O LEITOR ESCREVE
Interesses particulares
Lemos nos jornais e assistimos na televisão, como as nossas autoridades às vezes pecam pela falta de seriedade nas suas ações. Exemplo disso é a guerrinha particular entre ex-aliados, o presidente da República e o governador de Minas, que ocupam um espaço grande nos noticiários, para exacerbar o despeito mútuo existente entre os dois, no caso da fazenda em Buritis (MG).
Essa novela começou, parece-me, quando foi aprovada pelo Congresso a reeleição para presidente da República, dando a impressão de que alguém não cumpriu o acordado. E eles ficam se acusando com o intuito de estar em evidência, pelas mãos tão poderosas da mídia. Como um cidadão comum, gostaria que nossas autoridades entrassem em nossas casas, pelo rádio, jornais ou pela TV, para nos informar das melhorias que os governos vão proporcionar aos nossos idosos, retribuindo-lhes com melhores aposentadorias, atendimento mais digno no âmbito da saúde, mais casas e empregos para nossa população das classes menos favorecidas, enfim, notícias ricas em oxigênio, notícias que realmente nos interessem.
- WALTER ABOU MURAD, biomédico, Londrina
Direitos Humanos
A respeito da notícia Relatório aponta tortura e corrupção dentro das cadeias, publicada dia 16, o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara de Deputados (CDH), Marcos Rolim (PT-RS), diz que os presídios de nosso País são uma reinvenção do inferno. Mas se a situação atual dos presídios é crítica, é consequência das rebeliões desses deliquentes a quem o CDH tanto defende.
Enquanto pessoas passam fome pelas ruas, pais de família trabalhando em troca do pão de cada dia para seus filhos, passando dificuldades para sobreviverem. Os deliquentes estão no presídio assistindo a televisão, batendo uma bolinha, comento comida quentinha todos os dias, dormem a hora que quiserem e estão todos roliços. E quando lhes falta algo, começam a quebrar tudo dentro dos presídios. E quem paga pelos estragos? Nós mesmos, através dos impostos.
Quando os presos estão acabando com o patrimônio público, ou quando um desses vagabundos entra em nossas casas e estupra alguém de nossa família, assassina a sangue frio e rouba-nos tudo que levamos tempo para adquirir. É só a Polícia prender algum desses marginais e dar alguns cascudos, que já vem o CDH dizendo: Coitadinho dele, ele é um ser humano e não pode ser tratado dessa maneira.
Mas se um dia acontecer algo de ruim à família de algum membro do CDH, cometido por algum marginal, eles irão passar a mão na cabeça do bandido e dizer para a Polícia não agir com violência e tratá-los como seres humanos? Para que existe a CDH? Para defender o marginal ou para nos defender dos marginais?
- CLAÚDIO DE SOUZA ROLIM, auxiliar de escritório, Jaguapitã
Linha 201
Sou moradora do Bairro Vale do Cambezinho (em Londrina) que é servido, em termos de transporte coletivo, pela linha 201 Jardim Califórnia. Comprei uma casa neste bairro, em maio, e uma das razões que definiram minha escolha foi que aqui havia maior facilidade de transporte do que no bairro onde residia anteriormente. No dia 29 de julho, a CMTU resolveu fazer uma alteração no itinerário e nos horários da linha 201. Infelizmente, daquela data em diante, todo tipo de irregularidade passou a acontecer com esta linha. Alguns exemplos: atrasos constantes, alguns horários da tabela não são cumpridos, principalmente aos sábados e domingos; nos horários de rush, acumula-se um volume considerável de pessoas no terminal central, os carros chegam atrasados e nenhuma dos funcionários da CMTU fornece qualquer informação aos passageiros, chegando ao cúmulo de dizer que não fazem idéia de onde estejam os carros da linha 201.
A linha 201, que originalmente atendia apenas o Jardim Califórnia, vem, sucessivamente, sendo estendida para abranger os novos bairros que estão surgindo na área. Atualmente alcança até o Vale do Cambezinho. Isto significa que, concebida para transportar um determinado volume de passageiros, hoje transporta pelo menos o dobro. Como estes novos bairros estão em franca expansão é esperado que, num futuro muito próximo, a demanda irá tornar-se maior ainda.
É inadmissível que aqueles que têm a responsabilidade de organizar o transporte dos contribuintes desta cidade não consigam projetar as necessidades de ampliação de linhas e frotas. Não sei a quem caberá resolver o problema, se à CMTU ou à Transportes Coletivos Grande Londrina. Tudo que sei é que não há mais condições de conviver com o descaso a que somos relegados. Trabalhadores e estudantes estão, sucessivamente, tendo que justificar atrasos que não são de sua responsabilidade. Até quando?
- NINA GRAÇA DE OLIVEIRA CARDOSO, psicóloga, Londrina
Teorias conspiratórias
Existe uma conspiração para acabar com nossa raça no Brasil! Dizia, à frente de sua cerveja o líder de um movimento negro. Intrigado, perguntei cautelosamente: Você pode explicar qual é a tática que estão empregando? E ele, com a rapidez das respostas prontas e já pensadas: Claro! Preste atenção, basta alguém de minha raça se destacar e já providenciam uma loira para se encostar nele! Assim eles garantem, que aqueles que se destaquem atestem nossa inferioridade, pois querem se evadir da negritude, e fazem que os descendentes de nossos melhores exemplos já não mais nos pertençam!
Voltei à minha cerveja, emudecido. Teoria conspiratória é fogo, precisa-se de muitos argumentos para contestá-la, enquanto quem as expressa se beneficia de uma esplêndida economia de meios. Basta-lhe duas ou três frases, e pronto. Poderia argumentar que muitas mulheres belas estão apenas atrás de homens de sucesso, e fundamentar o raciocínio, mas levaria tempo.
Então comecei a montar as minhas próprias teorias conspiratórias. Qual é a técnica? Basta pegar um fato, localizar um suposto ou real beneficiário e atribuir-lhe ações ocultas para desencadear os eventos. Vejamos: os verdadeiros financiadores do MST e do PT são os bancos brasileiros. Stephen Kanitz demonstrou, em brilhante artigo, que depois de 1987, de cada 20 bancos estrangeiros 19 desistiram de emprestar para empresas brasileiras. Tomávamos dinheiro emprestado a juros internacionais deles. Assim foi financiado o período chamado de milagre anterior. A moratória e a demonização do FMI expulsaram a oportunidade de crédito barato do Brasil. Os bancos nacionais fizeram a festa. Eles ganharam dinheiro. Mesmo hoje, em lugar de 3% ao ano mais spread de 1%, pagamos, internamente, 3% ao mês.
Dá para imaginar os banqueiros reunidos com os líderes da esquerda radical e dizendo: Muito bom, muito bom, precisamos agora de um plebiscito a favor de uma nova moratória da dívida externa. Assim, de novo, ninguém vai querer arriscar empréstimos baratos a empresas brasileiras. Continuaremos lucrando centenas de milhões! Tomem aqui, alguns milhõezinhos a mais para continuarem este excelente trabalho queridos asseclas!
- PETRUCIO CHALEGRE, Porto Alegre
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