O LEITOR ESCREVE
Política econômica
O governo precisa ouvir o povo e rever a política econômica. O povo brasileiro não votou em um modelo econômico sem distribuição de renda e emprego. Os militantes de movimentos sociais e de partidos de esquerda exigem que a política econômica apregoada nos palanques seja cumprida. O presidente Fernando Henrique Cardoso precisa dialogar mais com quem o elegeu para rever o modelo econômico e criar uma política social.
Quando surgiu o real, o povo recebia mais dinheiro, e, agora, o dinheiro evaporou. Urgentemente deve-se fazer uma revisão do processo de privatização e de impostos que não estão cumprindo a função social. A área de saúde não sentiu a criação da CPMF e a população está pagando caro por serviços que não apresentam melhorias. Logicamente, a arrecadação não está sendo aplicada na saúde. Estamos observando que este setor está se agravando cada vez mais. O serviço de telefonia não melhorou. Ao contrário, tornou-se serviço de péssima qualidade.
O governo e Congresso ainda não encontraram formas para melhorar a vida da população. Precisamos de uma urgente reforma política e tributária para introduzir mais o conceito de ética na política e aliviar a carga excessiva de impostos que o povo paga. A sociedade precisa mobilizar-se para forçar o governo a rever a política econômica para gerar mais empregos e fazer uma reforma agrária mais ampla. A sociedade e as instituições integradas entre si deveriam projetar uma nova paralisação nacional, de forma organizada e sem politicagem.
- ANTONIO CARLOS DE MELO, bancário, Porecatu
Televisão
Utilizando a imagem como principal matéria-prima, a televisão causa fascínio, aguça o ego das pessoas de todas as idades, grau escolar, situação econômica e social. Às vezes, a TV troca o objetivo de informar por espetáculos para satisfazer expectativas de parcela da audiência.
Hoje, um dos norteadores dos programas televisivos e telejornais chama-se índice de audiência, que, em certas circunstâncias, chega a determinar qual a matéria que deve entrar, a ordem e o tempo que ocupará no ar. Os preciosos pontos de audência aumentam a quantidade de patrocínios e a arrecadação das emissoras, mas, por vezes, também podem acabar confundindo jornalismo com shows de variedades.
O bom jornalismo é aquele que cultua a isenção e a imparcialidade, sabendo que o seu papel é informar e formar, mostrando os fatos como são, levantando os dois lados da informação, apurando a legitimidade das fontes, produzindo matérias que vão deixar a população bem esclarecida.
Ninguém pode ignorar ou esquecer o que se aprende nos bancos universitários de jornalismo ou deixar-se levar por aquilo que dá mais lucro, banalizando a violência, distorcendo a notícia, mostrando um país cruel. Ninguém está dizendo que um sequestro, por exemplo, não é notícia, mas a forma como esse assunto aparece na televisão e o tempo que ocupa nos noticiários é que devem ser redimensionados e melhor adequados à linguagem audiovisual.
Os programas de auditório também precisam fazer uma reavaliação. Pessoas entrevistadas também não podem ser ingênuas, e perceber que muitas vezes estão sendo usadas para alavancar a audiência. Por isso, é razoável que a população tome consciência, aprenda a discernir melhor o que é exibido e opte pela programação verdadeiramente comprometida com a verdade, isenção e qualidade.
- CARLOS EDUARDO VICELLI, estudante, Londrina
Senhor feudal
Seria possível comprar o céu, a chuva, o sol? Seria possível vender o céu, a chuva, o sol? Não! Coisas do Senhor não se compra, não se vende, se recebe. Mas, Ele, na sua sapiência, deixou para sua cria maior, oportunidades materiais para seu proveito e dos seus, uma porção de terra, muito trabalho e dedicação de todos eram suficientes.
Quantos, na cidade onde nasci e tive os melhores dias de minha vida, também tiveram o seu pedaço de terra? Quantos hoje, por mais que adorassem este pedaço de chão, tiveram que deixá-lo? Muitos deles, que aqui fincaram raízes das mais profundas, deixaram aqui parte do seu coração, para buscar outras oportunidades, afastando-se do nosso recanto (assim chamo a cidade do meu coração, que é Uraí), por não conseguir lutar contra o poder do capital (não sou marxista). O chefe maior, como das outras vezes, disse que nos colocará em lugares felizes, promessas essas outras vezes feitas e não cumpridas.
Nossos rios, antes com água cristalina, hoje recebem seus dejetos. O sangue que antes nele corria pelas mutilações tão apregoadas pelos seus opositores, hoje é água cristalina em sua volta, mas para o grande chefe, a terra sempre foi tratada como mãe dadivosa, que sempre o amamentou e da qual ele sempre sugou tudo, sem dar um pouco de seu amor.
Como dar amor a essa terra dadivosa, parece-me um forasteiro, sem acesso aos seus súditos, ele que há tanto tempo fincou raízes também, mas que ninguém jamais o viu. Vai ficar com essa terra duvidosa e, com artimanhas jogar os seus próximos súditos (filhos) novamente nas tocas dos leões. Como Nero, vai acabar incendiando nossa pequenina Roma.
- PAULO MOZART MACHADO JUNIOR, Uraí
Doutrina moral da Igreja
O monge beneditino Marcelo Barros questionou a doutrina moral da Igreja, em aspectos da sexualidade, defendendo o uso indiscriminado dos preservativos e contestando a condenação da homossexualidade. De linha progressista, Barros salientou outros pontos como a negação do corpo e a rejeição do prazer, inclusive o tema da virgindade de Maria.
Tem sido comum nos dias de hoje em que prevalece um relativismo cultural pessoas isoladas pensarem a doutrina católica de forma independente, não aceitando a posição do magistério da Igreja e a palavra do papa. A tentação do particularismo não leva em conta que o pensamento da Igreja não é opinião vulnerável aos imediatismos e circunstâncias, mas verdades solidificadas na experiência histórica e na profunda reflexão de muitos estudiosos, não só dos dias de hoje, mas dos vinte séculos que nos precederam. Aquilo que a Igreja estabelece como posicionamento não é resultado de particularismos apressados e opiniões convenientes, mas pensamento, fruto de amplo consenso, depois de muita análise. O papa, para assinar um documento pontifício, ouve os mais diversos segmentos da Igreja e da sociedade civil, buscando encontrar a luz adequada para os problemas existentes, sem perder de vista os valores do Evangelho.
Em relação à sexualidade, o papa João Paulo II tem sido um gigante na defesa da fé, não se curvando aos interesses torpes do imediatismo e buscando em várias cartas apostólicas esclarecer os aspectos relevantes dessa completa temática, buscando a coerência necessária para o entendimento, à luz da fé. Imaginem o papa ratificando a permissividade panssexulista de hoje. Em sua encíclica Veritatis Splendor, o papa afirmou que a liberdade deve ser caminho para a verdade. Se isso não ocorrer, o homem passa a ser prisioneiro da ilusão, tendo como consequência direta disso a sua própria infelicidade.
- VALMOR BOLAN, Santo André
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]





