O LEITOR ESCREVE
Transplante de órgãos
Segundo o decreto-lei nº 9.434, de 4 de fevereiro deste ano, assinado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, qualquer pessoa passa a ser doador de órgãos, a menos que manifeste vontade contrária, devendo constar na cédula de identidade, carteira de habilitação ou de ordem de classe. Será que as pessoas de classe baixa, que estão sofrendo nas filas, conseguirão receber um órgão pelo qual tanto esperam? Creio que não, pois neste país o dinheiro é quem manda e pobre não tem dinheiro para custear uma cirurgia de transplante.
Havia necessidade da criação dessa lei? Acho que não, porque já existem centros de doação de órgãos, para que as pessoas manifestem vontade própria para doar seus órgãos. É justo nossos governantes decidir até mesmo o que fazer com o nosso corpo? Eles têm esse direito? Não adianta regulamentar uma lei para doação de órgãos e continuar repassando uma miséria para a área da saúde, onde as condições para o bom atendimento a pessoas são precárias, devido a falta de material, aparelhos adequados, sem contar os péssimos salários.
Ao invés de gastar nosso dinheiro com viagens ao exterior e com propaganda vazia durante as eleições, por que eles não colocam na mídia uma propaganda esclarecendo e divulgando a nova lei? Por que não investem na saúde e nos setores que necessitam de ajuda? Nossos governantes deveriam pensar nas consequências dos seus atos, para não prejudicar cada vez mais o povo brasileiro, que ingenuamente votou neles.
- CLÁUDIO DE SOUZA ROLIM, Londrina
Pesquisa
Amanheci muito feliz hoje (30 de junho), pois ao abrir a ‘Folha’ tive a alegria de acompanhar o resultado de pesquisa, feita pela Datafolha, referente aos governadores. Entre eles, como não poderia deixar de ser, está o do povo paranaense, Jaime Lerner. Parabéns, governador. O bem sempre supera o mal. Vamos vencer essa batalha contra os maus paranaenses, senadores eleitoreiros. O Paraná vai surgir logo como o melhor e maior Estado da Federação, sob sua direção. Reforço a fé em Deus, nosso grande Pai. Ele nos mostrará, a nós e ao senhor, o caminho da vitória.
- MARIA DE LOURDES BRUNO DE OLIVEIRA, Cornélio Procópio
Professores
Os professores deram um grande exemplo na participação democrática de escolha do Secretário de Educação de Londrina. Isso foi bom, numa época em que se vive a descrença política. Eles souberam votar exercendo a cidadania plena. Esta dose ativa de ação tem que ser repetida, mostrando aos políticos quem é que manda, valorizando o voto e dando um basta à minoria que está no vai-e-vem do poder. Parabéns, porque elegeram a pessoa certa para o lugar certo. Londrina conhece o professor e advogado Dorival Peres, possuidor das qualidades exigidas para o cargo. Que bom se isso ocorresse em toda a administração, cheia de pessoas não qualificadas impostas arbitrariamente.
Em tudo tem que haver coerência. A inteligência mostra o que são as coisas, se são úteis e como nos podem servir e esse conhecimento só se completa no ato, no fazer. As escolas municipais são bem organizadas e respeitadas. Isso é tradição, mas podem melhorar. As condições físicas são precárias, faltam material escolar e merenda (o salário é baixo) e, acima de tudo, projetos autênticos para incrementar uma das fases mais importantes de estudo da 1ª a 4ª série, que é a base, o alicerce na formação da cidadania e reconstrução da sociedade. Povo que investe na educação tem mais felicidade. Professores preparados têm concepção lógica e intelectual e filosoficamente ensinam melhor numa visão psicológica e voluntarista se relacionando entre alunos e o mundo. A realidade é ululante e óbvia, pois a vida forma mas também deforma. Que Deus ilumine o novo secretário de Educação e que ele faça o melhor trabalho possível e todos nós sairemos ganhando.
- OSVALDO CARDOSO RIBEIRO, Londrina
Avaliação
É muito delicado para um candidato que não se elegeu assumir o encargo de fiscal da atuação daqueles que se elegeram. Há, porém, que se considerar algo chamado representatividade que lhe cobra isso. São os eleitores que nele votaram e esperam que pelo menos seja uma espécie de porta-voz de suas opiniões. Após seis meses da posse dos nossos representantes municipais já é possível se fazer uma avaliação das mudanças e melhorias verificadas, que já devem ser visíveis. Essa avaliação neste momento é importante porque o eco dos palanques ainda está vivo e as promessas ainda estão no ar. Promessas que poderão ser repetidas no próximo ano, quando os representantes eleitos estarão subindo de novo nos palanques para apoiar seus aliados às eleições estaduais e federais.
Assim, antes que as velhas promessas ressurjam com nova roupagem, é direito do eleitor cobrá-las dos seus representantes. Não pretendemos assumir o papel de fiscais da atuação alheia, mas não podemos nos furtar a convocar os eleitores para uma reflexão, antes que o redemoinho das próximas eleições leve de roldão as velhas reivindicações jamais atendidas. A reflexão é simples, mas sua resposta deve ser analisada com muito cuidado e com responsabilidade. Você está satisfeito com os representantes que elegeu?
- FÉLIX RIBEIRO, Londrina
Sem-Brasil
A mistificação das reformas tem servido de pano de fundo para elidir e iludir a opinião pública sobre a pusilanimidade do comando central, que se enleia no fisiologismo e nos versículos da cartilha franciscana, lançando e usando a mídia para projetos e propostas, com poucas e esquálidas ações eficazes, com os olhos atentos e o alvo voltado para a urna primaveril de 1988, esperando não se tornar parte dos sem-voto. Os fatos comprovam e o Tribunal de Contas da União atesta: neste país se gasta mais com os bancos do que com a saúde, inquestionável dever constitucional do Estado e direito do povo. Se isso não bastasse, continuariam existindo os 42 milhões sem-carteira assinada, os 39 milhões sem-previdência social, além dos muitos milhões sem-emprego, sem-dinheiro, sem-esperança...
- VILSON ANTONIO ROMERO, Brasília

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