Eleições
Ser cara-de-pau é marca registrada do político corrupto. Enquanto os ladrões comuns escondem o rosto diante das câmeras de TV, ele adora aparecer. Vê nessa divulgação de sua imagem e da sua voz melada de hipocrisia uma oportunidade ímpar de se redimir diante do povo. Aposta na falta de senso crítico da grande parte da população que, por ter a barriga roncando de fome, é incapaz de refletir e de aspirar qualquer coisa além de uma cesta de alimentos ou de algum falacioso favorzinho e se sente como num paraíso, amontoada em conglomerados urbanos semifavelados em que foi excluída e confinada nas bibocas, fora da cidade. Crê firmemente que a mentira, insistemente, repetida se traveste de verdade. Sabe que o dinheiro roubado aos milhões compra popularidade e faz calar aqueles que deveriam condená-los, porque emaranhados, também, na teia de corrupção urdida, engenhosamente, por ele. Enfim, ter a certeza da impunidade e por isso se expõe, sem sequer corar de vergonha.
- JOÃO PIRES, professor, Londrina
Lição de cidadania
O maior orgulho que um professor sente é quando consegue ver frutificar as sementes que planta durante o processo de ensino. Hoje, mais uma vez me sinto orgulhoso por ser professor. Num momento em que toda a sociedade londrinense clama pelo fim da corrupção e quando a intenção da grande maioria dos eleitores é anular o voto por força da divulgação de tantos desmandos na área política, o que conseguimos com nossos alunos nesta Semana da Pátria foi uma lição de civismo e de cidadania.
Após a realização de um projeto que ofereceu a eles o acesso a todas as etapas de um processo eleitoral, passando por comícios de candidatos, debates, pesquisas eleitorais e tudo o que acontece durante este período, o que vimos foram os jovens despertando para a necessidade da mudança de postura diante das eleições. Ficou claro para eles que votar é uma questão de consciência e que o voto pode determinar o futuro de todos nós. A participação de todos foi intensa, viveram o clima eleitoral com muita decência e deram provas de que aprenderam bem a lição.
Estou orgulhoso por isso! Esperamos que o trabalho desenvolvido aqui e mostrado pelos telejornais de nossa cidade sirvam de exemplo para outras escolas, porque, com certeza, se quisermos ver mudança de postura em nosso governantes temos que estabelecer como prioridade a conscientização de nossos jovens, pois é na escola que conseguiremos oferecer os subsídios necessários a eles para que se tornem cidadãos conscientes e críticos o suficiente para fazer com que este País seja para nós, um dia, motivo de grande orgulho também.
- JEFERSON LUÍS INÁCIO, professor, Londrina
Dr. Clímaco
Conheci-o melhor em julho de 1949, quando deputado, já famoso pelo seu discurso em latim na Assembléia, rebatendo pronunciamento do deputado comunista Vieira Neto, sobre a entronização de Cristo na Assembléia. Para ele, Cristo era importante e precisava estar presente aos trabalhos daquela casa. Daí em diante nossa família jamais se afastou dele. Éramos e somos até hoje agradecidos pela indicação que fizera de meu pai para assumir um dos cartórios em Arapongas.
A ele eu recorria nas horas de indecisão, buscando seus conselhos para melhor administrar Arapongas nos idos de 1955. Admirava sua inteligência e sua facilidade para línguas. Autodidata nato, ele falava e escrevia alemão e depois de tanto insistirmos fez sua primeira viagem à Alemanha. Seu consultório, no fundo de sua residência, era ponto de encontro de representantes de laboratórios, que aos sábados passavam horas em conversas animadas. Ali recebia seus clientes, geralmente pobres e que levavam inclusive amostras grátis.
Durante seu mandato de deputado votou na criação do município e comarca de Arapongas, cidade que ele admirava e onde possuía uma propriedade rural. Fixou residência em Londrina, e jamais dela se separou. Amou-a como ninguém. Serviu-a com dedicação. Sua fé cristã aproximou-o de D. Geraldo Fernandes, tornando-se seu amigo e confidente. Aprendi a admirá-lo e a respeitá-lo. Partilho com seu filho adotivo a dor de sua ausência. Não fosse Dr. Clímaco e talvez nossa família não teria participado de maneira decisiva na vida de Arapongas, fez-me político e a meu irmão Antonio, responsáveis que somos por muitas realizações na Cidade dos Passarinhos. A sua vida confundiu-se com a de Londrina, que viu partir em agosto o melhor de seus filhos adotivos.
- COLOMBINO GRASSANO, deputado estadual, Arapongas
Artes plásticas
É com pesar que nós da Fundação Cultural de Ibiporã e a comunidade ibiporaense recebemos a reportagem publicada neste jornal dia 16 de agosto realizada por Rubens Pileggi Sá (Coluna Alfabeto Visual). Nós conhecemos a iluminação e os painéis adequados para tal evento, mas também conhecemos o problema que a cultura enfrenta neste País, pois não é fácil encontrar patrocinadores, e como trabalhamos com o dinheiro de contribuintes não poderíamos utilizar de cofres públicos. Não que os artistas e suas obras não mereçam os melhores equipamentos, mas infelizmente existem outras prioridades a serem realizadas pelo município.
Gostaríamos de saber se Rubens Pileggi Sá possui alguma formação em arte, pois ao julgar os trabalhos ali expostos, duvida da capacidade dos jurados que a Coordenadoria do Sistema Estadual de Museus (Cosem) e a Associação Profissional dos Artistas Plásticos do Paraná (Apap) designaram para este salão. E se a forma de expor as obras fosse uma violência (como foi descrito na coluna) os artistas com certeza não mandariam mais seus trabalhos. Só para informar, o nosso 1º Salão de Artes de Ibiporã, promovido pelo Estado, recebeu 345 obras de 119 artistas de todo o País.
- ANDREA LUIZA DA SILVA, coordenadora de artes plásticas, Ibiporã
Nota do colunista Rubens Pileggi Sá Na qualidade de colaborador e colunista deste jornal e de artista participante do Salão de Artes de Ibiporã, devo dizer que minhas objeções quando aos problemas técnicos e curatoriais do mesmo, permanecem. A função da crítica é a de estimular o debate das idéias, possibilitando aos agentes culturais que se posicionem frente ao público, tarefa difícil, mas necessária.
Assinatura
Tenho interesse em assinar a Folha de Londrina, especialmente pelo caderno Folha Rural. Gostaria que vocês enviassem as informações de custo.
- A.D.T BRADBURY, Inglaterra
NR A Folha está enviando pelo Correio informações solicitadas pelo leitor. Enquanto isso, ele pode visitar o site www.bonde.com.br que traz diariamente as edições da Folha.
Correção
- Diferentemente do que afirma a reportagem ‘‘TCs são ineficientes, diz estudo’’, publicada na edição de ontem (página 6 do Primeiro Caderno), Lysete Pohl, consultora técnica aposentada no Tribunal de Contas do Paraná, não é sobrinha do ex-conselheiro João Féder, e Agileu Carlos Bittencourt, consultor técnico em atividade no órgão, não é cunhado do conselheiro Nestor Baptista.
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]

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