O Leitor Escreve
Eleições
Ao ler editorial da Folha do dia 6/8 me deparei com um fato no mínimo interessante. Um desempregado pode ser processado e preso por crime eleitoral, pois quer vender seu voto. Talvez, por estar desempregado e na falta de dinheiro aproveitou esta época de comícios, abraços e tapinha nas costas para tentar conseguir algum político que se sensibilizasse e o ajudasse, comprando seu voto. Aquele desempregado se precipitou. Apesar dos esforços para se tentar coibir tal prática, é de conhecimento geral que a compra de votos das várias maneiras como ocorre é prática comum e deveria até ser colocada como mais um item a ser perguntado nas pesquisas de boca-de-urna, de como foi feita a escolha do candidato votado: a): por voto comprado; b): por outros motivos.
Mas também tem um fator novo neste nosso momento político pré-eleitoral: os candidatos aos votos, deverão, a partir de agora, merecer um melhor critério para escolha, pois depois de tantos tumultos provocados por uma avalanche de denúncias de corrupção, em todos os níveis, devemos ter aprendido pelo menos uma lição: precisamos pesquisar e apreciar o currículo do candidato que se apresenta e que nem sempre o que reluz aos nossos olhos é ouro.
- WALTER ABOU MURAD, biomédico, Londrina
Traficantes
Na porta e nos banheiros das escolas, no pedacinho de papel, no meio da torcida, na praça da matriz, no beco mal iluminado, no salão de danças, no ponto de ônibus, existe um perigo. É um pó, uma seringa, um punhado de erva, um cigarro, um frasco, um comprimido. É um embrulhinho, uma pequena quantidade, um microscópico envelope de morte. Depois vêm o sono e o torpor; a sensação de falso poder e liberdade; a indiferença, a marginalidade, o desajuste, a loucura, o desafogo e, às vezes, o crime. Há vendedores de veneno, sequestradores de felicidade. Roubando de crianças e jovens a saúde, a vida e a dignidade. Há fazedores de escravos, vivendo à custa da dor de pais e de filhos; e nós não sabemos o que fazer com eles.
Enquanto não soubermos enfrentá-los e amarrar-lhes as mãos, eles vencerão, e o País terá perdido. Depois que eles apareceram, o País ficou mais droga. E vai piorar, se não vencer o narcotráfico. Estão assassinando o Brasil de amanhã. A arma: veneno em forma de narcóticos. Estamos à mercê de mega assassinos. Eles sabem que matam muita gente e não pretendem parar. O maldito dinheiro que ganham tornou-os mais malditos ainda. Se o inferno existir, eles são os maiores candidatos a ele. Como não acreditam na sua existência, tornam a vida dos outros um inferno. O céu não é para eles, a menos que se convertam e reparem seu pecado.
Assassinos a sangue frio. São as latrinas de qualquer civilização. Entre eles e os operadores de canhões, a diferença é enorme. Estes são mandados e não ganham dinheiro pelo que fazem. Já os traficantes matam por dinheiro. Soldados de uma guerra suja e silenciosa. Sabe, o que faz e pouco estão se importando com as consequências dos seus atos, desde que consigam o seu dinheiro. De noite dormem sossegados em seus lindos palácios ou coberturas com piscina, enquanto pais e mães, em algum lugar, se descabelam porque alguém matou seu filho por causa desses senhores da droga. O mundo já teve milhões de criminosos. Poucos são tão cruéis e frios como os vendedores de droga.
- ANTONIO CARLOS DE MELO, bancário, Porecatu
Floresta Amazônica
A região amazônica é a maior área contínua de floresta tropical do mundo. Sua fisionomia é típica de floresta tropical úmida, caracterizando-se por grande número de espécies e alto conteúdo de biomassa. A floresta amazônica abrange nove países sul americanos: Guiana Francesa, Guiana, Suriname, Venezuela, Colômbia, Equador, Peru, Bolívia e Brasil, onde se situa sua maior área.
Quase toda a floresta amazônica corresponde a floresta de terra firme. Devido não só à área que cobre, mas também à dinâmica do seu processo, a floresta amazônica é um componente muito importante da biosfera, com interação potencialmente significativo para o clima global e a química da atmosfera. As florestas controlam a transferência de calor para as regiões mais frias da terra. Assim, o desmatamento da Amazônia poderá alterar o clima das planícies do Canadá e sua produção agrícola de grãos. Isso porque um drástico desmatamento da floresta amazônica ocasionará provavelmente uma diminuição na transpiração, que acarretará seca na região amazônica e esfriamento das regiões temperadas, de ambos os lados do Equador.
O desmatamento da floresta amazônica foi acelerado nos anos 50 e 60 a partir da implantação de grandes eixos viários, dos projetos de colonização e para a instalação de empresas na região. Desse modo, além de causar impacto em suas margens, as rodovias serviram de eixo para o avanço da devastação da floresta. Diferentemente da agricultura, principal forma de uso da terra em outras florestas tropicais do mundo, em anos recentes, a criação de gado tem predominado na Amazônia brasileira.
A importância do pasto é maior nas grandes fazendas, mas mesmo em regiões com pequenas propriedades, dentro ou fora de projetos rurais de assentamento humano, as fazendas pequenas são substituídas por empreendimentos que levam à expansão das pastagens. Na verdade, as maiores forças a impulsionar o desmatamento na Amazônia brasileira são os fantásticos lucros obtidos com a especulação de terras e com o subsídio concedido pelo governo, e não a produção de carne. Nesse contexto a criação de gado desempenha papel central. Além de aumentar o valor dos lotes legalizados, o desmatamento seguido da implantação de pasto é método mais usado pelos pequenos posseiros e pelos grandes grileiros atraídos principalmente pelas oportunidades especulativas.
- ROLDÃO LIMA MAGALHÃES, estudante, Loanda
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