O LEITOR ESCREVE
Eleições
A Folha está de parabéns pelos editoriais publicados na última segunda e terça-feira. Ambos são de importância fundamental para o nosso momento político. A indignação dos eleitores é grande, mas nem por isso podemos nos omitir de um ato cívico e patriótico (votar). O eleitor muitas vezes tem razão de estar indignado com a classe política, pois ela tem feito pouca coisa para ganhar a credibilidade do eleitor. Percebemos que em cada eleição as promessas têm as mesmas prioridades: saúde, educação, trabalho. A situação não muda. O que fazer? Não votar? Anular o voto? Votar em branco? Tudo isto não resolve. É hora de votar para transformar.
Agora é a hora e a vez do eleitor mudar o rumo da vida política de sua cidade elegendo ou reelegendo seus prefeitos e vereadores. Os novos eleitos enfrentarão no próximo ano uma lei amiga do povo, a Lei de Responsabilidade Fiscal. Certamente haverá aqueles espertalhões em burlar a lei, mas cabe a nós eleitores acompanhar, cobrar e denunciar o desrespeito aos cofres públicos.
Vamos acabar com o político pilantra, corrupto e picareta que nos procura só em época de eleição. Vamos votar em quem trabalha para o bem da comunidade. Vamos votar em pessoas que plantaram a sua semente e agora vão colher os frutos. Vamos votar em pessoas que amem a justiça. Porque a justiça é imortal.
- JOSÉ SERGIO JUVENTINO, Santa Cecília do Pavão
Pedido
Estamos às vésperas das eleições, chegando a um momento importantíssimo para nossa cidade. Queremos uma Londrina limpa, sem corrupção e injustiças. Basta de impunidade, queremos viver dignamente. Nós, do Projeto Educação Solidária (PES), queremos ecoar o grito abafado de milhares de pessoas que vivem à margem da sociedade. Cidadãos que não têm seus direitos garantidos e muitas vezes são a massa de manobra de lideranças políticas corruptas, que se beneficiam da miséria e falta de conhecimento deste povo humilde.
O projeto PES atende à população da Zona Leste de Londrina. São moradores do Jardim Marabá, Ocupação Monte Cristo, Rosa Branca e Assentamento Santa Fé. O projeto visa educar e formar alunos de 15 a 70 anos. Os alunos são orientados por professores voluntários que colaboram para a erradicação do analfabetismo. Nós, estudantes, pedimos para os próximos políticos eleitos que ajudem nossa região, onde existem quase mil crianças que precisam de uma creche. A Ocupação Monte Cristo, conta com aproximadamente 700 famílias, sofre há quatro anos com a falta de água, luz, asfalto e saneamento básico. Pedimos que tenham piedade deste povo. Não queremos esmolas, mas nossos direitos garantidos.
- IRMÃ EDNA VIANA, coordenadora, e estudantes do Projeto Educação Solidária em Londrina
Realidade
Mudei-me para Londrina há 9 meses a convite da empresa onde trabalho e o que encontrei superou as expectativas: cidade bonita, limpa e bem cuidada, povo simpático e hospitaleiro, e o mais importante, qualidade de vida. Posso estar enganado, mas de uns tempos para cá tenho notado o crescimento de pequenos delitos: infrações de trânsito, bicicletas circulando onde é proibido (Zerão), crianças cheirando cola, e o mais irritante: guardadores de carros. Hoje fui abordado por um desses profissionais em plena Rua Jorge Velho quando, ao voltar do serviço, estacionei para comprar leite. Com todo o respeito, se nada for feito agora, a situação só tende a piorar em progressão geométrica e será muito difícil depois consertar o estrago. Queira Deus que eu esteja errado.
- SÉRGIO ARAKI YASSUDA, engenheiro mecânico, Londrina
Justiça?
Em nosso País sem igual, tão pródigo em desigualdades, vigem situações que simbolizam fielmente o baixo nível de nossas autoridades. Dentre os escândalos, infelizmente, de praxe, poucos se igualam às locupletações orquestradas no seio do Poder Judiciário. Está fresco na memória de todos isto não será fácil esquecer o auxílio-moradia concedido pelos nossos tribunais superiores à magistratura brasileira.
Enquanto perpetravam, os ministros do egrégio tribunal, rudes golpes de pena no combalido erário, os servidores do Poder Judiciário do Paraná lutavam pela simples reposição dos seus salários defasados. Levando o assunto às barras dos tribunais, venceram em todas as instâncias, obtendo inclusive a sentença judicial que lhe assegura o direito à reposição e, ao mesmo tempo, que ordena à autoridade o pagamento referente aos anos em atraso.
Encarnando um episódio juridicamente surrealista, o Tribunal de Justiça do Paraná se negou a cumprir uma sentença exarada por um dos seus próprios juízes, sob a alegação, de que faltam os recursos, assumindo a sua negligência administrativa. Este mesmo Tribunal de Justiça (?) pagou, pacificamente, de forma integral e retroativa o auxílio-moradia a todos os juízes do Estado.
Segundo o Dicionário Aurélio, Justiça é conformidade com o direito; a virtude de dar a cada um aquilo que é seu. Uma rápida análise deste verbete leva à conclusão de que o Tribunal de Justiça do Paraná, ao efetivar este procedimento, entra em conflito com o próprio nome quando deliberadamente ignora a conformidade com o Direito, descumprindo uma sentença de sua lavra (é incrível), e a virtude de dar a cada um aquilo que é seu, inflingindo maiores dificuldades aos serventuários da Justiça e seus familiares, conscientemente aumentando o fosso das distorções sociais em nosso País.
- CARLOS ROBERTO MIRANDA, industriário, Londrina
Êxodo rural
Em relação ao artigo publicado no dia 23, intitulado Os de cima sobem e os debaixo também, de autoria da socióloga Maria Lucia Victor Barbosa, gostaria de fazer algumas considerações: no tocante ao êxodo rural, como engenheira agrônoma, tenho presenciado constantemente as consequências desastrosas e irremediáveis, causadas pelo abandono da atividade agrícola. Os empregos gerados pela prestação de serviços, citados pela socióloga, estão longe de aplacar os desastres deste impacto social. Provavelmente as referências procedentes da pesquisa mencionada pela autora relacionem-se com o potencial de ocupação da população rural em outros setores, não com a substituição de empregos propriamente dita. As inferências no texto carecem de maiores detalhes.
Confrontando-se o número de propriedades rurais apresentados nos dois últimos censos, verifica-se o desaparecimento de mais de vinte propriedades por dia. Ao ritmo que o êxodo rural caminha, seria ingênuo afirmar que para cada ocupação desativada pela mecanização no campo cria-se pelo menos uma outra na mesma região, mesmo que desvinculada da atividade agrária convencional. Se assim fosse, como explicar racionalmente a evasão de cidades do interior do Estado para centros regionais urbanos, ou pesarosamente para as periferias das capitais?
- ROSSANA C.B. DE GODOY, Curitiba
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