O Tempo e o Mercado
A Folha está de parabéns pela publicação do artigo de Jeremy Rifkin ‘‘O tempo humano é agora o Último Mercado’’. O assunto é muito interessante e atual, nos levando a pensar até onde está chegando a mercantilização das relações pessoais e quais as consequências desse caminho para a sociedade como um todo. Há 7 anos, em outubro de 1993, a Folha publicou um artigo de nossa autoria (‘‘Desenvolvimento econômico e sustentabilidade’’), onde comentávamos a falta de sustentabilidade do modelo econômico baseado exclusivamente no aumento da produtividade humana, sem preocupacão com o nível de emprego. Nesse artigo mencionávamos os enfoques históricos sobre a sustentabilidade econômica, geralmente embasada na microeconomia ao nível das empresas e, posteriormente, as discussões sobre a sustentabilidade ambiental, neste caso já enfocando a sociedade.
A partir dessa evolução do particular (econômico) para o geral (ambiental), discutíamos o desemprego estrutural como inviabilizador, no longo prazo, da vida social. O artigo de Jeremy Rifkin vai mais longe e trata não do desemprego mas do tipo de emprego gerado pela sociedade atual, mercantilizada até as últimas consequências. O alerta desse autor é muito pertinente, pois a tendência a transformar todas as relações humanas em mercadoria produz dois efeitos igualmente destruidores da vida social. Em primeiro lugar, estaríamos reduzindo cada indíviduo a uma ‘‘unidade de produção e consumo’’, eliminando totalmente suas características humanas, abdicando de sentimentos como amor, amizade, religião, altruismo, etc, que seriam apenas mercadorias a serem ‘‘produzidas’’ e vendidas no mercado.
Por outro lado, e isso o autor enfatiza, com a simultânea adoção do ‘‘Estado Mínimo’’, estaríamos abdicando também de qualquer tentativa de redução das desigualdades sociais. Assim, além de excluirmos grande parte da população dos benefícios dos bens e serviços derivados da tecnologia moderna (o que já ocorre), estaríamos também deixando ao mercado que regulasse o ‘‘fornecimento’’ dos relacionamentos humanos, criando (ou ampliando...) mais uma área de exclusão social. Resta saber por quanto tempo a sociedade vai sobreviver a uma situação como essa, sem uma convulsão social.
- PAULO VARELA SENDIN, engenheiro agrônomo, Londrina
Viva o presente
Viva o presente, utilizando o passado e não viva o passado utilizando o presente. Acontecimentos semelhantes não são vistos da mesma forma por pessoas diferentes. Quantas vezes uma mesma situação produz reações adversas nas pessoas que a vivenciam. Para alguns o fato de alguém recusar um convite para sua festa é visto como rejeição. Para outros esse mesmo fato é encarado com insegurança por parte do convidado como fobia social ou outros constrangimentos que o estão impedindo de frequentar a festa.
Na realidade, elas podem estar certas, mas provavelmente o que acontece é que relacionamos os acontecimentos de hoje com o histórico da nossa vida. Alguém que já teve experiência de rejeição procurará sempre relacionar uma recusa como rejeição. Enquanto para a outra, que não teve esse tipo de experiência, a recusa poderá ser vista como deficiência do convidado e não dela propriamente. O verdadeiro motivo da recusa pode ser porque já tem outro compromisso, por problemas pessoais etc.
Assim acontece muitas vezes conosco. Até quando a culpa de certos acontecimentos é do governo, da família, do patrão, do empregado, da empresa ou nossa? Na realidade, inventamos problemas profissionais ou pessoais a partir de experiências negativas em outras situações. Situações que deveriam acrescentar para um crescimento e não travar as possibilidades de sucesso. Cada situação deve ser analisada como única. Mesmo que já tenhamos vivido algo parecido não podemos pré estabelecer as causas, tão pouco limitar as soluções.
- ANGELINA MARIA NUNES SANTOS, economista em Londrina
Emoção
Sem dúvida o domingo, para os fãs da Fórmula 1 que acompanham atentamente o campeonato e os acontecimentos ao redor, foi uma emoção sem tamanho. Rubens Barrichello pode demonstrar com toda sua garra o quanto amadureceu neste esporte. Apesar de largar em 18º lugar, deu um show de pilotagem impressionando a todos. Se alguém tinha dúvida da capacidade de Barrichello foi obrigado a engolir a seco: imprensa, adversários, torcedores, até a própria Ferrari.
Foi emocionante após sete anos ouvir novamente o Hino Nacional no pódio da F1. Ouvir Galvão Bueno narrar com emoção a vitória de Barrichello ao fundo do tema da vitória. Os críticos que com certeza vão comentar o fato de Barrichello ter se emocionar chorando no pódio, fiquem com as palavras do próprio piloto ontem em uma entrevista: ‘‘Um homem sem emoções não é nada’’ .
Foi uma vitória conquistada, suada, com as ultrapassagens e por fim na chuva onde a Ferrari ficou pronta para o pit-stop que não aconteceu para pneus de chuva. E a Ferrari, de Barrichello, ia como se estivesse voando na parte seca e navegando na parte molhada do circuito. Era como se estivesse pilotada por mãos mágicas. Enfim, podemos lavar a alma de emoção por sete anos de espera. A vitória chegou naturalmente e não necessitou de uma boa posição no grid de largada. Uma atuação simplesmente heróica!
- EDILSON GONÇALVES DE CASTRO, analista de sistemas, Londrina
Domínio americano
Como muitos brasileiros não têm idéia do porquê de tantas desigualdades, precisa-se divulgar algumas idéias da real crueza e o fascismo do neoliberalismo materialista, alienador e imbecil. Este reduz o ser humano a uma mera engrenagem descartável e mero joguete de interesses egoístas de uma minoria de criminosos detentores do destino econômico global. Estamos submetidos, involuntariamente, às regras de interesses pragmáticos do capitalismo em sua face mais monstruosa, pois livre de qualquer empecilho ou ameaça à sua ganância, cujos valores são outorgados de cima para baixo, de forma calculada, principalmente pela mídia conivente, especialmente a televisão. Em consequência desse liberalismo moderno dos senhores feudais, o EUA está dominando nosso País.
E se nós não agirmos e reagirmos, o Brasil vai caminhando para a perda da soberania. Porque hoje vem a missão do FMI, amanhã vem o FBI dizer que tem de se combater as drogas aqui, depois vêm as tropas americanas dizendo que têm de ajudar o FBI e daqui a pouco nós estamos como colônia do império mundial sediado na Casa Branca. Com a perda da soberania aumentam ainda mais as injustiças sociais, ocasionadas pela evasão de rendas, empobrecendo cada vez mais o povo, e enriquecendo ainda mais as grandes potencias econômicas, proliferadas pela agiotagem inescrupulosa e egoísta.
- ANTONIO CARLOS DE MELO, bancário, Porecatu
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