O LEITOR ESCREVE
Dívida com morte
Nascer endividado, viver endividado, morrer endividado... é o destino de todos os pobres do Terceiro Mundo, a fatalidade da nossa América. E ser assim endividado equivale a ser proibido de viver. A dívida externa é a morte interna. Acabamos habituados a essa guerra total, a mais mortífera de quantas guerras a história humana registra. A expressão máxima da dominação internacional. O crime maior do capitalismo. Guerra, dominação, crime, por outro lado, cinicamente justificados no Direito Internacional: trata-se de uma dívida, e dívida é um dever e um direito, e as dívidas se pagam.
Nossos políticos, os acordos internacionais, a consciência desmobilizada ou subserviente vêm fazendo da dívida externa a constituição real dos nossos povos subjugados. Por causa da dívida, não podemos fazer reforma agrária, por causa da dívida, não podemos atender nem à saúde nem à educação nem aos salários... Somos quintal do FMI, a barraca do Banco Mundial. Contestar a dívida é ingenuidade política, fuga histórica, irresponsabilidade econômica. E continuamos pagando, não a dívida, mas apenas seus juros: US$ 11 bilhões por ano do nosso depauperado Brasil!
As Igrejas históricas, neste País, sem populismos nem irresponsabilidades, por princípios éticos e por exigência evangélica elementar, já declararam conjuntamente que a dívida externa é imoral: não pode ser paga, nem deve ser paga. Mas o senso comum e as estatísticas honestas sabem muito bem que já pagamos essa dívida, com juros de espoliação, miséria e morte.
Se alguma solidariedade conjunta pode salvar nossa América do colapso econômico e social a que o Primeiro Mundo e seus mecanismos nos condenam, ela seria a vontade conjugada, latino-americanamente unida, de não pagar a dívida externa. Sempre será mais ingênuo, mais cínico, mais suicida pagarmos para morrer, para ver nossos povos aniquilados pela fome, pelas doenças, pela marginalização mundial.
- PEDRO CASALDÁLIGA, bispo de São Félix do Araguaia (MT)
Banestado
Na onda das notícias está a privatização do Banestado, de nada adianta o inconformismo e a luta daqueles que são contrários porque os políticos já decidiram. Da mesma forma como entregaram o Bamerindus entregarão o Banestado. E os políticos, os deputados paranaenses, onde estão? Pelo visto estão calados e satisfeitos esperando que ninguém se lembre deles neste momento. Não podemos deixar passar esta oportunidade de mostrar, agora, o que eles fizeram com o Banestado. Primeiro foram os empréstimos tomados pelos deputados (de Cascavel, Cambé, Londrina, Curitiba etc) e depois o golpe dado pelos amigos de Lerner que dirigiam a Leasing do Banestado. E para encerrar, assistiremos a doação do que sobrou aos que investiram nas campanhas políticas dos eleitos.
Abra a boca e a Polícia faz o que sabe, baixa o pau. É isso aí, amigos paranaenses. Os melhores negócios do mundo eram da China, mas agora estão no Brasil do FHC e seus compatriotas partidários. Sabemos muito pouco do que acontece por trás dos bastidores da administração pública e agora até FHC quer a aprovação da Lei da Mordaça. Para quem não sabe, de todo projeto de lei que libera verba federal, é destinado ao fundo partidário 10% dessa verba. Todos os partidos recebem sua parte, até os da oposição.
É o povo quem paga isso. Quem paga bilhões para o saneamento do Banestado, quem paga a multa de mais de US$ 1,5 bi da Embraer etc. E nós aqui de baixo, pobres eleitores, ficamos segurando o rojão dessa gente safada e corrupta. Temos eleições próximas para dar o troco, mas o eleitor ainda não aprendeu a separar o joio do trigo e insiste em acreditar na política do coronelismo e nos forrós de praça pública. Assim continuaremos ouvindo New York, New York até aprender. Quem sabe veremos apenas o videotape.
- JOSÉ CARLOS SIMIONI, Ribeirão Claro
Debate
A pergunta correu pela cidade: Que achou do debate? E a resposta de quase todos os interrogados: Morno! Quer dizer, nem frio nem quente. E sabemos pelo Evangelho que Deus a suprema Verdade detesta o morno. Dizei somente Sim, se é sim; Não, se é não. O debate deve ser quente no sentido da exposição clara e firme das propostas, e da retrucação direta e segura das respostas. Quente nas palavras e nas frases e na tônica vocal. Perguntas de interesse imediato da comunidade e defesa válida e estribada em argumentos e documentos.
Nada de invencionice e menos ainda de futilidades. Gritar e agredir não convence e não agrada. Nem há motivo de se voltar a passado longínquo em casos inúteis e duvidosos. Pois é sabido que todos na caminhada do dia a dia sofrem tropeços, escorregões e quedas. Acontece, porém, e quão louvável a conversão. Foi ontem, hoje, porém, não é mais. Vamos, pois, senhores, para um debate mais esclarecedor e, logicamente, mais convincente. Assim, depois do segundo entrevero, teremos a bela resposta: Foi quente, valeu. E para terminar, nada de ofensas porque, no meu sentir, quem ofende o adversário ofende o telespectador e perde pontos.
- EDUARDO AFONSO, Londrina
Três exemplos
Em benefício de muitos e hoje lembrados por poucos, enquanto aqui estiveram e viveram, deram sempre o melhor de si, cumprindo aquilo que o criador determinou. Estamos falando de Jacques Custeau, que dedicou sua vida inteira na luta e preservação da natureza e da vida, principalmente os oceanos e deixou um legado na ONU, pelo direito às gerações futuras. Contudo, a Fundação Custeau não conseguiu dar continuidade ao ideal do grande comandante. Os interesses pessoais e comerciais prevaleceram numa causa jurídica entre seu filho e a segunda esposa.
Na mesma linha e com um ideal elevado, o mundo também perdeu a incansável madre Tereza de Calcutá, considerada a mãe dos excluídos, órfãos, renegados pela sociedade. Na Ordem de Madre Tereza, sua sucessora Irmã Nirmala, não consegue hoje recursos para levar avante o ideal dessa que foi um dos maiores símbolos e cumpridora dos mandamentos de Jesus Cristo aqui neste Planeta.
Apesar de pouco tempo de vida aqui na Terra, uma princesa que, como poucos na história da humanidade, conseguiu conciliar o ter e o ser. Falamos da princesa Diana, que no ter, organizava jantares, leilões de seus pertences, festas e eventos, que conseguiam angariar fundos para milhares de instituições carentes em todo o mundo. No ser, ela praticava como poucos o ato de amor, solidariedade, estendia a mão para os leprosos, beijava na face as crianças com HIV, dava de comer a crianças com câncer, oferecia o ombro amigo a vítimas das terríveis minas terrestres. Alguém ficou no seu lugar? Hoje (31 de agosto), aniversário do passamento para o outro lado da vida, sua Fundação está desativada por ordem da realeza, que nunca conseguirá saber o porquê de tantas ações em favor dos menos favorecidos pela sorte e o destino. Enviamos nossas orações para que seus espíritos elevados descansem em paz, na companhia do Criador.
- JOSÉ PEDRO NAISSER, Curitiba
Correção Ao contrário do que foi publicado na página 6 de ontem, a eleição em Ponta Grossa só pode ser decidida no primeiro turno, já que o município tem menos de 200 mil eleitores.
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