O LEITOR ESCREVE
Iapar à deriva
A estória se repete. Nós, funcionários de nivel médio e operacional do Iapar, estamos há 21 meses sem reposição salarial. Estamos em negociação com o governo do Estado há três anos e só ouvimos: ‘Aguardem que em junho, julho, agosto, setembro, outubro, novembro, véspera de feriado, e dezembro. É Natal e julho é recesso. Depois tem os reis magros... e vem janeiro, férias. Em fevereiro tem carnaval, tem o fusca e o violão’. Mas em março haverá reposição, e nada acontece.
Alguém ouve no noticiário que o governo estuda aumento salarial para abril ou maio. Já que esperamos até agora...Imagine. Passa rápido. Mais dois meses só. Chega maio e nada. Continuamos negociando e se pulveriza esperanças novamente. Foi negociado que até 10 de junho daria tempo de passar a mensagem na Assembléia Legislativa, para votação. Tudo certo para 30 de junho... O mês já se foi e a Assembléia entrou em recesso. Continuamos aguardando, aguardando...
Se fosse possível, muitos funcionários iriam requerer concordata preventiva. A situação é difícil. Pressão de credores, contas encerradas no Banestado, atraso nas prestações da casa, água e luz cortadas. Nós, funcionários de nível médio e operacional do Iapar, continuamos em alerta. Até quando?
- MARIA JOSIAINE DA SILVA, Londrina
Zona Azul
Em esclarecimento à carta publicada ontem (2), a Companhia Municipal de Urbanização (Comurb) esclarece que o reajuste da Zona Azul de Londrina foi autorizado com base em solicitação da Epesmel, entidade responsável por esse serviço e reconhecida em Londrina pelo relevante trabalho de profissionalização de crianças e adolescentes. O último reajuste da Zona Azul foi autorizado em junho de 1995, através de decreto. Portanto, o londrinense ficou quase dois anos sem reajuste desse serviço.
- ASSESSORIA DE IMPRENSA da Comurb, Londrina
Corrupção
Para aqueles que não desprezam a ética, ‘revogando’, de quando em vez, a Constituição e os códigos e, ainda, para aqueles cujos diplomas de bacharel em Direito não padecem da falta de fundos, é oportuno municiá-los com algumas precauções e cuidados no trato de questões criminais na fase inicial do inquérito policial para que, como muitos, não paguem o preço do noviciado. Muita vez, no entusiasmo idealista da defesa do direito violado, ou ameaçado de violação, olvidam-se, e jamais devem deixar, os advogados e bons policiais, de considerar a pressão de ‘grosso calibre’ com habitat no ambiente policial, que chamamos de ‘trilogia da corrupção’, inviabilizadora tanto da advocacia clássica, até mesmo de simples acompanhamento de cliente, quanto da administração de uma delegacia onde um bom delegado encontra sérios óbices e boicotes pelo mesmo fenômeno.
Tanto o delegado como o advogado, mormente se (tanto um como outro) tentarem imperar a lei, devem antever que, via de regra, haverá um policial disposto a leiloar o dever, um cliente (amedrontado pelas circunstâncias) sempre disposto a pagar o preço e, se ainda assim, você (o ‘estorvo’) persistir empunhando a bandeira da lei, um colega mau profissional, em prontidão para substituí-lo e viabilizar os ‘objetivos sociais’ da ‘societas criminis’, onde maus advogados e policiais se associam na indústria do ‘escruncho’, leiloando todo um sistema.
Em nossas profissões há dias assim, onde experimentamos uma tripla decepção, ou seja, com certas autoridades policiais, com o próprio cliente (que substitui o seu advogado pelo vilão) e com certos advogados que se prestam a tão hediondo serviço, trocando seu escritório pela delegacia onde dão expediente... Nesses últimos dez longos anos, algo mudou? Enquanto doutores de todos os quilates, até mesmo ‘democratas de convenção’, discutem a questão do direito de dispor da ação penal pelo Ministério Público - Já não se exerce o ‘jus disponendi’ por via alternativa?
- ELIAS MATTAR ASSAD, presidente da Associação Paranaense dos Advogados Criminalistas, Curitiba
Habitação
É absurdo o novo projeto de lei enviado ao Congresso pelo governo, relativo ao novo sistema financeiro imobiliário, noticiado no caderno de Economia da ‘Folha’ dia 12. O sistema garante o investidor e põe em desgraça o mutuário da casa própria. Ao afirmar que a crise no sistema de habitação é causado pelo índice de inadimplência, o ministro Kandir cometeu grande injustiça. A falência no setor é resultante de políticas equivocadas e a roubalheira de pessoas mal intencionadas que responderam pelo setor. Cabe aos deputados, em nome dos milhares de pretendentes à casa própria, a não-aprovação do projeto, pois a palavra alienação fiduciária cabe bem para veículos automotores. Habitação é um bem estar garantido à população. O ministro Kandir se ilude em achar que o novo projeto irá atrair investidores institucionais. O mutuário brasileiro não é tolo e conhece a forma de atuar daqueles investidores. Colocam aos pés o modus operandi da ‘cosa nostra’italiana. A culpa pelos atrasos, na maioria dos casos, foi e é provocada pela política do governo do qual o ministro Kandir faz parte. Política bem intencionada, mas de resultados preocupantes.
- LUIZ FURTADO, Londrina
Ironia do destino
O artigo publicado dia 2, sob o título ‘Construção civil x desemprego’, seria até despercebido não fosse o autor sobrinho do prefeito Antonio Belinati, além de ex-secretário de obras do governo Jaime Lerner. Por ironia do destino, Dante Belinati recordou e reverenciou como tempos áureos da construção civil justamente na administração de Wilson Moreira. Lembra o articulista que Londrina viveu um ‘boom’ na construção civil, merecendo notícia nacional. Esse perfil empresarial que tomou conta da cidade, nos meados da década de 80, entre 83 e 87, cuja pujança mereceu destaque na Veja, foi porque tínhamos um administrador de fato, cujo principal mandamento era sempre gastar menos do que a arrecadação, uma vez que para o Brasil em geral a década de 80 foi altamente catastrófica em termos econômicos. Foi transitória, com planos econômicos fracassados. Alegro-me ver a saudade bater no seio da família do prefeito.
- JOSELITO HAJJAR, Londrina

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