O LEITOR ESCREVE
Seriedade?
Li recentemente sobre a empreitada do secretário municipal da Fazenda, professor Francisco Simões, em cortar gastos para equilibrar o deficitário caixa da Prefeitura de Londrina. Algumas medidas já foram colocadas em prática, como o corte nas viagens para capacitação de funcionários municipais. Em outra medida, o secretário está querendo reduzir o repasse mensal para a Câmara de Vereadores de R$ 600 mil para R$ 500 mil. Mas para a nossa surpresa e decepção, nossa inatingível Câmara Municipal acha inviável reduzir seus custos.
O que mais revolta nesse caso é que o valor repassado aos alunos das 80 escolas municipais, que já foi reduzido de R$ 2,60 para R$ 2 como também as Associações de Pais e Mestres (APMs) mesmo com as mensalidades atrasadas desde o ano anterior passaram pela tesoura da Secretaria Municipal da Fazenda. E nossos inatingíveis legisladores não podem contribuir. Quando sua participação em momentos importantes da vida de nosso município é cobrada, nossa Câmara Municipal faz política, como o que ocorreu com o arquivamento do processo da CP da Sercomtel. Eles não deveriam trabalhar pelo povo e para o povo? Não há mais seriedade.
- MAURÍCIO JOSÉ SANCHEZ, administrador, Londrina
Transformação
Vivemos, como sempre acontece em campanhas eleitorais, momentos que os candidatos sofrem uma verdadeira transfiguração, às vezes, até
bem-intencionada. Em todos os quadrantes do Brasil, Londrina no meio, os candidatos ficam bonzinhos, dóceis, inteligentes, prestativos, sorridentes e capazes de solucionar tudo, até o impossível. De qualquer forma, como não podemos cuidar de todo Brasil, seria bom prestarmos atenção em Londrina, principalmente quanto às propostas e promessas, grande parte absurda e inexequível.
Bom mesmo seria a existência de uma cartilha para o eleitor. Temos candidatos a vereador se propondo a resolver assuntos da esfera federal e até nos acenando com uma comunidade cheia de felicidade, prosperidade e segurança, caso seja eleito. Nos candidatos à prefeitura, há grandes fantasias no pedaço, com propostas impraticáveis. O eleitor deve perceber quando está sendo convocado para fazer papel de idiota. Sempre há no caldeirão dos candidatos gente digna e de confiança que faria diferença no futuro.
É incorreto votar por simpatia ou camaradagem e ficar, nos anos subsequentes, reclamando da má ordem política. A verdade é que quando no País reina a transgressão os chefes se multiplicam; mas o homem sensato e prudente mantém o direito. Se tivéssemos Câmaras com vereadores sem salário e com compromisso pré-estabelecido, por certo não teríamos tantos candidatos, mas, os teríamos apenas interessados realmente em soluções comunitárias.
- EDSON HERINGER, Londrina
Chantagem da PUC
Li com indignação a informação de que a PUC ameaça desistir de vir a Londrina (Folha do dia 6) se o município (ou seja nós) não doar um terreno para ela se instalar. O que mais indigna não é tanto a arrogância da chantagem do reitor Clemente Ivo Juliato, mas a promiscuidade com que os vereadores tratam desta questão, que segundo a Folha ... se mostraram bastante receptivos à instalação do campus da PUC em Londrina.
Segundo a Folha, o vereador Célio Guergoletto disse que a preocupação maior não é com a desapropriação e a doação do terreno. Claro que não. Pois não é ele quem vai pagar, mas o contribuinte de Londrina. Da mesma forma, essa Câmara não tem compromisso com o que é feito dos recursos da Sercomtel, patrimônio dos londrinenses...
Tentando justificar o injustificável, o reitor da PUC disse que a mesma é uma entidade filantrópica sem fins lucrativos e ainda que é uma instituição pública de gestão privada, o que é uma falsidade completa, pois a PUC é sim uma instituição privada vinculada ao Vaticano, com reconhecidas vinculações ao sistema financeiro internacional. Além disso, a filantrópica PUC cobra, segundo a Folha, mensalidades de R$ 400 ao mês.
A doação de um terreno em região nobre da cidade não tem outra finalidade a não ser favorecer um grupo particular, neste caso vinculado à Igreja Católica, mas nem por isso menos particular, e deve ser repudiado pela consciência democrática desta cidade.
- EVARISTO EMIGDIO COLMÁN DUARTE, professor universitário, Londrina
IPTU
O IPTU nunca ocupou tanto a mídia como nos dias atuais. A inadimplência, as manchetes e as ações municipais têm comprovado que os valores cobrados pela prefeitura não só estão superfaturados, como fora do alcance da população. Não precisa ser economista para saber que há bem pouto tempo, o IPTU era pago sem muitas dificuldades. Não havia necessidade de prever tal despesa. A lógica, que deveria prevalecer até hoje era simples: Pagando menos, todos pagam. Quando as taxas são elevadas, o recolhimento fica restrito às classes de menor poder aquisitivo. Também não é novidade dizer que quem paga imposto no Brasil é somente o pobre e pequenos empresários.
O problema ocorreu na mudança do cruzeiro para a URV e o real. Com a lei da URV nº 8880, de 27 de maio de 1994, seguida da lei do real nº 9069, de 29 de julho de 1995, os aluguéis, por intermédio da Tablita, tiveram uma redução de 66%. O mesmo não ocorreu com o IPTU que, ao invés de sofrer redução, foi exorbitantemente aumentado em quase três vezes o seu valor. Quem em 1994 pagava R$ 50 de IPTU, hoje paga R$ 150. Isso é facilmente comprovado pegando os carnês dos anos anteriores e os atuais.
A redução do IPTU é urgente. As classes pobre e média estão dobrando os joelhos diante do peso das medidas municipais e os grandes empresários não estão podendo pagar.
- SINÉZIO SCUDELER, presidente do Sindicato Patronal do Comércio Varejista de Londrina e Região
Balela
A coisa mais sensata que li no Dia da Pátria foi o texto O Imperador e a Plebéia uma conversa de arrepiar, escrita pela jornalista Carmen Ribeiro (colunista da Folha em Maringá). Afinal, a Nação está numa esculhambação completa, pouca coisa se salva. A classe dirigente sempre governou o País, exceto no período Vargas, mas não se visualiza alternância no poder, os pobres e a classe média não têm perspectiva, pressinto o aumento da violência e dos assaltos, o que é indesejável, e parece que não há como fazer um pacto social. Nosso País é uma grande nação, mas entregue nas mãos de ladrões e calhordas. Parece que a esperança reside no Judiciário. Será que a gente deve continuar acreditando e trabalhando pela virtude e pelo bem, ou isso é uma balela?
- OSVALDO BAPTISTA DO PRADO, advogado, Londrina
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