O LEITOR ESCREVE
PUC em Londrina
Tenho acompanhado de perto as negociações para trazer a PUC para Londrina. Estas negociações têm apoio do arcebispo Dom Albano e estão sendo conduzidas pelo meu amigo Dr. Ascêncio Garcia Lopes. O que a PUC necessita é da doação de um terreno de 20 alqueires. Para Londrina, que já possui duas universidades, seria uma glória ter a terceira, ainda mais sendo a PUC uma das mais tradicionais universidades brasileiras.
Todos os anos assistimos em Londrina o triste espetáculo do vestibular. Mas de 20 mil jovens se apresentam em nossa cidade em busca de um curso superior. Pouco mais de 2 mil conseguem uma vaga e 18 mil voltam; frustrados ainda ficam seus pais.
Feliz do Brasil se todo brasileiro tivesse a felicidade de ter um curso superior. O presidente Bill Clinton, em seu discurso sobre o estado da Nação, no início do ano, declarou que no ano de 2020 todo americano que quiser terá curso superior. Nova York tem 125 universidades. Num raio de 100 km de Boston existem 100 universidades.
Vamos nos unir, povo, empresários, políticos, candidatos, clubes de serviços, sindicatos, num esforço para trazer a PUC para Londrina. As gerações futuras nos agradecerão. Vá em frente Dom Albano, vá em frente Ascêncio.
- GUSTAVO LESSA FILHO, Londrina
Espírito olímpico
Setembro de 2000, última Olimpíada do século. Tantas expectativas, encantos e desencantos. Quem vai, quem fica que valores movem os homens? Tempos de indagação, de alegrias conquistadas após muitos esforços, para quem consegue chegar lá. Aprendizagem, tão maior e mais profunda, quando se observa a multiplicidade de coisas que acontecem em torno de uma Olimpíada. Briga entre patrocinadores e atletas, recusas entre treinadores e atletas, atleta que diz ter realizado o grande sonho de sua vida porque recebeu, do Comitê Olímpico, um par de tênis para poder participar das Olimpíadas. Quanto podemos avaliar e aprender do/com nosso mundo global, revendo valores...
Isso tudo, no entanto, é o começo do começo. Porque a cerimônia de abertura dos Jogos é uma grande lição. No grande espetáculo para a humanidade, a Austrália mostra o que foi, o que é, como pensa o mundo e como o recebe. Um sonho de criança, as glórias eternas de homens e mulheres que alcançaram seus ideais de vencer, alcançando a glória olímpica. A alegria de viver, ainda quando, na vida, sofremos mutilações. A conquista de espaço, pela mulher, associada à conquista dos aborígenes, aos quais era negado, até recentemente, o direito elementar de criar seus filhos. No entanto, um jovem país como a Austrália reconhece suas falhas de percurso e as redefine. Nesta década, vêm procurando dar novos rumos a esta trajetória e mostram sua cara, porque ousam repintá-la! A grande honra de acender a tocha olímpica cabe a uma mulher, que é uma aborígene!
Ainda não é tudo! O grande momento é mostrado como a perfeita associação do homem e da máquina. A sensibilidade do homem, a leitura do mundo de um povo, expressam-se no fogo que sai das mãos da mulher, indo, pela água, num avanço tecnológico próprio do ano 2000, rumo ao alto. A beleza se faz presente. A emoção se faz presente.
O homem usa a máquina para expressar-se, para embelezar ainda mais um espetáculo, para mostrar o que percebe e sente: o valor maior está no homem, que encontra seu lugar junto aos seus e exercer seu papel com garra e brilhantismo. Parabéns, australianos!
- LUCINEA APARECIDA DE REZENDE, professora universitária
Discurso político
É da consciência dos políticos a expectativa do eleitor de ouvir em seus discursos projetos de mudanças. O grande número de pessoas que ainda frequentam os comícios indica que ainda se acredita em reformas sociais. No entanto, muitos se decepcionam ao constatarem que, frente às mudanças propostas, o discurso e a prática política nunca se renovam e promessas feitas durante uma campanha geralmente são esquecidas.
No Brasil, os discursos políticos geram debates em torno de falsos dilemas. Os cidadãos ignoram a raiz dos problemas sociais que é a dependência econômica externa desde a independência política; aqueles que têm meios para informar não o fazem e tanto os partidos de situação quanto os de oposição, embora com propostas antagônicas, prometem a poda destes problemas, o que garante uma solução a curto prazo, com graves consequências para o futuro, impedindo o desenvolvimento.
As mudanças advindas da modernidade impuseram transformações nas estratégias, no entanto o discurso e os interesses continuam os mesmos. O melhor palanque de hoje é a TV, veículo de comunicação acessível e popular, mas as regras ainda são ditadas pela minoria dominante. Com o tempo e o texto mais curtos, os reais problemas são abordados superficialmente, o que deixa o eleitor com uma sensação desagradável de que algo deixou de ser dito e discutido.
O discurso político só será mudado quando os cidadãos se conscientizarem de que, por fazerem parte do sistema, também são responsáveis pelos acontecimentos. E a política terá seu verdadeiro sentido quando todos exigirem dos políticos não apenas promessas, mas o cumprimento delas.
- ELLEN CAROLINA FREDERICO FERREIRA, estudante, Londrina
Combustível
O alto preço atual do barril de petróleo, o ouro negro que move o mundo, nos faz pensar, ou melhor repensar, em outras formas de buscarmos energia. Nos idos de 1975 foi criado o Programa Nacional do Álcool, o Proálcool. Tal programa visava a busca de nova fonte de energia para o Brasil e para o mundo, pois o petróleo, energia não-renovável, estava com o preço do barril nas alturas. Espelho para o mundo, o Brasil desenvolvia um grande projeto na busca e aperfeiçoamento de um combustível alternativo, que tinha tudo para ser um sucesso. Porém o governo brasileiro, mesmo sabendo que o petróleo logo acabará, e que de acordo com a lei da oferta e procura seu preço antes disso se elevará muito, tal programa foi há algum tempo desativado.
Desta forma a importação diária de petróleo nos faz enviar ao exterior uma enorme fortuna, quantia que poderia ser investida na melhoria da educação (única forma do Brasil alcançar o desenvolvimento merecido para nossa população Monteiro Lobato há tempos já dizia: Um país se constrói com homens e livros), saúde, segurança de nosso País, além das outras melhorias que todos os políticos nessa época dizem estar sempre atrás.
Em que pese tudo isso, o governo se omite nesse aspecto. A pseudo-impressão residente em todos é que a remessa de divisas na forma de dólares ao exterior, para bancar a imprescindível necessidade de petróleo, é necessária, e não fruto de acordos suprapolíticos, multinacionais, ou como mais outra forma de se estabelecer a dependência estrangeira.
Perguntamos então: até quando adiaremos a criação de um programa inteligente na busca de nova fonte energética, ou mesmo, a reativação do Proálcool numa versão mais bem pensada, desenvolvida? Será que o governo brasileiro tem medo de diminuir a dependência que tem? Será que a intenção deste não é ir ao encontro ao desenvolvimento do Brasil, à fortificação de nossa soberania? A população brasileira quer acreditar que as duas últimas respostas sejam negativas.
- JOSSAN BATISTUTE, estudante, Londrina
Correção
Nome correto do juiz citado na notícia de ontem da página 3 de Folha Cidades (Londrina pode ter vara habitacional) é Edgard Lippmann Júnior.
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]





