Eleições
Em quem votar, eis a questão. Estou, como toda cidade está, triste e envergonhado com o que estes falsos políticos fazem com nossa querida Londrina. É algo de dar nojo e um desespero por justiça muito grande. Considerando a veracidade e a autenticidade das denúncias, gostaria de indagar o seguinte: como ficam os vereadores candidatos que votaram pela não cassação do prefeito no primeiro julgamento e pelo arquivamento no segundo? Como pode um prefeito cassado, pelas denúncias tão sérias e profundas, vir no horário nobre na televisão, e defender alguém? Isso é um absurdo. E o Movimento pela Moralidade, vai continuar? Desde que não tenha nenhum vínculo político partidário, é fundamental que continue. Muito se fala que não devemos anular nosso voto, o que concordo. Porém em quem votar, quem é digno de nosso voto, diante do atual mar de lama e podridão em que vivemos. Felizmente, para alguma coisa tudo isso serviu, se de um lado, não sabemos em quem votar, de outro lado, com toda certeza e convicção, sabemos em quem não devemos votar.
- MAURO MARQUES, Londrina
Os governantes
Leiam a bela e exata declaração de Confúcio (551-459 a.C.n.): ‘‘A política é uma imediata extensão da ética; se todos os governantes fossem honestos, nenhum outro membro da nação ousaria ser desonesto.’’ Sabemos que hoje muitíssimos governantes são desonestos (pululam que nem tiririca! – em todos os meridianos e paralelos). Daí deduzirmos que pouquíssimos cidadãos não o sejam. É o assunto mais ventilado de norte a sul do País. Desde os porões até os apartamentos de primeira classe. Desde as mais minguadas prefeituras até o Congresso. Para averiguá-lo é só um gesto – abrir os olhos! De longa data – sem dúvida desde os 22 de abril de 1500! – a corrupção é nota marcante do chão de Santa Cruz. Muito embora tenha sido, desde o começo, alertada pelo Evangelho do Cristo que afirmou peremptoriamente: ‘‘Eu sou o caminho, a verdade e a vida.’’ E a quem e a quê iríamos atribuir a culpa?
Há umas tantas forças ocultas nutridoras de desonestidade e da consequente corrupção. A prepotência, a ambição, a insofrida fome do prazer definem o agir nefasto de governantes e governados. Não foi de graça que Giobanni Pappini (+1956) definiu o dinheiro: ‘‘Stercora diaboli = esterco do diabo’’. E o pior do arrazoado é que são pragas contaminadoras as supracitadas. Deitam raízes tão fundas e grossas que impossível se torna extirpá-las. Nem machado, nem motosserras o conseguem. Quem sabe a bomba atômica. O que sobraria, porém? E a quem caberia a herança? Com certeza muitos estarão, e com razão, alcunhando-me de derrotista. Quase chego lá. Sou, no entanto, capaz de ressalvas. Fulgem clarões grandes no amplo cenário da escuridão. Compulsem a história que, também nesta linha, como assegurou Marco Túlio Cícero, é a ‘‘Mestra da Vida’’. Em todas as pátrias brilharam astros de primeira magnitude. E legaram rastros firmes de verdade e de bondade – as duas únicas forças que jamais tomam medo. Importa vê-los, aplaudi-los e segui-los. É só olhar derredor. Em todos os segmentos sociais, sem distinguir cor, língua, cultura, religião. E mais: cabe a cada um o dever severo e sagrado de escolher bem os governantes. Acima de tudo que sejam honestos. Faz tempo que o disse; não obstante, Confúcio é atual na sua linda declaração. Buda o disse igualmente. E Zaratrusta, sem dúvida. E, soberanamente, sabêmo-lo, é a lição repetida do Mestre de Nazaré. Não basta lê-lo, e dizê-la de cor. Traduzi-la na vida é o que vale.
- EDUARDO AFONSO, Londrina
Desigualdade social
O encontro mundial de Praga, que reuniu FMI e Bird, foi acompanhando por vários protestos em todo mundo, alguns antiglobalização e outros – entre os quais me incluo – na expectativa que deste encontro saiam importantes definições de planos estratégicos emergenciais com visão a solucionar problemas considerados graves socialmente nos países pobres. Espero que neste encontro tenham revisado e discutido importante pautas globais, entre elas a pobreza, que segundo alerta do próprio presidente do Bird, Wolfensohn, ‘‘a pobreza pode desestabilizar o Planeta’’. Algo tem que ser feito com rapidez, pois a pobreza cresce a taxas alarmantes diariamente em todo mundo. No meu ponto de vista este encontro serviu para mobilizar a sociedade como um todo, seja para um diálogo coerente entre os líderes mundiais, seja para protesto da maioria.
Acredito que ainda há muito por se fazer para minimizar as desigualdades sociais existentes no Planeta, a qual dependerá mais da boa vontade e comprometimento dos líderes mundiais e dos países desenvolvidos, do que das pressões e protestos da população. Deve-se reforçar um diálogo que favoreça países comprometidos com os princípios democráticos, pois defendo o ponto de vista que a globalização só terá significado algum se for igual para todos, independente de classe social, raça ou crédulo.
- PEDRO BATISTA MARTINAZO, estudante, Cascavel
Tratamento especial
A imprensa nacional publicou quase que à exaustão notícias sobre a manifestação de sem-terra realizada à entrada da Fazenda Córrego da Ponte, situada no município de Buritis (MG). O noticiário mostrou-se confuso e contraditório, envolvendo o presidente Fernando Henrique Cardoso, pois a referida fazenda seria sua de propriedade. No entender do Poder Judiciário, o imóvel, sendo propriedade do presidente da República, produtor de larga tradição no meio agropecuário nacional, merece tratamento especial do Exército Nacional, pois se enquadra no status de ‘‘bem de interesse nacional’’, tal qual um próprio nacional (só que, no caso, particular, de um cidadão civil). Algo como que na categoria de um ‘‘símbolo nacional’’ e, como tal, tem que ser preservado diante de qualquer ameaça (evidentemente que à custa do erário).
Se o entendimento do Judiciário criar jurisprudência, poderá vir a ser estendido a todo e qualquer tipo de propriedade – rural e/ou urbana – de todos os chefes do Executivo? Ocorre, contudo, que o noticiário informou que a detenção da fazenda é tida em sociedade com uma segunda pessoa que, ao que tudo indica, não pertence ao corpo da presidência da República. Se assim o é, trata-se de uma propriedade condominial indivisa, cabendo perguntar, em quantos por cento o destacado imóvel rural constitui-se, efetivamente, em um ‘‘bem de interesse nacional’’ merecedor da proteção do Exército Nacional. Em outras notícias, a imprensa esclareceu que a aludida fazenda não é de específica propriedade do presidente da República, mas, sim, da sua ilustre família, ou, mais especificamente, dos seus filhos. Como sempre, o tempo encarregar-se-á de remeter a questão ao imenso repositório do esquecimento nacional, sem que se venha a ficar sabendo, afinal, quem é o dono da fazenda. Restará, todavia, uma pequena contradição nominativa do destacado imóvel: por que Córrego da Ponte? Teria a ponte surgido antes do córrego?
- CLOVIS EDILBERTO ASSUMPÇÃO, Curitiba
Filhos
Parabéns pela reportagem ‘‘Dois é pouco’’ publicada na Folha da Sexta de 22 de setembro. Estou plenamente de acordo com tal afirmação e gostaria, também, de ter mais de dois filhos. Infelizmente, hoje em dia a maioria das reportagens em jornais e revistas, ou programas na televisão, reforça a idéia de que não se deve ter muitos filhos. Destacar famílias numerosas que fogem ao padrão é uma atitude desse jornal que só merece elogios.
- ONILDA REGINA MARCHIONI DE BRITO, Londrina
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]

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