O LEITOR ESCREVE
Câmara Municipal de Londrina
Esta Casa, num passado não muito distante, deu voz e acolheu em seu seio homens cujo patriotismo e envergadura moral souberam direcionar a nossa querida Londrina para posições gloriosas, em termos nacionais. Esta mesma Casa, hoje, acolhe homens, infelizmente a maioria, cuja ganância e pobreza espiritual a denigrem, apesar dos exemplos lá ofertados abundantemente pela conhecida e destemida minoria, merecedora do respeito e reconhecimento de todos.
Ela hoje não apresenta condições confiáveis de decidir com coerência, pois foi capaz de votar pelas investigações das denúncias da venda das ações da Sercomtel, a supercompra de marmitex e o pagamento do show que não houve e após dois dias a maioria decidiu pelo arquivamento da Comissão Processante sob uma alegação chula, porém salvadora.
Sabiam os senhores edis que o Movimento Pela Moralização da Administração Pública quando apresentou a denúncia não queria somente a cassação do prefeito quase esperto, queria saber as ramificações da quadrilha bem como os nomes dos cúmplices e, principalmente, onde se encontra o dinheiro roubado para providenciar o seu retorno.
A presença temida e assustadora daquele, outrora correligionário político e hoje um algoz documentado, determinou os votos necessários para o arquivamento foi o que deduziram os munícipes. Se a simples visão de algumas fitas acovardou todos os votantes pró-arquivamento, só o cassado sabe, porém se algum inocente votou pró, certamente acovardou-se por motivos inimagináveis para o simples contribuinte, e acabou prestando mais um desserviço à comunidade, que lhe paga os salários e dele espera retidão.
É muito triste para o orgulhoso povo londrinense simplesmente imaginar o seu ambicioso ex-prefeito, de origem plebéia e hoje um pobre e repugnante milionário, colocando os representantes do povo na condição de reféns de si mesmos e os obrigando a assumir de público o que realmente são, para a vergonha de todos os seus. A época é oportuna e o quadro político está claro, renovar para melhor é não reeleger aqueles que perderam a grande oportunidade que tiveram para serem grandes, e devolver à nossa Câmara toda a dignidade que lhe é inerente.
- CARLOS ROBERTO MIRANDA, industriário, Londrina
Eleições
O artigo 1º, parágrafo único de nossa carta política diz: Todo poder emanado povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta constituição. Velha máxima: o papel aceita tudo. Aceitou essas palavras bonitas, mas que na verdade são uma mentira só. O povo não quer nem 5% de tudo que é aprovado pelas Câmaras de Vereadores, Assembléias Legislativas, Câmara de Deputados e Senado. Obviamente o que é aprovado não pode alcançar o interesse de cada um, mas no conjunto geral de normas deveria beneficiar quase 100% do povo.
Na realidade acontece o contrário, quase 100% do conjunto de normas não beneficia o povo. Beneficia sim, aqueles que não consideramos povo, que são os políticos. Pois são os verdadeiros autores das leis e as fazem de autoria própria ou a pedido dos executivos para beneficiar os próprios. O povo quer que os políticos sejam investigados, mas que algumas investigações feitas não permanecem em segredo (lei da mordaça). O povo não quer que os valores pagos por eles aos cofres públicos, sejam desviados, quer para campanhas políticas, inaugurações de prédios públicos e outros (caso de Londrina e em muitas outras cidades, segundo noticiado pela imprensa)...
Se fôssemos enumerar tudo aquilo que o povo não quer e é feito pelos políticos daria centenas de laudas. Obviamente não são todos os políticos autores de leis que os beneficiam, salvam-se uns 5%. Tudo isso é colocado em prática quando a população vai às casas de leis, às ruas e exige que seu voto seja respeitado, tal como aconteceu em nossa cidade. Pois se não fosse o povo, parte dele, até hoje não teríamos nenhuma investigação na Câmara para apurar as irregularidades. Pensem nisso. Votem com consciência.
- RUBENS BATISTUTE, Londrina
Balança
Poucos sabem que existem hoje no mundo 1,5 bilhão de pessoas que passam fome e vivem com menos de US$ 1,00. Isto é, abaixo da linha de miséria. Enquanto isso existem também 1,6 bilhão de pessoas, principalmente nos países do G7, e daqueles que não fazem a distribuição de renda com seu povo, entre eles o Brasil, que agora estão congestionando as clínicas especializadas e endocrinologistas, para reduzir o tamanho de seu estômago, pois a obesidade está matando mais que a desnutrição. Ironia do destino. Um quer engordar, outro quer emagrecer.
- JOSÉ PEDRO NAISSER, Curitiba
Árabes
Prezado Valmor Macarini: significativo e interessante seu artigo sobre os árabes publicada na última quinta-feira. Com humor e simplicidade, traçou um retrato fiel dos patrícios que ajudaram a construir não só Londrina, mas boa parte do Brasil. Paulistano, filho de libanês dono de lojinha, sempre identificado com Londrina, apesar de morar em Curitiba, quero cumprimentá-lo pela sensibilidade com que escreveu sua crônica.
- TEOFILO BACHA FILHO, Curitiba
Nietzsche
Cem anos depois, relembrar Nietzsche é retornar a Nietzsche. É ter a sensação de que Ecce Homo continua muito próximo, muito vivo. O Anticristo teve uma existência complicada. Espírito extremamente crítico, alternando momentos de euforia e depressão, numa dessas recaídas, Nietzsche evidenciou a odisséia humana: A vida é o eterno retorno das coisas, se houvesse algum sentido, alguma finalidade já teríamos atingido. Ele tinha razão, o eterno retorno das coisas é facilmente aceito na explicação de muitas neuroses e manias humanas.
Embora seu trabalho não tivesse o merecido reconhecimento, nunca deixou que o alienasse. Espremia os miolos numa busca solitária que a todos passava despercebida, produzindo uma obra original que ultrapassou os tempos. Teve muito pouco da vida, poucos amigos, poucas amantes. Mas produziu e escreveu muito. Influenciou muita gente (filósofos, pensadores, políticos, cientistas). Sigmund Freud teria confessado mais tarde o cuidado que teve com escritos do sábio alemão. Tudo o que jorrou de Nietzsche não pode ser considerado absoluto, mesmo porque, nada é completo. Sempre persistirá a idéia de que existe algo a fazer, algo que deve ser melhorado. Mas deve ser feito agora, no próximo segundo, senão o tempo vai e daqui a pouco pluft. Cadê você? Assim falou Zaratustra.
- ANTONIO AZEVEDO, engenheiro, Santa Cruz do Monte Castelo
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