O LEITOR ESCREVE
TV como patologia
Um incêndio na torre da TV Ostankino, em Moscou, deixou a maioria da população da capital russa impossibilitada de ver programas televisivos, provocando mudança de hábitos na vida dos moscovitas. Este problema na torre suscitou uma questão importante, que não diz respeito não só ao povo russo, mas à maioria da população do planeta: a patológica dependência das pessoas aos meios de comunicação, especialmente, à televisão.
Até hoje, muitos especialistas ficam intrigados com o enorme poder de sedução da televisão e como ela é utilizada para banalizar valores culturais. É incrível como o grotesco e o medíocre seduzem, ao ponto das pessoas assegurarem os maiores índices de audiência aos programas cujo apelo à violência e à erotização são a tônica de suas apresentações.
Quando os russos se viram sem tevê, muitas pessoas ficaram sem saber o que fazer e entraram em crise de histeria e pânico. Como preencher o tempo? Conversar sobre o quê? Falta assunto, falta motivação, é o horror. A vida dos moscovistas se tornou um pesadelo. isso porque faltou o preenchimento de suas vidas vazias de outros conteúdos, de outros valores e outros sentidos mais autênticos. Desesperados, os moscovitas invadiam ontem, dia 29, as lojas para comprar vídeos, contou Helena Womack, do The Independent. A dependência de confirmou como patologia social.
O que aconteceu em Moscou é um alerta: o hábito de ver gera dependência; não há mecanismos de controle sob o aspecto ético do que se exibe na TV e acaba prevalecendo o grotesto; e com a televisão e a internet ficam reduzidas as motivações à leitura e ao diálogo. Tudo isso tem consequêncuas patológicas para a sociedade em geral. Como tornar a televisão e a internet em instrumentos a serviço da vida? Eis uma das grandes questões do próximo século.
- VALMOR BOLAN, Santo André (SP)
Campo Mourão
Campo Mourão está sentindo na carne a falta de força política. Nas passadas eleições tínhamos condições de eleger dois deputados estaduais e um federal. Elegemos um deputado federal e conseguimos que outro ficasse na suplência de deputado estadual. A desunião dos políticos mourãoenses tem causado grandes prejuízos à cidade. Nas ditas eleições, as pesquisas indicavam claramente os candidatos com chances de serem eleitos; mas os candidatos nanicos não tiveram a humildade e grandeza de renunciar.
Agora que o governador vetou o projeto da Universidade Estadual de Campo Mourão vemos a choradeira. Que este fato sirva de lição. Disse o prefeito em exercício de Campo Mourão, Márcio Nunes: Os filhos de Campo Mourão e da região têm o mesmo direito que os filhos de Maringá, Cascavel e Londrina, é uma verdade inconteste. Pedimos aos deputados estaduais que se sensibilizem e derrubem o veto do governador. Aprovem o projeto da Unescam para o bem da região e consolidem seus nomes como bons representantes do povo.
- FRATERNO MARIA NUNES, aposentado, Campo Mourão
Soropositivos
O prefeitura de Curitiba demonstra-se totalmente insensível à causa dos portadores do vírus HIV, pois se recusa a implantar na capital solidária lei que beneficie os portadores, concedendo a isenção no transporte coletivo. A carteirinha de passe livre já é concedida em algumas cidades graças à luta dos soropositivos bem como a sensibilidade dos administradores. Aqui é diferente, e indiferente é tratado assunto junto a Urbs, FAS, e ao gabinete do próprio prefeito.
- CÉLIO BORBA, Curitiba
Seriedade, sim
Muitas e diárias têm sido as manifestações dos leitores sobre a atual Câmara de Londrina. O que demonstra, na prática, o quanto o Legislativo é importante para a vida da nossa cidade. Afinal, é primeiramente ao vereador que a população recorre e apresenta suas reivindicações. Por conta disso, é também o vereador o político que, numa linguagem popular dá a cara prá bater. As manifestações dos vereadores têm sido claras e abertas e, não é de se admirar que não agradem a todo mundo. E está justamente aí a riqueza política. Temos com certeza uma Câmara democrática, que reúne diferentes posições políticas e toma decisões no voto. Deveria ser diferente?
No entanto existem aqueles que acabam responsabilizando a Câmara por todos os problemas da Prefeitura. Na seção de cartas de sábado deste jornal, o administrador Maurício José Sanches mostrou que desconhece a realidade do orçamento e das ações políticas da Câmara de Londrina. O orçamento do Legislativo contempla apenas o que é necessário. Sem medo, posso afirmar que é uma das estruturas mais enxutas do País. Nosso orçamento anual está na faixa de 2,8 a 3,2% da arrecadação da Prefeitura quando, na verdade, a lei nos faculta usarmos até 6% deste valor. Os vereadores não recebem pela realização de sessões extraordinárias, 13º salário e férias. E certamente não foi por vontade dos atuais vereadores que o Secretário da Fazenda reduziu o valor repassado por aluno das 80 escolas municipais. Aliás, tem sido regra nas discussões da Câmara, aumentar os recursos destinados pelo Executivo aos setores da Educação, da Saúde e da Segurança.
A Câmara também não é composta de inatingíveis ou reféns políticos. Ao contrário de muitas ações do Executivo e do próprio Judiciário, o sigilo não é prática no Legislativo. Todo o processo Legislativo é aberto e transparente. As ações dos vereadores são de conhecimento público, demonstradas abertamente através do voto, com amplo acompanhamento da imprensa e da população. Por isso sabemos que a Câmara que decidiu não dar prosseguimento às investigações da CP Sercomtel foi a mesma que cassou o mandato do ex-prefeito Antônio Belinati. Cassado, o ex-prefeito não têm mais mandato e a Câmara não pode julgar cidadãos, apenas vereadores e prefeitos no exercício do poder. Esta é a regra democrática do exercício político. É assim que a Câmara exerce o papel político que emana do povo e não de apenas alguns setores da sociedade. Aliás, a quem interessa uma Câmara enfraquecida? Quem sai fortalecido deste linchamento que se faz contra o Legislativo? Certamente, não é população.
- FLÁVIO VEDOATO Presidente da Câmara Municipal de Londrina
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]





