Cultura
O ex-secretário da Fazenda que deixou recentemente o cargo deixa também uma passagem preocupante para a cidade na sua última entrevista sobre a Lei de Incentivo à Cultura, passagem esta que gostaríamos de ver apagada na memória desta cidade. Eis a passagem: ‘‘Na minha casa, quando falta o básico, cortamos o supérfluo, como o lazer, a cultura e o esporte’’ (sic, conforme o jornal).
Tenho quase certeza que o ex-secretário não queria dizer exatamente o que está escrito aí em cima. Aliás, em reunião com o prefeito e agentes culturais, ele procurou deixar-nos claro que não quis dizer exatamente isto. De qualquer forma isto não nos cala o alerta de que cultura é essencial. É um direito do cidadão. É tão prioritária quanto educação, saúde, bem-estar social e tem uma vantagem sobre todos os outros investimentos: melhora a cidadania, a visão de mundo e consequentemente, aumenta a capacidade crítica do cidadão, tornando-o, é claro, menos interessante para os populistas e aproveitadores do bem público.
Infelizmente, a maioria de nossos dirigentes acredita que cultura é só festa, eventos ou, quando muito, apenas as belas artes. Não percebem cultura como a mola mestra da vida social; que molda e formata a maneira de vida das pessoas; que está no alicerce de seu jeito de se alimentar, vestir, morar, amar, ter religião... enfim, é a base da inserção do indivíduo na sociedade, de sua felicidade e no espaço e no momento em que vive. Temos confiança que a visão do novo secretário pelo que conhecemos de sua história e cultura, jamais vai levá-lo a brindar-nos com intenções ou ameaças de cortar o essencial e nem chamá-lo de supérfluo.
- ALCIDES VITOR DE CARVALHO, diretor da Casa de Cultura da UEL
Barbosa Lima Sobrinho
Difícil aceitar a perda de pessoas queridas. Ainda mais quando são pessoas que dedicaram sua vida a lutar por um Brasil melhor, mais justo. A falta que vai fazer o jornalista, o escritor, o nacionalista, o brasileiro Barbosa Lima Sobrinho não tem dimensão, não pode ser avaliada e muito menos esquecida. Indiscutivelmente agora, quando a sociedade brasileira experimenta as mudanças apresentadas pelo neoliberalismo.
São propostas apresentadas como propiciadoras do desenvolvimento da produção, do progresso social, das maravilhas do crescimento econômico, em que o Estado deve interferir o mínimo possível na economia de livre concorrência, atuando restritamente em alguns setores, por exemplo, zelar pela segurança de todos. Porém, o que se tem presenciado até agora, é o agravamento das desigualdades sociais, da concentração de renda, da intensificação da exclusão social, do aumento do desemprego, da miséria e da violência.
Tudo isso faz pensar que alguma coisa anda errada. E que não é o simples desejo de liberdade de uma concepção econômica que está em xeque, mas também os anseios da consciência democrática, do estado de direito, e da autonomia, de toda uma nação – sentimentos de nacionalidade, que tão bem apregoava o humanista Barbosa Lima Sobrinho.
Mas o espírito crítico não foi sepultado. E, as idéias desse baluarte dos interesses da nação foram semeadas, e sempre estarão presentes quando o Brasil estiver correndo perigo. Mesmo porque, ainda tem gente consciente nesse mundo. A luta continua.
- ANTONIO SÉRGIO NEVES DE AZEVEDO, engenheiro, Santa Cruz de Monte Castelo
Saúde no município
Se fizermos uma retrospectiva sobre as políticas de saúde pública no Brasil nos últimos 20 anos, constatamos que houve avanços significativos. As mudanças foram muitas e, hoje, quase não se pode mais comparar os modelos de assistência que vigiam em décadas anteriores com as que estão em prática atualmente.
Uma coisa é certa: este processo teve um grande impulso porque partiu do pressuposto da descentralização. O nível federal, num primeiro momento, passou a desconcentrar recursos para os níveis estaduais e estes, aos municípios. Aos poucos, o ente ‘‘município’’ passou a ser considerado como um ator social no processo de gestão dos serviços públicos de saúde. Os resultados mostram que, apesar de todas as dificuldades existentes, deu-se um passo significativamente importante para a implantação de mudanças jurídicas, sociais e políticas do sistema de saúde brasileiro.
A situação atual está nos mostrando a necessidade de promovermos inovações na política local de sa© úde, de buscarmos lideranças em saúde mais comprometidas com o fortalecimento das práticas democráticas lembrando que não se alcança a democracia sem que ela se revele no cotidiano das pessoas e sem que ela se expresse nas relações entre governo e sociedade.
Para a consolidação do SUS, o processo de descentralização política e administrativa precisa avançar nos municípios. As práticas que caminham neste rumo estão ganhando força e visibilidade na sociedade sinalizando a satisfação da população. Basta observarmos os resultados alcançados pelos Programas de Saúde da Família, da Internação Hospitalar, dos Hospitais-Dia, entre outros. Mas isso só não é suficiente. É preciso avançar com mais ousadia na descentralização local. É hora de democratizar a estrutura administrativa dotando de mais autonomia e poder as Unidades Básicas de Saúde, criando unidades regionais de apoio ao planejamento e avaliação dos serviços.
É importante relembrar que os processos de descentralização apontam também para novas práticas sociais. Descentralizando o sistema estará se fortalecendo a articulação entre os serviços de saúde e os conselhos locais e regionais de saúde além de reforçar práticas de gestão mais participativas que envolvem e valorizam o planejamento local e regional das unidades mais operativas do sistema.
O momento histórico novamente está nos chamando para novas reflexões. Estamos entrando em um novo processo eleitoral, com grandes desafios éticos e sociais e, mais do que nunca, queremos avanços concretos e visíveis para o Sistema Municipal de Saúde de Londrina. O 1º Encontro Paranaense de Saúde Pública e 1ª Mostra Regional de Sa© úde da Família que estará acontecendo em nossa cidade nestes próximos dias 29 e 30, no anfiteatro do Hospital Universitário é um espaço importante para o debate acerca destas questões. Uma oportunidade ímpar para os londrinenses interessados na questão.
- CÉLIA REGINA RODRIGUES GIL, professora universitária, Londrina
Skate
Domingo (23) foi realizado um campeonato de skate no Bosque, centro de Londrina. Observei que atualmente um grande público comparece para prestigiar o evento. Londrina conta com atletas de alto nível, de capacidade e com muita garra levam em frente essa modalidade, com suas manobras radicais demonstram que esse esporte para eles é fundamental, porém enfrentam dificuldade por não terem um local para a prática do skate com rampas e obstáculos apropriados para treinar, demonstrar seu desempenho e poder receber bem os atletas de outras cidades. Mesmo sem ter esse espaço, nossos skatistas levam o nome de Londrina em competições, inclusive para outras cidades e em vídeo e fotos na mídia especializada.
- MARIA DE LOURDES DA SILVEIRA, Londrina
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]

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