O LEITOR ESCREVE
Xenofobia
A crise social imposta pelo abandono das políticas do sistema de bem-estar social (welfare state) em favor do pensamento único, tem criado espaço para o avanço da xenofobia em muitos países. A xenofobia é pano de fundo de uma crise política que se abate mais marcadamente em países que adotaram o pensamento único como modelo econômico. A tendência da economia nesses países é excluir as pessoas do processo produtivo, substituindo o homem pela máquina. Essa mudança tecnológica aumenta a produção, melhora a qualidade dos produtos, aumenta a eficiência do processo, diminue encargos trabalhistas, e produz excedente humano.
Com um discurso fácil, confiante e sedutor, os xenófobos hostilizam estrangeiros e atribuem aos imigrantes a responsabilidade pelos problemas econômicos, principalmente o desaparecimento do emprego. Na rabeira desse descontentamento, muitos grupos e organizações com escopo nazi-fascista, vêm aproveitando-se da situação e ascendido politicamente, como é o caso da Frente Nacional na França, liderada pelo neonazista Jean-Marie Le Pen, a subida ao poder de George Raider na Áustria, e o radicalismo dos skinheads na Alemanha e similares pelo resto do mundo.
Essas organizações pregam também a intolerância étnica e o chauvinismo de direita, mas defendem o ódio irracional a negros, mestiços, homossexuais, indígenas e, no caso do Brasil, nordestinos. O perigo de toda essa estupidez humana é a naturalização das coisas. De repente as pessoas passam a aceitar como natural o racismo contra negros, a aceitar silenciosamente a ascensão de partidários do neonazismo, e até mesmo, a conceber a xenofobia como uma simples questão de divã.
- ANTONIO SÉRGIO NEVES DE AZEVEDO, Santa Cruz de Monte Castelo
Corrupção
É grande a indignação diante da corrupção, que se escancara em todo canto. Levantam-se provas contra políticos irresponsáveis, mas o sentimento generalizado é de que tudo termina em pizza. Há motivos para decepção e desânimo, concordo, mais não é o caminho. Aproxima-se mais uma vez as eleições, muitos nos perguntam: vale a pena votar? Há remédio para a corrupção? Se não reagirmos, essa doença pode destruir a nossa comunidade.
Para que a corrupção não se instale e se desenvolva é necessário agir buscando as suas causas. Uma delas é a corrupção eleitoral, através da qual os políticos mal intencionados conseguem conquistar seus mandatos. Há um grande número de eleitores com pouco ou quase nenhuma consciência política. Por isso políticos inescrupulosos estão tentando se eleger. Políticos que compram votos, na verdade não querem terminar com as carências do povo. Então vamos impedir esses de serem eleitos. Vamos dar um basta a exploração eleitoral da miséria, pois, isso é crime e não queremos criminosos no poder.
Agora é possível cassar o registro do candidato que tentar comprar votos dos eleitores. É preciso acordar e ir à luta; só falar não resolve, vamos à ação. É necessário despertar consciência e interesse pela política para que todos possam conversar sobre os problemas com os amigos e com a família, com os colegas de trabalho e na comunidade. Ler os jornais, ouvir os noticiários, tentar entender o que está acontecendo no País, no Estado, na cidade, formar opinião a respeito e não comprar a notícia como ela é vendida.
É preciso que um número maior de cidadãos descubra que votar conscientemente é mais do que uma forma de participação política: é um ato de poder político. Portanto, deixar de votar ou votar em branco é um crime contra a cidadania. É abrir mão do poder político no momento em que ele vem inteiramento para as nossas mãos de cidadãos. Quem vende seu voto não tem como cobrar depois.
- SEBASTIÃO RODRIGUES DA SILVA, Leópolis
Ética na TV
Depois de muito debate em torno do que fazer para viabilizar um compromisso ético das emissoras de televisão no Brasil, o governo resolveu utilizar-se de instrumentos legais para forçar o cumprimento constitucional da responsabilidade social, tendo em vista os abusos e os excessos que continuam fazendo parte de muitas programações, exibidas em horários que não respeitam os critérios etários e investem pesado na erotização e no apelo à violência como forma de garantir maiores índices de audiência.
O Ministério da Justiça sabia que chegaria a hora do governo agir. Tudo foi feito para que as próprias emissoras estabelecessem normas éticas internas. No entanto, muitos telespectadores continuam assistindo a situações constrangedoras numa terra que parece não ter lei, dominada pelo império da permissividade. Nenhum programa de televisão será apresentado sem aviso de sua classificação, exposto de maneira visível, antes e durante a transmissão, diz a portaria 796. Volta da censura? Nada disso. O governo agiu certo. Respaldado pela Constituição, ele tem o direito de fazer valer o Estatuto da Criança e do Adolescente (artigo 16) e punir infrações que agridem a dignidade da vida humana.
Ninguém quer coibir a criatividade e a liberdade dos profissionais de televisão. No entanto, não é possível que em nome da liberdade de expressão a população seja agredida com a exibição de situações grotescas e aviltantes, com conteúdos que atentam nos valores humanos. É necessário que haja respeito pelas pessoas, uma espécie de pudor pelo que elas sentem. Não temos o direito de invadir a privacidade dos outros, com aberrações e anomalias que ferem o bem comum. Muitos poderão dizer que os telespectadores podem simplesmente desligar os aparelhos de tevês, caso não queiram ver determinadas exibições. No entanto, as coisas não são tão simples assim. Há muitos indivíduos fragilizados, vulneráveis a toda espécie de escapismo, sem condições reais de discernimento e que podem ser vítimas de induções televisivas para ações agressivas e destrutivas.
As emissoras de televisão têm responsabilidade social. É claro que as anomalias e patologias são resultado somente da influência televisiva. Mas muitos programas podem causar estragos incontáveis. É preciso, portanto, que a responsabilidade esteja acima do afã pela audiência.
- VALMOR BOLAN, sociólogo, Santo André
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