O leitor escreve
Prisão do ex-prefeito
Os defensores do prefeito afastado de Londrina, Antonio Belinati, dizem, nos jornais, que o pedido de prisão dele é uma medida estapafúrdia. Estapafúrdio significa extravagante, esquisito. O que será que existe de esquisito no pedido de prisão de pessoas que, segundo documentado pelo Ministério Público (MP), meteram a mão nos recursos públicos? Pessoas que, por peculato, lesaram os cofres da prefeitura, apropriando-se do nosso dinheiro? Ora, ladrão é ladrão!
Como londrinense, sinto-me lesado. Por muito menos que isso, empresários são presos e respondem na Polícia Federal por apropriação indébita quando não repassam ao INSS os recursos descontados de seus empregados na folha de salários. Na maioria das vezes, deixam de recolher por falta de caixa, não para cometer o crime de apropriação indébita. Eles, pelo menos, dão empregos a milhares de pais de família.
Estapafúrdia, a meu ver, seria a ação dessas pessoas que procuram acobertar a desonestidade, buscando, por meios de questionável argumentação, inocentar os depredadores do patrimônio público. O MP há de responder-lhes à altura. Estapafúrdias seriam as ações do MST que invadem, destroem, roubam e, em alguns casos amplamente divulgados nos jornais, até maltratam os legítimos donos de uma propriedade rural? Igualmente estapafúrdias seriam as contribuições em dinheiro de certas entidades respeitabilíssimas para a manutenção desse grupo cujo contingente de trabalhadores rurais é extremamente pequeno? Precisamos realmente passar o Brasil a limpo!
- ANTONIO JOSÉ SALADINI, administrador de empresas, Londrina
Ilusão de produzir
A maioria dos produtores rurais brasileiros caminha para a inviabilidade econômica, por razões várias, que vão da concorrência desleal de produtos importados por preços subsidiados no país de origem à falta de uso mínimo de tecnologia. A maioria dos produtores rurais brasileiros caminha para a inviabilidade econômica e marginalização social. É só uma questão de tempo, caso não ocorram profundas modificações em seus hábitos. A categoria parece estigmatizada por uma crônica desunião e por incrível capacidade de articular-se em defesa do mínimo indispensável à sua sobrevivência.
A verdade é que empobrecemos demais nos últimos 10 anos, não temos acesso necessário à nossa adequada inserção no mercado globalizado que nos sufoca e pagamos altos tributos ao invés de contarmos com os subsídios que embalam nossos concorrentes. Aliás, os subsídios nós os dispensamos. Queremos tão-somente equilíbrio entre os preços que nos cobra a indústria pelos insumos que utilizamos compulsoriamente e os preços de venda dos produtos que produzimos.
De resto, talvez não fosse demais aspirar por um mercado interno mais forte e consistente, que não se limitasse a consumir mais frango, iogurte ou dentaduras. Sou cooperado da Cooperativa Agrícola de Londrina (Cativa) e vejam por exemplo a diferença entre o leite que produzimos entre o preço produtor e consumidor final, pois no último dia 20 recebi da cooperativa R$ 0,32 pelo litro de leite, com previsão de R$ 0,34 para recebimentos em 28 de agosto, e vejam que este mesmo litro de leite o consumidor paga hoje acima de R$ 0,90.
O fato é que o sol já vai alto e não despertamos para a gravidade da conjuntura. Seja injetando na atividade de recursos financeiros de outras fontes, seja vendendo o almoço para pagar o jantar, seguimos alimentando a ilusão de produzir alimentos, gerar empregos e manter o vínculo com a terra. Cultivando tais ilusões, marchamos para o sacrifício, tendo ainda que carregar a pecha de retrógrados violentos, especuladores e incapazes de modernizar e dar destinação social às nossas propriedades. Francamente, é demais. Não podemos mais, a menos que tenhamos vocação suicida, suportar passivamente a presente conjunção de fatores adversantes, que certamente nos levarão ao matadouro.
- MODESTO FERNAL, produtor rural, Faxinal
Ilusão de produzir (2)
Dias atrás fomos informados, através deste jornal, que o governo americano estava disponibilizando recursos para atender aos agricultores daquele país. Numa tentativa de amenizar os prejuízos decorrente de um período de comercialização desfavorável aos agricultores, o governo liberou recursos da ordem de US$ 7,10 bilhões em socorro aos agricultores. Tal situação demonstra a importância que a atividade agrícola de produção de alimentos tem para os americanos, diferentemente do Brasil. Pois somente na cultura de soja praticamente eles nos superam em produção de grãos.
Para os agricultores brasileiros resta somente lamentar, enquanto são eliminados do mercado globalizado aos poucos. Veja os motivos: durante a safra de verão 99/00, no Norte do Paraná, já sofremos os reflexos da estiagem que causou significativos prejuízos aos agricultores, aumentando o sofrimento o mercado tem trabalhado com preços pouco atrativos para os principais produtos aqui produzidos. Agora na safra de inverno 2000, nossas lavouras foram dizimadas, reflexos dos prejuízos decorrentes da estiagem e geadas que após alguns anos voltaram a castigar nossa região.
No entanto, envolvidos em tantos impactos negativos, os agricultores estão no limite, ou seja, é impossível absorver tais prejuízos sozinhos. Então, a exemplo dos americanos, o governo brasileiro precisa implementar medidas urgentes de socorro aos agricultores que tanto contribuíram com o sucesso da política de estabilização, através do superávit na balança comercial.
- JUSTINO CORREIA FILHO, técnico agropecuário, Bela Vista do Paraíso
Progresso
É pena que existam pessoas que acreditam que apenas a ciência e a total escolarização da população darão conta de resolver os problemas deste nosso pobre mundo. Não sou contra o progresso científico. Muito pelo contrário. Nem contra a universalização do acesso à escola de qualidade. Mas é necessário mais que isso. Se observarmos o noticiário diário e a história da humanidade, os maiores crimes de hoje e ontem são e foram cometidos por pessoas com escolaridade acima da média e muitos donos de conhecimentos científicos avançados.
Como não somos apenas seres materiais e animais, precisamos também do alimento espiritual que, como tudo que é superior neste mundo, não se vê, mas é essencial para trazer a paz interior a cada um que dará o equilíbrio necessário à vida em sociedade. Quem for ler a Bíblia apenas para buscar conhecimento histórico e não atentar para a grandeza dos ensinamentos de Jesus, deverá considerar a Bíblia um livro superado, assim como devem considerar Dostoievski, Shakespeare e talvez até mesmo Kafka e tantos outros que escreveram no passado e refletiram sobre o homem e suas mazelas espirituais. Pois no tempo deles também não havia o conhecimento científico como hoje. Infelizmente, na maioria das vezes serve apenas para pequena parcela da população mundial ou que gera uma leva cada vez maior de seres descartáveis neste nosso mundo pós-industrial.
A humanidade pode viver sem tecnologia, pois foi assim que viveu durante séculos, mas sem o amor, degradação e destruição ocorrem rapidamente. Procure ler com outros olhos, que não sejam os da busca histórica ou científica, os evangelhos e comece por João.
- CLAUDETE DEBERTOLIS RIBEIRO, Cambé
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