O LEITOR ESCREVE
Analfabetismo político
Bertolt Brecht, o dramaturgo e poeta alemão que morreu em 1956, professava que o pior analfabeto é o analfabeto político. Nesta época que antecede o embate eleitoral de outubro, cabe uma reflexão acerca disto. O Laboratório de Observação Social (Labors), da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, entrevistou 603 habitantes de Porto Alegre, tidos como o grupo mais ou um dos mais politizados do Brasil, e obteve resultados surpreendentes.
Apesar de 51% das pessoas consultadas declararem que exerceriam seu direito de voto, em caso de ser eliminada a obrigatoriedade, a maioria, 57,7%, afirmou não se interessar ou se interessar muito pouco por política. Diz Brecht: Ele não sabe o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.
Do ponto de vista partidário e ideológico, 57% responderam que não simpatizam com nenhum partido, ao mesmo tempo que 67,7% também não antipatizam. Será que o murismo chegou a Porto Alegre? Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nascem a prostituta, o menor abandonado, o assaltante e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, o corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais, segue Brecht.
O mais estarrecedor é a resposta ao questionamento sobre regime de governo: 22,7% afirmaram que às vezes, uma ditadura é melhor que uma democracia e outros 6,6% disseram que tanto faz uma democracia ou uma ditadura. Se tudo isso acontece no coração dos porto-alegrenses, imagine-se o que ocorre no restante do Brasil, nos bretes e currais eleitorais espalhados por todos os recantos. É necessário atitudes mais concretas para aculturarmos nosso povo e aproximá-los da vivência política, apesar de que, na maior parte das vezes, a luta diária pelo prato de comida impeça voltar os olhos para outras questões. Os próprios atores do cenário político têm de ser os primeiros a catalisar a população para a sua honestidade, transparência e credibilidade, impedindo prosperar a figura criada pelo dramaturgo alemão: O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política...
- VILSON ANTONIO ROMERO, jornalista, Porto Alegre
Fanfarra
Em relação à carta do leitor João Batista, publicada dia 13, sobre o desfile de 7 de Setembro, reconhecemos e admitimos que os desfiles nesta data cívica tão comemorada outrora se encontram apagados de seu brilho e entusiasmo, principalmente em Londrina. Agradeço ao leitor por lembrar-se de meu nome como um dos instrutores de bandas marciais e fanfarras, junto a nomes fortes do esporte e turismo. Sob a idealização do professor Wilson, instrutor da banda do Vicente Rijo, foi criada a Associação de Bandas e Fanfarras do Paraná, que organizava os desfiles de setembro e dava apoio total aos instrutores e componentes das bandas. Por motivos e desinteresses políticos, esta associação foi extinta e com isso arruinou o encanto e beleza dos desfiles. A consequência direta foi o desmanche das bandas e seus instrumentos foram jogados no ferro-velho.
Recentemente foi proposto em conversa informal a um dos diretores do Colégio Marista uma nova formação de sua então gloriosa fanfarra marcial. Foi receptiva a idéia, mas infelizmente, por motivo de transferência do seu principal membrou, voltou-se a estaca zero. O entusiasmo pelas bandas marciais não se acaba de um dia para outro. Quem não tem na lembrança as cornetas e os tambores do Champagnat, Vicentão, Anchieta, Filadélfia, Marista e nosso querido Aplicação?
- GLAUCO ANTONIO VIEIRA BORBA, Londrina
Igreja e política
Se alguém te perguntar se a Igreja faz política, responda que sim! A Igreja sempre fez e sempre fará política! Sendo a política a arte de governar e administrar a comunidade, cabe a ela participar desse governo e dessa admistração, iluminando a realidade a partir do Evangelho. Como qualquer pessoa, e/ou grupo legalmente organizado, a Igreja não tem apenas o direito, mas o dever de lutar pelo bem comum!
As coisas que Jesus falou sobre justiça, igualdade, promover a vida devem se levadas em conta hoje. Senão, podemos queimar a bíblia, pois, será uma palavra morta. Aquele que compactua com o erro e com aqueles poderosos dominantes é medroso, inseguro, da mesma turma. São fracos, escolhidos por serem assim, pois são dominados facilmente. Não possuem vontade própria. Há pessoas que se arrepiam quando ouvem falar da dimensão política da mensagem de Jesus, como se, respeitando os limites de seu tempo, ele não tivesse sido homem político.
Até hoje você foi lembrado ou atendido no que precisava? Portanto, é preciso saber o sentido de luta, se ficarmos à deriva, o primeiro barco que passar trazendo o irrisório, como pode já estar acontecendo, pode levar nosso ouro. Você tem preço? Espero que não, pois quem vende seu voto está vendendo e perdendo a própria dignidade.
Quais as lideranças políticas que traíram ou estão traindo o povo? O que prometeram? O que fizeram? Merecem sua confiança? Não podemos olhar só para nós mesmos, mas vermos que temos uma responsabilidade para com os outros. Assim fazem os maus líderes, olham só para si e os outros que se danem, chega! Os traidores do povo que se cuidem, pois, o povo unido, jamais será vencido.
- JOSÉ FRANCISCO BATISTA, Leópolis
Caos
Londrina não é um caos. O caos da vida está detectado em alguns dos formadores da cidade, ou melhor destruidores. Concordo plenamente com o jornalista Walmor Macarini (Londrina não está no caos, artigo publicado ontem), no que tange a repeito da cidade na sua totalidade. A única realidade que podemos detectar como um caos em nossa cidade, é quando olhamos para as especificidades, como por exemplo os diversos bares da noite. Há um bar na cidade que é um verdadeiro caos, que leva jovens à prostituição, bebedeiras, drogas, infidelidade e destruição do sistema familiar.
Lugares como estes que transformam todos os finais de semana jovens em trombadinhas, maconheiros, viciados vivendo na total liberdade a céu aberto e influenciando cada vez mais outros jovens e nenhum administrador resolve esta situação. Deve-se pensar na cidade também como uma escola. Não dá mais para depender apenas da família para educar, pois este papel está ficando cada vez mais difícil. Este lado da cidade sim, está ficando podre. Nenhum problema social será resolvido em nossa cidade se esta não virar uma escola educativa, a começar principalmente pelas raízes: a família. A nossa cidade só precisa mudar o sistema de segurança que não tem um mínimo de estratégia e nossos políticos adquirirem uma conduta mais séria e uma linha de raciocínio social e não egoísta.
- SÉRGIO DE GOES BARBOZA, sociólogo, Londrina
Correção Luiz Carlos Bracarense (PPS) é candidato a vice-prefeito na chapa de Nedson Micheleti (PT) e não de Luiz Eduardo Cheida (PMDB) à Prefeitura de Londrina, como foi publicado ontem, na coluna Na TV, página 6. O candidato a vice de Cheida é Wanderley Batista da Silva (PTB).
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]





