O Leitor Escreve
Covardia
Com relação à legenda da foto publicada na página 8 (Mundo), de ontem, que diz: O toureiro espanhol Manuel Diaz faz um show ao enfrentar ontem seu primeiro touro (...). Deveria constar: O toureiro espanhol Manuel Diaz dá um show de covardia ao enfrentar seu primeiro touro. Este ato não merece elogios, pois estes babacas espanhóis se divertem à custa de animais indefesos, torturando-os até a morte, diante de milhares de pessoas podres de ricas que não têm o que fazer.
O que me entristece e envergonha é este país que mantém esta tradição maldita de cultura retrógrada ser considerado de Primeiro Mundo. Adoraria ver os touros enfiarem os chifres na barriga de todos estes toureiros e levantá-los para cima, caindo mortos ao chão, pois a vida de pessoas deste tipo (toureiros torturadores) tem menos valor do que um inseto para mim.
- SÉRGIO TORETO, escriturário, Goioerê
Geada & corrupção
As manchetes dos jornais do País têm dado destaque para dois acontecimentos que infelicitam e desesperam a população brasileira: a geada e a corrupção. A princípio, nota-se uma semelhança entre ambos pelo desastre causado, pelo prejuízo para a economia e ao bem-estar da Nação.
A geada, com seu grau de destruição, atinge a agricultura matando animais e sacrificando os seres humanos. E, há muito tempo o homem vem sofrendo os efeitos da corrupção. Porém, se analisarmos os dois fatos, veremos que existe uma distância grande entre eles. A geada é uma intempérie natural e nunca podemos considerá-la maléfica, mesmo que sua ação aparente seja desastrosa, pois sabemos que a natureza proporciona ao homem tudo o que a ele é necessário.
Num país tropical como o Brasil, qual seria o resultado se não tivéssemos dias frios e gelados, que propiciam o extermínio de mosquitos e larvas responsáveis pela multiplicação das doenças conhecidas e pelo surgimento de algumas doenças novas e alarmantes? Em contrapartida, a corrupção é uma epidemia criada pela ganância do homem, que vem destruindo nações com uma ferocidade muito superior à de qualquer fenômeno da natureza.
A geada tem seu efeito maléfico aparente e imediato, mas esconde os benefícios auspiciosos e duradouros por muitos anos. A corrupção, por sua vez, apresenta seu efeito durante o ano inteiro e traz consequências desastrosas para muitas gerações. Se houvesse uma política protetora por parte do governo, a geada não seria vista como um fato desastroso, mas como um alerta para novas posições, novos plantios retomados com o mesmo entusiasmo por parte do homem do campo.
Para a corrupção, que vem corroendo este País com uma velocidade alarmante, embora seja difícil encontrar uma solução, ainda há uma saída: a conscientização de que é melhor ser honesto em prol de toda a Nação e para sempre, que ser desonesto em prol de poucos e por pouco tempo. É preferível ser um pobre solto que um Nicolau preso.
- WELLINGTON SAMPAIO, Londrina
Igreja
A carta sobre Igreja, de Fraterno Maria Nunes, de Campo Mourão, publicada aqui no dia 23 de julho, demonstra que ele está totalmente desinformado. A não ser que seja ateu. Quando ele diz que nem uma vírgula na Bíblia é divina se torna óbvio sua ignorância sobre o assunto. Com certeza ele nunca ouviu falar sobre livros canônicos, considerados por respeitados estudiosos e teólogos como inspirados por Deus (autênticos). Logicamente os livros foram escritos por homens. Seria ilógico imaginar Deus, espírito perfeito, sem limitação no espaço e no tempo escrever palavras. Assim como é lógico afirmar que pela fé e pelo coração esses escritores foram inspirados pelo próprio Deus. No início de sua opinião, Nunes cita dono da Igreja. Se estiver referindo-se as igrejas protestantes e seitas eu até concordo com ele, caso contrário está equivocado, porque o único dono da Igreja Católica (fundada por Cristo) é o próprio Cristo.
Quando ele fala também sobre Igreja rica e poderosa, se for no sentido social e espiritual eu até concordo com ele. Mas se for no sentido material, mais uma vez está equivocado. A riqueza do Vaticano é caracterizada pelas grandes obras artísticas e tradicionais que lá existem. É óbvio que não podem ser desfeitas de um dia para o outro, e nem podem ser avaliadas em valor monetário. Ele diz também que os conhecimentos bíblicos estão ultrapassados e não se enquadram aos dias de hoje: a Bíblia é o livro mais vendido e lido no mundo inteiro! Será que tanta gente está sendo enganada e não tem escolaridade ou cultura como ele diz? O conteúdo da Bíblia é mais atual do que nunca; basta sermos perspicazes e aplicar este conteúdo no contexto de nossa vida, que seremos pessoas diferentes e muito mais felizes. O amigo entra em contradição quando diz: É óbvio que há um comando. Não seria melhor que ele escrevesse é óbvio que existe Deus?
- ANTONIO CARLOS DE MELO, bancário, Porecatu
João Paulo II
A eleição de Karol Wojtyla, para sucessor de Pedro, surpreendeu as pessoas mais graduadas da Igreja e do mundo. Não estava previsto que os eleitores do Papa fossem buscar um estrangeiro, um Papa vindo de longe, para assumir a chefia da Igreja. Agora, passados 22 anos, a personalidade de João Paulo II emergiu e se impôs à Igreja e aos olhos do mundo. Seus colaboradores mais próximos o admiram e dizem que se trata de um homem providencial e por nada deste mundo querem ouvir falar em renúncia ao Papado. Dizem que o Papa está bem e que no Vaticano não existe cabeça mais lúcida do que a de Sua Santidade.
Seus colaboradores afirmam que o Papa é uma pessoa de oração frequente, profunda e íntima com Deus. João Batista Ré, um dos mais achegados a João Paulo II, afirma: No decorrer dos anos que tive a honra e o privilégio de colaborar com o Papa e de acompanhar seus passos, tanto no Vaticano como em viagens apostólicas, constatei que o 263º sucessor de Pedro é um pastor profundamente humano, intelectual de extraordinário vigor, líder que arrasta a juventude e antes de mais nada, homem de oração.
É curioso ver como o trabalho e o ministério apostólico de João Paulo II andam vinculados à oração. Antes de qualquer decisão importante, o Papa se recolhe em oração e, quanto mais importantes são as decisões, mais prolongada é sua oração, afirma João Batista Ré, seu fiel colaborador. Tão decidido e dinâmico no serviço aos homens, este papa, que aos olhos de todos aparece como defensor da verdade e porta-voz das aspirações, tem um compromisso prioritário com a oração. Hoje, João Paulo tem 80 anos de idade. Às vezes seus passos parecem cansados. Rosto sofrido e olhar ofuscado, mas nele tudo engrandece e valoriza seu gesto e palavra. Assim é João Paulo II visto de perto.
- VENDELINO ESTANISLAU, professor universitário, Curitiba
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