Banestado
Recentemente assistimos na TV um salutar questionamento: como pode o Banestado ser vendido ao preço mínimo de R$ 434 milhões, se o governo emprestou R$ 5,4 bilhões para conter os rombos do banco? Em recente discussão, os diretores do Sindicato Patronal do Comércio Varejista de Londrina e Região, preocupados com questões socioeconômicas como estas, decidiram manifestar-se. Não precisa ser economista para perceber que a matemática está bastante desigual. E mais: além do preço absurdamente baixo, há ainda os créditos tributários que o Banestado tem com o governo federal, que o isenta do pagamento do Imposto de Renda nos próximos 30 anos. Os créditos somam R$ 1,5 bilhão. Ou seja, se o banco for vendido por R$ 500 milhões, o novo dono leva de ‘‘brinde’’ mais R$ 1 bilhão.
Mas, independente deste crédito, como pode o governo vender o Banestado por R$ 434 milhões, ignorando os R$ 5,4 bilhões? Por que o governo não faz o mesmo com os mutuários do Sistema Financeiro de Habitação que, ao contrário, já pagaram três vezes o valor do imóvel e ainda devem? Pior, muitos deles têm seus imóveis leiloados por falta de pagamento, quando na verdade já pagaram e muito o valor real do imóvel. Destes cidadãos o goveno não paga a dívida.
Por que a oposição, acostumada a fazer este papel, não intervém em favor de tantos mutuários que, descapitalizados, já não aguentam pagar a mesma dívida uma, duas e até três vezes? A sociedade não pode e não deve calar-se. A verdade é uma só: quem de fato pagou os R$ 5,4 bilhões do Banestado foi a própria sociedade, com os múltiplos impostos pagos diariamente. Esta é a mesma sociedade que hoje assiste tal dívida ser ignorada.
- SINÉZIO SCUDELER, presidente do Sindicato Patronal do Comércio Varejista de Londrina e Região
Horário político
Nos últimos dias temos a oportunidade de assistir pela TV o ‘‘tão esperado’’ programa eleitoral gratuito. Vemos aquelas pessoas, num tempo recorde de 10 ou 15 segundos, utilizar inúmeros artifícios no intuito de conquistar (por simpatia ou pelo cansaço) o voto do pouco interessado eleitor. Utilizam frases de efeito, pintam-se, penteiam-se, fazem caras e bocas, usam apelidos simpáticos e engraçados. Mas no meu entender, comportam-se como lobos, tentando nos convencer de que são a salvação de tudo. A classe política vai precisar se esforçar muito para tentar mudar o atual quadro de descrédito, por tudo que temos presenciado ultimamente. No entanto, temos um trunfo: se a qualidade do programa não for boa é só desligar a televisão. Pelo menos sobrará um tempinho a mais para as conversas em família.
- WALTER ABOU MURAD, biomédico, Londrina
Obras
Quando as eleições se aproximam, acelera-se a administração pública de Londrina querendo mostrar serviços. Isto é bom, apesar de estranho, por ser obrigação da prefeitura a melhoria da qualidade de vida da população que paga impostos, agilizando as reivindicações cotidianamente.
Tentando ajudar em desabafo e sem pretensão política mas como cidadão, ouso agradecer por algumas melhorias que estão ocorrendo nas imediações do Jardim Igapó, Zona Sul: o semáforo na Av. Inglaterra; o recapeamento asfáltico de várias ruas nas proximidades da Escola Estadual Margarida de Barros Lisboa; asfaltamento das calçadas laterais da Rua Bélgica, desde as barragens do Igapó até o Instituto de Educação Infantil. Quem sabe se essa ação positiva não se complete com a instalação de um posto de saúde, um módulo policial e a tão solicitada sinalização no cruzamento da Cativa, onde o motorista fica perdido sem nenhuma orientação.
Isso é bom, os moradores são gratos. É óbvio que se os administradores públicos usarem bem o dinheiro que entra nos cofres públicos, não o desviando de suas finalidades (como por exemplo os milhões que sumiram, ninguém viu e dificilmente os verá) obras imagináveis poderão surgir em toda Londrina, tornando-a insuperável no território brasileiro! Basta termos administradores honestos e a nossa cidade será bela em todos os aspectos e isto é bom: um baita orgulho na gente que a ama!
- OSVALDO CARDOSO RIBEIRO, professor, Londrina
Retardo histórico
O Brasil foi o último país das Américas a acabar com a escravidão. O derradeiro a adotar a República. Tivemos imperador quando todo mundo já trocava de presidentes. Até 1930, só 1% da população votava, voto era para quem tinha dinheiro e pronto. No fim do século XX é que chegamos a alfabetizar mais de 90% da população. O Japão tomou esta decisão em 1868 e já atingia a meta, mulheres inclusas, em 1910.
Resolvemos fazer uma Constituição em 1988. No ano seguinte caiu o Muro de Berlim. Enfim o mundo descobriu o insucesso dos programas estatizantes e dirigistas dos países do Leste. Resultado: ficamos com uma lei maior sob medida para a ideologia vencida. Para contornar o problema fingimos que boas parcelas da Constituição não existem, basta não regulamentar e não funciona, não é?
Para confundir um pouco mais, a turma que adota qualquer termo em moda, começou a embaralhar as coisas. Liberalismo, que significa liberdade individual e econômica, em um ambiente capitalista, virou, na boca dos dedicados ao emburrecimento geral, sinônimo de capitalismo. Socialismo, que quer dizer capitalismo com intervenção estatal na economia, tornou-se busca de justiça social. Daí acusam o governo social-democrata brasileiro de neoliberal, torcendo tudo e tornando impossível qualquer discussão sensata.
O fenômeno é interessante para a compreensão dos acontecimentos tecnológicos. Ocorre que o Brasil, inserido cada vez mais na economia mundial, vê os lapsos de tempo a que estava habituado encolherem cada vez mais. As tecnologias não mais amadurecem lá fora, para desembarcar aqui quando já se viram todos os seus efeitos. Não temos mais modelos para observar o que sucedeu e tomar uma decisão.
Pela primeira vez temos que optar antes que o mundo todo se incline para lá ou para cá. Isto exige capacidade de crítica e uso dos conceitos com propriedade. Estudo do significado dos termos que usamos, no lugar de termos da moda, ditos com a empáfia da sabedoria de botequim, superficial e inebriante para os ouvidos dos tontos.
Agora, a cada modificação tecnológica temos que escolher qual linha adotar. Se erramos atrasamos tudo. Significa que, pelo menos neste aspecto, enfim nos engatamos ao comboio principal das nações, até que enfim os acontecimentos nos empurraram da margem da estrada para cima dos trilhos. Resta ver se nossas ideologias conseguem nos acompanhar ou se vamos continuar pontificando só em mesas de bares.
- PETRUCIO CHALEGRE, Porto Alegre
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]

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