O Leitor Escreve
CMTU agindo
Mais uma vez reclamei neste espaço contra o estacionamento irregular no Calçadão de Londrina, principalmente por parte das empresas de transporte de valores. Muitas vezes vi até cinco carros estacionados na Praça Gabriel Martins. Para esses veículos, a Comurb (hoje CMTU) destinou vagas específicas em alguns pontos, fora do Calçadão, com placas e faixas e direito à multa no horário bancário para outros veículos que ali estacionassem. Não adiantou: o Calçadão continuou a ser rua e pátio de estacionamento, e os espaços ficaram lá, não atendidos pela Zona Azul e ultimamente sem multa para os estranhos ali estacionados.
Foi uma alegria ler na Folha que a CMTU vai de agora em diante coibir tais abusos. De fato, ontem mesmo havia guarda por todo lado, tentanto deixar o espaço livre. Resta saber agora se a CMTU vai aguentar a pressão dos transportadores contrariados em seus interesses. Se de outras vezes fiz críticas severas, neste momento devo dar parabéns aos diretores e funcionários da CMTU.
- REINALDO MATHIAS FERREIRA, professor, Londrina
Eleição e corrupção
Desde 29 de setembro de 1999, os brasileiros contam com um extraordinário meio de combate à corrupção eleitoral, que já está sendo posto em prática nas eleições desse ano: a Lei nº 9.840. Foi a primeira lei aprovada pelo Congresso e sancionada pelo presidente da República, resultado de uma ampla mobilização nacional, que resultou do Projeto de Iniciativa Popular, que colheu 1.039.175 assinaturas em todo o território brasileiro, ação coordenada pela Comissão Brasileira de Justiça (CBJP) e Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
A Lei 9.840 corrige as distorções existentes e cria mecanismos eficazes de combate a esta torpe prática de políticos que não entenderam que o exercício da cidadania se faz com transparência, amor à verdade, autêntico sentimento cívico e real compromisso com as necessidades da coletividade. Os maus políticos, infelizmenmte, têm agredido duramente os mais nobres princípios democráticos, permitindo que a população passe a descrer da democracia e o que é grave a apoiar outras formas estranhas de poder.
Esta lei deve ser conhecida por todos. A CBJP preparou um texto explicativo sobre a nova lei e a sua importância para a democracia brasileira, que pode ser encontrado na Editora Paulinas em São Paulo. Vale a pena ser consultado e divulgado nas comunidades organizadas da sociedade para que as pessoas possam tomar conhecimento da nova lei. É importante que cada um conheça, a fundo, converse com os amigos e busque conscientizar as pessoas daquilo que o texto da CBJP afirma como um lema: Voto não tem preço, tem consequência.
- VALMOR BOLAN, Santo André (SP)
Jogo de cena
No confuso fandango da reforma agrária brasileira, onde todos dançam em ritmo diferente diante de uma orquestra que nem sequer encontrou a partitura, mais um dançarino saltou na pista para trombar com os demais e aumentar a confusão. Ele se chama limitação do tamanho das propriedades agrícolas, proposto em 700 hectares nas Regiões Sul e Sudeste e 3,8 mil hectares nas regiões Norte e Nordeste.
De igual a outras propostas polêmicas, essa tem o repúdio dos proprietários de terras e a ameaça de ser posta em prática pelo MST imediatamente, à base da força. De diferente, ela já possui projeto de emenda à Constituição em tramitação no Congresso, apresentada pela deputada Luci Choinacki (PT-SC), e apoio formal de pelo menos um secretário de Estado, José Hermeto Hoffmann, do Rio Grande do Sul.
Tudo jogo de cena. Enquanto os atrapalhados dançarinos pisam uns nos pés dos outros, os verdadeiros donos do poder se agitam nos bastidores. Para o MST, essa é mais uma frente aberta em seu papel político-partidário de representante das facções radicais dos partidos de esquerda. Enquanto uma ala mais moderada passa para a sociedade uma idéia de democracia e justiça social, o Movimento dos Sem Terra cumpre a função de tentar desestabilizar o regime vigente e de colocar em cheque a atual estrutura da propriedade privada, engrossando suas fileiras com desempregados de todos os tipos, arrebanhados nos cinturões de pobreza das grandes cidades.
O mais trágico nesse quadro é que se esquece exatamente aquela que deveria ser a principal discussão: a questão econômica do campo. Enquanto milhares de pequenos agricultores que sabem produzir e já possuíam terras estão falidos, perdendo tudo o que tinham para os bancos, é uma estupidez imaginar que a doação de um pedaço de campo para um desempregado que não sabe a diferença entre um pé de alface e outro de couve, seja uma solução. E enquanto a esquerda sonha com um comunismo putrefato e a direita tira a poeira de suas espingardas, o governo confunde omissão com democracia.
- KLEBER BOELTER, empresário, Porto Alegre
Pobreza
O Unicef, organismo da ONU para a criança e a adolescência, traz um dado alarmante: nos 29 países ditos industrializados, que integram a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), de cada seis crianças, uma vive em pobreza relativa ou absoluta, perfazendo cerca de 47 milhões de menores de 12 anos. Outro número espantoso foi produzido pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), em junho: um quarto da população mundial vive, se assim pode ser dito, na miséria, ou seja, mais de 1,5 bilhão de pessoas, na face da Terra, dispõem de menos de US$ 1 por dia para subsistir.
O grande dilema é: como resolver ou minorar esta chaga do milênio? O primeiro passo me parece já ter sido dado com o reconhecimento por parte de organismos internacionais que as políticas liberais, que têm o mercado como senhor todo-poderoso já causaram demasiados males. Os imperativos globalizantes e transnacionais impulsionaram a miséria, aumentando a desigualdade e a exclusão nas nações periféricas, ao serem impostos e aplicados processos recessivos monetaristas e de ajustes de contas públicas.
Percebemos que já há a convicção da necessidade de investimentos mais expressivos na redução da desigualdade social, apesar das limitações naturais de um país carente de recursos e refém da banca internacional. Providências envolvendo a busca do desenvolvimento local integrando e sustentável devem ser aliadas ao incentivo à escolarização, base de uma estrutura social mais equilibrada.
Ressaltamos, acompanhando manifestações recentes de diretores do Banco Mundial (Bird), que somente com o esforço conjunto dos países do Primeiro e Terceiro Mundos, com aqueles promovendo ajuda mais efetiva a estes, poderemos ter sucesso no atingimento de metas internacionais para a redução da pobreza e recuperação de patamares mais dignos de igualdade social.
- VILSON ANTONIO ROMERO, jornalista, Brasília
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]





