Combustível
O noticiário nos dá conta de que as Polícias Civil e Militar estão praticamente impossibilitadas de se locomover, para o perfeito desempenho de suas funções. É por demais humilhante o cidadão dar queixa de um furto ou roubo de um bem patrimonial e o policial retrucar que não pode perseguir o ladrão porque não há combustível nas viaturas. Além de inviabilizar as funções policiais, essas mazelas causam à Nação uma profunda decepção e nos enche de insegurança, ferindo brutalmente a nossa auto-estima (já bastante vilipendiada) pois temos muito pouco do que nos orgulhar.
Já que a Petrobras tem sido useira e vezeira em poluir nossos rios e mar e, por consequência, tem sido multada em valores astronômicos, ela seria penalizada de forma alternativa. Ou seja, dar-se-ía uma datio in solutum. Quer dizer, ao invés de dinheiro a empresa pagaria as multas em combustível. O que ocorreu recentemente no Paraná, cujo valor de multa abasteceria as Polícias do Estado por mais de ano, é um exemplo da utilidade desse tipo alternativo de cumprimento da pena. Tudo sem prejuízo da despoluição, que sempre ficará a cargo da referida companhia de petróleo.
Das constantes multas a que é condenada, a Petrobras seria obrigada a formar um fundo, controlado pelas Secretarias de Segurança dos Estados que, em reuniões anuais, decidiriam o montante das cotas de combustível a serem distribuidas para a Federação, através dos postos mantidos pela apenada. Se a Petrobras é a prima rica da família, nada mais justo do que socorrer os membros pobres desse clã. Mormente por essa ajuda significar parte da solução da nossa segurança.
- MARUSA LEITE, advogada, Londrina
Projeto Trevo
Gostaríamos de agradecer a cobertura da Folha de Londrina/Folha do Paraná ao Projeto Trevo – Treinamento Volante que estamos implementando em parceria com a Polícia Rodoviária. A conscientização dos motoristas é fundamental para reduzir os acidentes nas nossas estradas. E a imprensa, como formadora de opinião, tem um grande papel nessa batalha de todos nós. Aproveitamos a oportunidade para solicitar a retificação do nosso telefone publicado na notícia para as empresas interessadas em levar as palestras do Projeto Trevo a seus funcionários. O telefone é 330-1095. Quanto a manifestação do leitor José Luiz Gomes, na edição de ontem, informamos que o trevo de acesso a Primeiro de Maio é uma obra necessária e uma de nossas prioridades. Está prevista, pelo contrato, para 2002, mas estamos estudando uma forma de antecipá-la.
- GUSTAVO MUSSNICH, diretor-presidente da Econorte, Maringá
Evolução social
O desenvolvimento social não acontece por acaso. Há que se tomar medidas radicais. Leis que obriguem o homem a seguir caminhos de evolução social. Duas leis estão organizando a sociedade brasileira. Uma é a Lei Camata, que obriga os governos municipais, estaduais e federal a aplicar no máximo 60% da arrecadação, para pagamento do funcionalismo. Ainda é muito. Futuramente, a porcentagem será reduzida. A outra é a Lei de Responsabilidade Fiscal que, em linhas gerais, obriga os detentores de mandato do Executivo a aplicar verbas em prioridades, proibindo o esbanjamento de dinheiro público. Há também em andamento no Senado um projeto de lei para reduzir o número de vereadores e deputados.
Estas leis, elaboradas por verdadeiros patriotas, são básicas para o progresso do Brasil. A toque de caixa, sem mais delongas, algum legislador iluminado deve também passar para a história como grande estadista, elaborando projeto de lei, tornando lei a obrigatoriedade de escolaridade para o cidadão que pretende disputar função nos poderes Executivo e Legislativo. O baixo nível de escolaridade dos atuais prefeitos e vereadores, além de vergonhoso é prejudicial ao desenvolvimento do País. Política, ao contrário do que se pensa, é assunto sério, deve ser exercida por cidadãos competentes, bem formados. Pessoas sem escolaridade não têm preparo para comandar, devem exercer funções modestas.
Deixo uma sugestão aos patriotas legisladores: criar lei exigindo que nos municípios com até 10 mil habitantes o candidato a prefeito ou vereador tenha concluído no mínimo o 2º grau de escolaridade. Em município com maior população, exigir que o candidato tenha concluído no mínimo um curso de 3º grau. Em bandeira brasileira, principal símbolo nacional, está escrito ‘‘Ordem e Progresso’’. Parabéns a quem criou essa mensagem importantíssima. É fundamental. Sem ordem não há progresso.
- FRATERNO MARIA NUNES, Campo Mourão
Curitiba dos sonhos
Vim para Curitiba no final dos anos 40 para dar continuidade a meus estudos. Na época, a cidade ainda se encontrava envolvida em ares bucólicos, com muito casario de madeira, casas polacas com lambrequins trabalhados, sólidas edificações germânicas, bangalôs arquitetonicamente bem concebidos, igrejas em estilo itálico ladeadas por altos campanários. Curitiba contava com cerca de 100 mil habitantes, cuja silhueta se diferencia bastante em relação a que hoje admiramos.
Nos primeiros anos, Curitiba me fazia lembrar aquela cidade-menina, cheia de graça, longe de desejos metropolitanos, com áreas suburbanas hortigranjeiras. Pelas manhãs, a cidade coloria-se com a presença de carrocinhas repletas de flores, legumes e hortaliças, charretes conduzidas por entregadores de pão em domicílio, e de leiteiros, que colocavam as garrafas brancas à soleira da porta das casas. Depois, todos cobravam no final do mês.
Lembro com saudade o bonde percorrendo a cidade em seus trilhos por entre vários logradouros. Aos domingos e feriados andava a pé pela Bispo Dom José, perambulando pelas avenidas Batel e Comendador Araujo, cruzando a Praça Osório, atingindo a Luiz Xavier, continuação da João Pessoa, onde se encontrava a maioria dos cinemas. O retorno, antes das 18h30, concentrava-se na Praça Zacarias, embarcando no bonde em direção ao Internato, no Bairro do Seminário.
Curitiba, com seus ipês floridos na primavera, com dias chuvosos e frios, no inverno coberta com a brancura das geadas, do nascer do sol iluminando a cidade e no crepúsculo colorindo-a de vermelho na silhueta dos pinheirais, Curitiba do footing da Rua XV, das procissões de Corpus Christi, dos desfiles do Sete de Setembro, com as bandas cadenciando a marcha dos alunos.
Esta era a capital paranaense, dos sonhos e das esperanças, pacífica, romântica. Tempos felizes da nossa juventude, mas também anos difíceis. Por não existir televisão, os tempos eram de debates verbais e utilização da imprensa escrita e das emissoras de rádio para fazer protestos pela falta de energia. Esses tempos não voltam mais, mas eles permanecem indelevelmente na lembrança de muitos de nós.
- CONSTANTINO COMNINOS, professor e decano adjunto do Centro de Ciências Jurídicas da Pontifícia Universidade Católica do Paraná
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]

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