O LEITOR ESCREVE
Trânsito
Aproveitando a Semana do Trânsito volto a bater na mesma tecla, água mole... Na segunda-feira (18), por volta das 16h30, pareceu-me um atropelamento na Avenida Santos Dumont (em Londrina). Não parei para ver, havia aglomeração e o santo Siate lá se encontrava. Sei que a cidade tem vários pontos mais críticos e que as estatísticas talvez não confirmem minha preocupação. Ocorre que a vegetação do canteiro central é inadequada, formando barreira visual muito próxima às travessas que prejudicam a transposição, diminuindo a visibilidade, aliada a velocidade elevada dos veículos que por aqui transitam aumentando e muito o risco de acidentes graves.
Peço aos responsáveis técnicos uma reavaliação, quem sabe o retorno das funcionais lombadas eletrônicas, ou novas rotatórias, mais simples e econômicas. Aproveito para propor que os leitores motoristas, taxistas reduzam a velocidade em nosso complicado e veloz trânsito urbano. A conscientização aliada as técnicas adequadas do planejamento viário são soluções para melhoria da qualidade de vida no trânsito.
- JOAQUIM RENATO SABÓIA BADUY, arquiteto, Londrina
Estrada do Colono
Acabo de ler a inusitada carta de Domingos Pellegrini, que menciona ética e bom senso, quando na realidade deveria ter abordado o equilíbrio profissional da oferta de informações, coisa que um bom jornal independente de quem seja seu diretor de Redação deve sempre oferecer. Diga-se de passagem, a Folha vem já há tempos buscando e exercendo isto.
Quando à Estrada do Colono: uma lástima que Pellegrini desconheça a história e a geografia, ou então minta descaradamente. Nem o Peabiru nem o Prestes têm a ver com o caminho. Quem conhece minimamente a região sabe disto. É certo porém que todos os colonizadores que tiveram uma relação sempre conflituosa com a natureza e principalmente com o parque: desde o início, a área foi seguidamente ocupada e predada, como demonstram as fotos áreas de 1955 em diante e os relatórios e registros dos órgãos responsáveis.
Diz ainda Pellegrini: Que se dane a ONU! Lasque-se ela, o parque e todos os paranaenses e brasileiros, que amam a natureza!. Quanto atraso, quanta ignorância. Note o leitor que no momento a estrada está senso mantida aberta à força, ao arrepio da lei, desprezando o estado de direito e menosprezando a Justiça. A atitude dos responsáveis e seus incentivadores (como no caso de Domingos) é condenável como fato e como exemplo. A população no entorno, que deve sua alavancagem inicial ao extrativismo, poderia se iluminar e ter uma crise de bom senso, pergundanto a seus líderes afinal o que significa ética na discussão e condução de um tema que envolve o coletivo regional, estadual, nacional e internacional, enfim, um patrimônio da humanidade. Voltando ao bom senso, que bom que a Folha publicou a carta de Domingos: expôs uma argumentação tola e inconsciente.
- JOSÉ ÁLVARO DA SILVA CARNEIRO, presidente da Liga Ambiental, Curitiba
Vereador
Em princípio, podem se candidatar a vereador todas as pessoas maiores de 18 anos de idade, alfabetizadas, que possuam nacionalidade brasileira, estejam no pleno exercício dos direitos políticos, tenham alistamento eleitoral, filiação partidária e domicílio eleitoral na circunscrição do município. Entretanto, não é simplesmente o direito de se candidatar, o exercício da cidadania que se constitui no direito de votar e ser votado, capaz de gerar um bom candidato. O candidato que merece o voto popular é aquele que conhece as necessidades do município, os poderes e atribuições dos vereadores e que tenham capacidade pessoal e vontade de atuar em benefício do município e dos seus munícipes, de forma independente, impessoal e responsável.
Visualizar qual dos candidatos é digno de merecer sua confiança, a sua propaganda política, o seu voto e, consequentemente, o seu dinheiro, revela o preparo pessoal do eleitor (quase sempre cabo eleitoral) e se constitui num dever moral de quem, só assim, pode criticar e exigir trabalho em benefício da população. Os governos são a medida da população; se os representantes (vereadores) são ruins, a população (eleitores) é despreparada.
Seriedade, trabalho, capacidade, honestidade e compromisso público se demonstram com atitudes profissionais e sociais, reveladas no dia-a-dia e não, somente, com um bom discurso proferido em campanha eleitoral. Assim, vereador deveriam ser aqueles que, no mínimo, revelam os citados conhecimentos e qualidades, cabendo a cada um de nós, eleitores, reconhecê-los e apoiá-los, mesmo que as vezes não sejam os nossos melhores amigos.
- HÉLDER GONÇALVES DIAS RODRIGUES, advogado, Ibaiti
Dívida
O brasileiro já nasce devendo quase US$ 1,5 mil para os nossos credores externos. Segundo o ministro da Fazenda, a dívida externa bruta do Brasil somava US$ 231,3 bilhões em maio deste ano, correspondendo a 41% de todas as riquezas produzidas anualmente no País, expressas no Produto Interno Bruto (PIB). A explicação vem a calhar no momento em que a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) tabula os dados de seu plebiscito sobre a dívida nacional, inclusive esquecendo a maior de todas, que é a interna, que até hoje atinge quase US$ 300 bilhões.
A nossa saga devedora iniciou-se no Grito da Independência, em 1822, quando tivemos que assumir uma dívida portuguesa de 1,3 milhão de libras esterlinas, para sacramentar o fim do jugo ibérico sobre nossa Pátria. O primeiro empréstimo veio dois anos depois, em 1824, de 3,7 milhões de libras esterlinas, sendo que, ao longo do Império, o Brasil contraiu 17 empréstimos. Na proclamação da República, em 1889, a dívida externa brasileira já somava 30,4 milhões de libras esterlinas.
E, assim, o Estado periférico continuou se endividando, renegociando, se ajustando aos mandamentos internacionais, chegando a 1964 com um passivo com o exterior de aproximadamente US$ 2,5 bilhões. Vinte anos depois, em 1984, o comprometimento atingiu US$ 100 bilhões. No final de 1993, devíamos US$ 146 bilhões. O inconcebível é imaginarmos que, entre 94 e 98, tenhamos desembolsado US$ 185 bilhões a título de juros e amortização e, mesmo assim cheguemos a este ano da graça de 2000 devendo os divulgados US$ 231 bilhões.
Por mais que não possamos voltar as coisas aos nossos credore e, evidentemente, aos recursos obtidos junto aos demais países e organismos internacionais, com certeza algo está errado. Há clara necessidade de ser auditada esta dívida externa, que já é quase eterna. As carências sociais deste País desigual clamam por uma redução da sangria imposta pelo serviço da dívida. Como dizem os defensores e divulgadores do plebiscito, há uma dívida social mais urgente para cada um dos cidadãos do país, que deve ter prioridade sobre a dívida financeira. É tempo de reflexão séria e equilibrada sobre este assunto, que atordoa e endivida cada indivíduo nesta terra. Talvez o plebiscito seja o primeiro passo...
- VILSON ANTONIO ROMERO, jornalista, Brasília
Correção - Na notícia Gates joga bridge, publicada no dia 19, na página Militão Repórter, há alguns equívocos: o professor de Inglês Alan Thomas (e não Thomaz) é neto e não filho do fundador de Londrina Mister Thomas; o filho de Mister Thomas, que também joga bridge, chama-se Hugh Thomas; Cléa Thomas (igualmente jogadora de bridge) é esposa de Hugh e não de Alan.
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]





