O leitor escreve
Visita
Caro João Milanez: gostaríamos de agradecer a V.Sa., bem como aos diretores e demais profissionais que o acompanharam durante visita à nossa sede no último dia 7, a oportunidade de tal honroso e agradável contato. A Viapar, surgida da determinação de empreendedores compromissados em contribuir para o desenvolvimento regional, identifica-se com a bravura e o talento de uma equipe que, liderada pelo senhor, soube transformar a Folha em um dos mais importantes jornais do interior do País.
- NILTON MARCHETTI, diretor presidente, Maringá
Urna eletrônica
Urnas eletrônicas estão percorrendo pontos principais das cidades, para que o povo tome conhecimento de como votar, mas não estão chamando a atenção do povo. São poucas as pessoas interessadas em aprender a votar. Perguntei a um senhor se ele tinha treinado para votar e ele respondeu que não vale a pena sequer possuir o título, quanto mais votar. Isso decorre dos festivais de CPIs, que demonstram um erro aqui e outro ali. Depois tudo continua no camarim do silêncio. O dia da eleição vai ser um deus-nos-acuda, principalmente nos municípios que vão ter votação eletrônica pela primeira vez.
- LUIZ DE SOUZA ROLIM, Jaguapitã
Árvores
Depois de um inverno intenso e rigoroso, a natureza dentro daquilo que o Criador lhe confiou faz a sua parte: as folhas remanescentes do outono dão lugar a outras para devolver ao homem via processo da fotossíntese, o oxigênio necessário a nossa vida, depois de um longo estado de dormência, começam o processo de renovação rumo às flores da primavera. Mas nesse processo vem o homem com sua poda radical, não respeitando a natureza. Os galhos das árvores são cortados sem nenhum acompanhamento. São decapitados deixando na maioria como umas forquilhas que ficam vulneráveis à ventania e posteriormente à morte.
- JOSÉ PEDRO NAISSER, Curitiba
Irrigação
Sugerimos aos órgãos competentes estudos de viabilidade técnica e financeira para um projeto global de irrigação agrícola no Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. O Brasil é o mais rico país em água doce do Planeta. Os três Estados sulinos são ricos em bacias hidrográficas. A água dos rios é muito nobre para ser desperdiçada no mar. É necessário criar um melhor aproveitamento das bacias de Parapanema, Tibagi, Ivaí, Piquiri, Iguaçu e Paraná, no Paraná; Rio do Peixe, Chapecó e Uruguai em Santa Catarina; rios Passo Fundo, Jacuí, Ijui, Ibicui e Uruguai e outros, no Rio Grande do Sul.
Por suas características, a agricultura precisa do apoio do Estado. Nos países desenvolvidos, o arsenal inclui medidas protecionistas e de defesa de preços, investimentos em irrigação rural e subsídio ao crédito. É desnecessário falar do potencial agrícola que os três Estados representam no contexto nacional, bem como dos benefícios que a irrigação proporcionará para o incentivo agrícola.
Com o atual desenvolvimento nos países industrializados, podemos assistir a um salto de produção de grãos, aumento da produtividade e qualidade com a ajuda indispensável de um planejado sistema de irrigação. Não podemos ficar de braços cruzados na expectativa de que as coisas aconteçam. Elas são provocadas, criadas.
- OSVALDO CHIUCHETTA, Maringá
Sensibilidade na educação
Na era pré-moderna, a humanidade se desenvolveu com relativa lentidão, considerando que ela durou aproximadamente dez mil anos. Na era moderna ou industrial (1750 1950) duzentos anos foram suficientes para o homem apresentar gama muito grande de inventos que foram capazes de alterar a cultura e os costumes, direcionando a humanidade por outros e diversos caminhos. De 1950 em diante a velocidade de idéias e inventos provocou uma avalanche de novas necessidades e soluções que por sua vez provocaram e provocam novas necessidades que precisam ser supridas.
Essa transformação, em aceleração cada vez maior, instigou no homem uma cultura de materialização, isto é, ele, matéria e espírito, passou a priorizar sobremaneira a matéria, pois ela é imediata e palpável e, dentro do contexto de aceleração o homem precisa disso para se auto-afirmar e garantir a si mesmo que ele existe.
Como suprir essa necessidade foi e continua sendo cada vez mais difícil para número crescente de pessoas, aliado aos valores morais e éticos que antes moviam a humanidade e que hoje foram hipotecados, cria-se um grande vazio dentro de cada um. Esse vazio, que cresce proporcionalmente às necessidades insatisfeitas, vem acompanhado de perda da sensibilidade inversamente proporcional, quando não trabalhada ou cultivada.
A escola, composta por seres humanos administração, equipe pedagógica e apoio, professores, alunos, pais de alunos, comunidade recebe seus integrantes com toda essa história. Sua função educar para viver a dignidade, a cidadania, gozando dos direitos e cumprindo os deveres fica comprometida, pois os protagonistas estão desprovidos de sensibilidade, necessária para perceber a falta de harmonia que existe consigo mesmo, com o outro, com o mundo e com Deus.
Aí então fica fácil ver, como vi ao longo de 25 anos de magistério vividos em várias escolas e municípios, a educação escolar ser muitas vezes descaracterizada e perder parte de sua identidade. Já vi ou soube de professores fazendo de conta que estão ensinando, professores xingando aluno, amassando suas provas, jogando seu material para fora da sala, descontando nota, beliscando, dando tapa, matando. Já vi e soube de professores prepotentes julgando-se sábios, sendo autoritários, retrógrados. Já vi e soube de professores que não pesquisam e nem sequer gostam de ler. Já vi e soube de professores que choram sobre seus salários, mas têm preguiça de se especializar, de professores doentes ou se fazendo de doentes para deixar a sala de aula, de professores que vão para sala de aula sem saber e quem vai encontrar lá.
Mas vi e soube, também, de pais que agridem professores e culpam-nos porque seu filho não é educado e não vai bem na escola, não aprende; de pais que reclamam de tudo na escola, mas nunca deram uma idéia ou se colocaram à disposição para ajudar, de pais que dizem meu filho é um santo. E muito mais. Nesse contexto, todos somos vítimas, portanto, o aluno também é e não deveria ser. É hora de pararmos e perguntar: Quem somos? O quê estamos fazendo e para quê estamos fazendo?
- LUIZ GONZAGA DE MELO, professor em Ibaiti
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