquisas nunca chegaram a ‘‘concordar’’ entre si – os números delas nunca bateram.
Qual é o problema desses ‘‘institutos’’, que afirmam auferir a vontade da população? Por que será que as pesquisas ‘‘erraram’’ sempre contra um certo partido? Em Curitiba se passou o mesmo: as urnas desmentiram abertamente as pesquisas, que, lá como aqui, anunciavam uma vitória acachapante da candidatura do governo – lá, a do governo estadual; aqui, a do governo federal.
As empresas de pesquisa saíram desta eleição com a credibilidade extremamente abalada. Mostravam uma coisa e as urnas revelaram outra completamente diferente. Será que o eleitor vai continuar acreditando em pesquisas?
- PAULO FERNANDES, advogado, Londrina
Violência
Ao contrário do que muitos pensam, a violência não é um fato recente no Brasil. Desde o desembarque dos primeiros europeus nessa terra até os dias atuais, a violência tem sido uma prática entre nós. Os primeiros a serem subjugados e dizimados foram os indígenas. E por não se aclimatarem ao cativeiro, foram substituídos pelos negros, que trazidos arbitrariamente para alavancar a incipiente economia colonial, nesse período sobre o predomínio da cana-de-açúcar, sofreu uma das piores atrocidades que se pode cometer contra um ser humano: a escravidão. Pesarosamente, essa bárbarie foi prática em toda nossa história, através da repressão e execução de pessoas e grupos que divergiam do poder político vigente ou lutavam por liberdades políticas, culturais etc., inclusive no Estado Novo e no Regime Institucionalisa de 1964.
O fato até então não chamava a atenção porque as vítimas eram apenas pessoas de pouca expressividade social, por conseguinte, tratadas com indiferença pela elite aristocrática e a classe média brasileira. Hoje, além de mais sofisticada, a violência se propaga por todos os segmentos da sociedade vitimando crianças, jovens e velhos, sem distinção de raça, posição social e ideológica.
O combate a esse quadro septicêmico requer uma séria de fatores e não somente em aumentar os efetivos policiais ou armá-los com equipamentos sofisticados. É preciso em primeiro lugar unificar as polícias que hoje brigam entre si; combater sem trégua o narcotráfico e a contravenção; coibir a corrupção; investir em campanhas educativas contra o álcool e entorpecentes, principalmente entre os jovens; evitar o êxodo rural fomentando a pequena agricultura e realizando a reforma agrária; criar empregos incentivando as médias e pequenas empresas, erradicar a prostituição infantil; privilegiar a distribuição de renda evitando a evasão fiscal e a sonegação; melhorar o sistema educacional, a saúde, a habitação etc. Pena de morte, repressão ideológica, supressão à liberdade ou qualquer outra medida autoritária e irracional só aumentará ainda mais a violência.
- SEBASTIÃO BERNABÉ ALVIM, Londrina
Despertar
Estamos vivendo um tempo privilegiado, muito rico para o crescimento e despertar da consciência. Em todo canto o assunto é o mesmo. Vamos nos alegrando em ver a criticidade e o interesse de alguns, entristecendo diante do descado e cegueira dos outros. Ao votar em bons políticos que assumirão a gestão da prefeitura você está provando que é sujeito e não objeto da história e acredita em si mesmo.
Necessário se faz desmanchar certos preconceitos espalhados e defendidos até com veemência de que a política é uma atividade meio criminosa, que os políticos não prestam como se, em outras atividades profissionais todos merecessem nossa total confiança. No exercício da atividade política existe até uma certa vantagem: podemos tirar de circulação o político corrupto. E nas outras profissões nem sempre podemos escorraçar o incompetente.
A política nada mais é do que uma atividade, onde, através da participação, podemos interferir na sociedade e alterar a realidade. Daí afirmar-se que não existe a neutralidade neste campo. Quem não toma posição já está fazendo a política da não mudança.
- SEBASTIÃO RODRIGUES DA SILVA, Leópolis
Busca
Se o Planalto quisesse já teria encontrado o Dr. Lalau. Pelo contrário, o Planalto não deseja que seu comparsa apareça. O Lalau faz parte da engrenagem gestada dentro do próprio Planalto. A CPI não saiu e nunca vai sair. A subcomissão se acabou e tudo voltou a reinar com tranquilidade na ilha da fantasia. Este ilha fica numa porção de terra cercada de trouxas por todos os lados. O servidor público entrará no exercício de 2001 sem previsão de reajuste. Depois de sete anos com uma inflação acumulada em mais de 90%, nesse período, a situação ficará insustentável. O desemprego aumentou, a dívida aumentou, o crescimento econômico é pífio e aí vem a pergunta. Quantas prefeituras a oposição conquistará nas eleições? Sem dúvida, há muita gente de olho nesse indicador. São Paulo é o grande termômetro desse gênero.
- JOÃO AMBRÓSIO DE OLIVEIRA, Londrina
Olimpíadas
O Comitê Olímpico Brasileiro vem por meio deste documento agradecer o trabalho de cobertura dos Jogos Olímpicos de Sydney, especialmente no que se refere à participação do Brasil. Mais uma vez, a imprensa brasileira deu uma demonstração de profissionalismo e empenho que lhe são peculiares, independente do esforço a mais causado pela diferença de fuso horário. Seja em Sydney ou no Brasil, todos vocês merecem o nosso reconhecimento. Estamos certos que o trabalho da imprensa contribuirá de forma decisiva para o desenvolvimento do esporte no Brasil.
- CARLOS ARTHUR NUZMAN, presidente, Rio de Janeiro
Recital
A diretoria da Associação de Canto Lírico do Norte do Paraná agradece a todas as pessoas que colaboraram para que o Recital de Primavera, apresentado no último dia 29, em Londrina, obtivesse pleno êxito. O evento foi programado com o objetivo de levar ao Instituto Londrinense de Instrução para Cegos (ILITC), pessoas da nossa comunidade que apreciam e divulgam o trabalho da instituição. ‘‘A cultura é o maior e mais legítimo legado deixado pela humanidade.’’ E este é o principal objetivo da nossa Associação.
- WALKYRIA FERRAZ, presidente, Londrina
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]

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