O LEITOR ESCREVE
Escolha
Estamos prestes a fazer a escolha dos novos representantes do povo no Executivo e Legislativo Municipal. Os eleitos serão a base da campanha política dos futuros deputados, senadores, governadores e também do próximo presidente da República. Os atuais detentores desses cargos estão hoje mostrando o seu interesse em defesa do do povo. Pensamos, refletimos e vemos que poucos dos atuais representantes merecem estar no cargo que ocupam. Dos deputados e senadores verificamos que a maioria reza na cartilha do governador e do presidente da República, tudo em prejuízo dos interesses desse povo que os elegeram.
No passado, o povo foi infeliz em suas escolhas e hoje colhe o pior resultado da história do País. No governo estadual até nossas rodovias, já construídas e pagas, foram entregues ao capital privado que nos explora, sem comentar outras privatizações havidas e as que virão no pior governo da história do Paraná.
A sociedade, maior prejudicada com tudo isso, não deve consentir. É preciso a união de todas as camadas sociais no sentido de se eleger o mais honesto dos candidatos nestas próximas eleições. Precisamos de políticos sérios e honestos para dirigir os municípios, os Estados e o País.
Quem do povo não sabe, em cada município, qual é o pior dos candidato para a sua comunidade? Todos sabem e por isso lhes é dado a oportunidade de escolha. Devem ser escolhidos sem pesar os favorecimentos para si e seus familiares. Se não houver um trabalho de base, com seriedade e honestidade da própria sociedade, jamais se conseguirá algo de bom no futuro. Se a escolha for ruim agora, no futuro mais difícil será impedir existência de Laulaus na administração pública brasileira.
- JOSÉ CARLOS SIMIONI, Ribeirão Claro
Escola do MST
O rosto do mais popular revolucionário, Che Guevara está em pintura nas paredes das salas de aula do MST. Os sem-terra vêm em Guevara o exemplo de luta. Entre os personagens exemplares, são incluídos outros retratados em livros e vídeos oferecidos aos alunos: Carlos Lamarca, líder da organização Vanguarda, também morto durante o regime militar; Zumbi e Antonio Conselheiro. As aulas de formação ideológica incluem teoria e ensaio. Na parte de ensaio, os alunos aprendem coisas como técnicas de comunicação e discurso. Essas técnicas terão bom proveito para os militantes do setor de comunicação, um dos oito em que se divide o MST. Mas serão úteis também para a militância, incumbida de atrair seguidores para o movimento.
Nas aulas, também são apresentadas aos jovens as conjunturas políticas do País e a linha política do movimento. Os sem-terra, no entanto, acham o diploma dispensável. Na visão deles formação e militância, diploma não é importante. Segundo a opinião deles, as escolas dizem que o 2º grau permite a entrada na faculdade e um bom futuro. Mas não é assim. As vagas estão reservadas para os ricos, nas universidades. Os pobres não têm chance para seguir essa carreira. Sem diploma, os pobres não têm também como conseguir bons empregos que igualmente estarão ocupados. Os lugares já serão deixados para a burguesia.
Os momentos de cultura e lazer incluem pouca televisão. Mais precisamente, só os noticiários. No resto, os alunos podem jogar xadrez ou baralho, cantar e tocar violão. Assistir a vídeos e ler livros. Entre os vídeos, temas como a Guerra de Canudos ou a vida de personagens como Lampião e o revolucionário mexicano Emiliano Zapata. E entre os livros, Fidel e a Religião, de Fidel Castro. Ao término das aulas, os alunos se recolhem aos quartos com beliches rústicos, fabricados por eles mesmos. No dia seguinte pulam da cama cedo, hasteiam a bandeira do MST e cantam seu hino. Uma das estrofes diz: Vem, lutemos/ punho erguido/ nossa força nos leva a edificar/ nossa Pátria livre e forte/ construída pelo poder popular.
- ANTONIO CARLOS DE MELO, bancário, Porecatu
Metrô
O prefeito Cassio Taniguchi vem insistindo, nesta campanha eleitoral, que o metrô de Curitiba deve ser de superfície, implantado entre os canteiros da BR-116 e com obras bancadas pela prefeitura. E pelas imagens que ele mostra na televisão, supõe-se que os veículos serão semelhantes aos ônibus articulados, apenas um pouco mais longos.
O candidato Forte Netto, segundo ouvi dizer, um respeitado urbanista, disse na tevê, com muita firmeza, que o metrô deve passar por onde existe a maior concentração de potenciais usuários, ou seja nas avenidas República Argentina, Sete de Setembro e João Gualberto; e que a solução ideal seria o metrô elevado, mas sem especificar em que tipo de veículo estaria pensando. Ele também cogitou de se convocar a iniciativa privada para implantar e explorar o serviço, o que poderia ser uma solução extremamente econômica para o município.
Como se pode ver, temos duas idéias extremamente conflitantes, tanto em relação aos trajetos quanto ao tipo de pista e de veículo e até à forma de se viabilizar a idéia. Em comum, os dois projetos apresentam apenas o silêncio quanto ao tipo de combustível que será consumido. Será que o prefeito Cassio e o urbanista Forte Netto não têm nada a esclarecer quanto a este detalhe? Teremos um metrô que polui o ar com fumaça de óleo diesel, como já fazem os nossos ônibus e parece que vão fazer os veículos propostos pelo prefeito? Em que tipo de veículo e combustível estará pensando Forte Netto? Somos um Estado rico em energia elétrica, que produzimos para usar e vender. Não seria o caso de se pensar em veículos elétricos, que além de não poluirem o ar, são mais silenciosos?
Curitiba precisa mesmo de metrô? Habituada a receber rodovias prontas, para apenas instalar seus postos de cobrança de pedágio, a iniciativa privada brasileira teria cacife para encarar uma obra desse vulto? Brasília, que deve ter uma arrecadação muito menor que Curitiba, está construindo como o seu metrô? Suponho que, tal como eu, muitos curitibanos estejam interessados em dirimir estas e outras dúvidas e conhecer melhor os dois projetos, até porque é um assunto que interessa a todos nós. Por isso, minha sugestão de uma reportagem, ou talvez uma série delas, para esclarecer bem o assunto.
- OSCAR RODRIGUES VIDAL, Curitiba
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