O Leitor Escreve
A corrupção está globalizada. É difícil encontrar na atualidade homens patriotas da estirpe do já saudoso Barbosa Lima Sobrinho. Homens com essa formação nacionalista jamais pensaram em prevaricação. O amor pela pátria os fazia íntegro e dedicado às causas nacionais. Os tentáculos desse monstro, chamado corrupção, encontra ramificações por todos os lados. Fica muito difícil desvendar esse mistério. Esse enigma do TRT é apenas uma parte do problema. Ao mesmo tempo que todos são culpados, ninguém tem culpa. A façanha se dilui e ninguém é responsável por ela. Todos se apresentam como inocentes, porém o mal está feito.
Cadê, o Lalau? Ninguém sabe, ninguém viu. A quem interessa o seu paradeiro? A Polícia Federal é competente? Sim. Ganha bem? Sim. Existe dentro dos quadros policiais o chamado serviço de inteligência. É de se esperar que esse serviço seja altamente especializado e preparado, dado os recursos tecnológicos do mundo moderno.
Nesse filme, que não sabemos ainda o desfecho, será que os bandidos são mais inteligentes do que os mocinhos? Vamos aguardar os últimos capítulos, para saber se alguém será capaz de desvendar esse enigma. Será que forças ocultas estariam impedindo?
- JOÃO AMBRÓSIO DE OLIVEIRA, Londrina
Pesadelo
Quando caminhava pela Avenida Brasil, fui surpreendido pelo som de tambores e cantos indígenas que saía de um castelo. Recebido por um mordomo da Família Adams, encontrei-me num grande salão. Sentado numa cadeira imperial suspensa no ar, com um manto branco que chegava até o chão, cajado na mão esquerda e microfone na direita, ele esbravejava: É uma vergonha! Puna! Mate! Ao invés do barrete papal, usava um capacete viking. Seus olhos pareciam os de Boris Karloff. No chão, imobilizado por bandeiras vermelhas envoltas em seu corpo, jazia FHC. Em cima dele, um gnomo barbudo com orelhas pontiagudas enfiava-lhe um garfo diabólico. Ao lado, um homem alto e esguio, soluçando, colocava na cabeça a coroa que fora de FHC. Logo ao lado, outro indivíduo, de porte semelhante, vestido de padre, alquebrado pelo peso de imensos livros cartoriais, ria desbragadamente. No centro do salão, um gigantesco caldeirão cheio de água fumegava. Em torno dele, jovens fantasiados de índios, com flecha na mão esquerda e microfone na direita, dançavam e gritavam: O Homem Caiu! O Homem Caiu!.... De dentro do caldeirão, tentando fugir da água fervente, um homem nu, ainda imerso do umbigo para baixo, bradava: Cay Man. Era Bill Clinton.
O sobressalto desse pesadelo foi compensado pela notícia de que vários governadores, inclusive do PT, manifestaram sua confiança na honestidade de FHC. O pesadelo decorre de comentários que ouvi de Boris Casoy na TV. Ao citar uma frase de Ciro Gomes de que FHC não rouba, mas deixa roubar, o conhecido comentarista cometeu um lapsus linguae ao dizer: FHC rouba.... Corrigiu o erro imediatamente. Todos sabemos que Freud atribuiu grande importância a esse tipo de deslize. Segundo ele, revelava os desejos inconscientes de quem o cometia. Nas relações afetivas, antes mesmo das descobertas freudianas, ninguém gostava de ouvir seu nome trocado por outro, especialmente em situações muito íntimas.
Na mesma semana, após ouvirmos as notícias de que o governo federal pediu a ajuda do governo norteamericano para verificar as contas bancárias de vários criminosos e suspeitos brasileiros, num tom de voz mais baixo, típico de comadres fofoqueiras, Boris Casoy comenta: porque não verificar também quem são os detentores do depósito de US$ 360 milhões em Cayman? Acredito que esses fatos explicam meu pesadelo. A pergunta que fica no ar é se nossa mídia não está proporcionando espaço e tempo exagerados para comentaristas usarem e abusarem de sua posição privilegiada para emitirem opiniões pessoais de forte apelo popular, numa triste combinação dos chamados argumentos ad hominem e ad populum.
- EDUARDO JOSE DAROS, São Paulo
Apoio
Neste momento muito difícil, em que toda uma vida honesta, digna e eticamente correta está sendo colocada em questão, queremos manifestar nosso apoio e nossa solidariedade a Luiz César Guedes, ex-secretário municipal da Fazenda de Londrina. Estamos certos de que a Justiça será feita e comprovará que Guedes nunca esteve envolvido nesse esquema de corrupção que lamentavelmente tomou conta de nossa Londrina.
Conhecemos seu caráter de homem íntegro e em nenhum momento duvidamos dele. Que as investigações continuem firmes e que os corruptos sejam punidos, tanto pelo furto ao patrimônio público como pela irresponsabilidade de envolverem com eles nomes como o de Luiz Cesar Guedes.
- GILCEANA SOARES MOREIRA GALERANI, relações públicas e mais de 100 amigos de Luiz César Guedes
Eleições
Em época de eleições, as pessoas começam a questionar a importancia do voto, a validade do ritual democrático, de a cada período escolher novos governantes. Infelizmente, pesquisas vem confirmando que o povo brasileiro tem visto com muita reserva a democracia, preferindo, formas mais autoritárias de governo. Isso porque o índice de corrupção e desmandos, a falta de lideranças vigorosas e verdadeiramente comprometidas com o bem comum, tem levado a população descrer do sistema democrático. De qualquer forma, a democracia continua o grande desafio e a única saíde para viabilizar a cidadania e gestões autenticamente populares, participativas e transparentes.
As eleições estão aí, mais uma vez. É necessário que não haja desânimo nem ceticismo. Foi muito duro para nós, brasileiros, conquistarmos o estado de direito, as liberdades democráticas. para ver sermos derrubados pelo pessimismo e darmos espaçoo a estranhos apelos de autoritarismo. Temos que fortalecer as práticas democráticas, ter a coragem de reconhecer os erros de percurso, propor alternativas concretas e soluções factíveis. Temos que, para isso, utilizarmo-nos do voto, que é a arma segura para fazer valer os nossos direitos sociais.
Mesmo diante de tantos recursos tecnológicos e difusão de tanto conhecimento, ainda há muita desinformação. É necessário, portanto, nesse processo de amadurecimento, investir maciçamente em educação, o único caminho para consolidar a maturidade que desejamos para as melhores iniciativas governamentais. Por isso, é necessário que cada cidadão não deixe de votar, fique atento às propostas de cada candidato, saiba discernir e escolher, evitando a tentação do voto em branco, ou do voto nulo, que, em cada acrescenta desse difícil esforço de aprimoramente democrático. Com certeza, chegaremos um dia ao nível de bem-estar que desejamos para todos, sob os aspectos, pela via democrática.
- VALMOR BOLAN, Santo André
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]





